Uso de carro como meio de transporte deve cair 28% em SP na próxima década, diz consultoria

O uso de carro como meio de transporte em São Paulo deve cair 28% nos próximos dez anos. É o que prevê um estudo feito pela consultoria Kantar, que analisou o futuro da mobilidade urbana em 31 cidades do mundo. O levantamento se baseia em entrevistas com moradores e análises de tendências feitas por especialistas.

A pesquisa mostra que São Paulo é a terceira cidade do mundo onde os moradores estão mais dispostos a mudar o uso de meios de transportes. A capital paulista fica atrás apenas de Manchester, na Inglaterra, e Moscou, na Rússia. Apesar disso, a cidade está na última posição no índice de confiança, que verifica o quanto os moradores acreditam que essa mudança deve de fato ocorrer.

Segundo o estudo, até 2030, o uso de bicicletas deve aumentar 47% na capital, contra um aumento de 10% no uso de transporte público e 25% nas caminhadas como modo de deslocamento. O valor é acima da média mundial, que prevê queda de 10% no uso do carro, aumento de 18% nas bicicletas e de 6% nas viagens a pé. Apesar disso, o aumento previsto no uso do transporte público pelo mundo é maior do que o verificado aqui: 49% é o crescimento médio mundial estimado para esse meio de transporte.

Por Patrícia Figueiredo e Ana Paula Campos, G1 SP e TV Globo — São Paulo

Novas conexões urbanas

Avanços em mobilidade urbana e sensores para monitorar o uso de água e eletricidade serão elementos fundamentais das cidades do futuro, mostra estudo do banco Julius Baer

Nos últimos 20 anos, a população de Munique, terceira maior cidade da Alemanha, cresceu 50% chegando a 1,5 milhão de pessoas em 2018. Delas 20% são estrangeiras. Como a taxa demográfica não deve diminuir nos próximos anos, Munique já se prepara para receber mais gente. Novos bairros estão se desenvolvendo e, em várias regiões, sensores monitoram desde a distribuição de água até o consumo de energia e a poluição causada pelas emissões de CO². Segundo um estudo do banco suíço Julius Baer, até 2050 boa parte dos polos urbanos mundiais deverá seguir o exemplo da cidade alemã, com o uso intensivo de tecnologias baseadas na análise de dados e sensores de monitoramento. A mobilidade urbana também deverá atingir novos patamares de expansão. Entre 2000 e 2017, o número de linhas de metrô aumentou 70% no mundo, segundo a Associação Internacional de Transportes Públicos. “As cidades se tornarão mais sustentáveis e inteligentes”, diz Carsten Menke, chefe de pesquisa sobre Próxima Geração do Julius Baer.

Fonte: Época Negócios

Novos hábitos para mobilidade urbana

Precisamos fazer um esforço para que a questão da mobilidade urbana volte a ser debatido com seriedade pelos agentes públicos e gestores das cidades, visando uma melhoria da qualidade de vida e do ar das grandes cidades. Fazer um esforço para requalificação dos espaços públicos, para usufruto dos cidadãos seria uma tentativa valida de melhoramento do parque habitacional dos grandes centros urbanos.

Uma das respostas que certamente encontraremos passa pela capacidade que o incentivo a mobilidades prosaicas, como caminhar pode nos trazer excelentes resultados. Surge assim a possibilidade de olhar para o cidadão e para o andar nas cidades, como forma de mobilidade. Uma solução prática, simples e eficaz para a solução de alguns dos problemas das cidades, bem como elemento-chave para o planejamento urbano moderno e para o aumento da qualidade de vida dos cidadãos.

As necessidades atuais de vias de vias largas e rápidas, lugares de estacionamento, semáforos, prioridade de deslocamento para o automóvel, poluição sonora e da qualidade do ar, alteraram a imagem das cidades e diminuíram as condições para a mobilidade do cidadão, tornando uma simples caminhada em meio caos urbano como algo difícil, perigoso, lento, chato, desagradável.

O homem desloca-se a uma velocidade média de 5 km/h, que lhe permite sentir o espaço envolvente, entendê-lo e posicionar-se nele, de uma forma natural e saudável, integrando-se e interagindo com a estrutura arquitetônica, urbana, cultural e social adequadamente, já os sentidos estão biologicamente preparados para atuarem a essa velocidade. Um aumento drástico da mesma, rapidamente provoca uma mudança na forma como o espaço é entendido e consequentemente reduz a sensação de integração e de interação com o que rodeia o corpo, e da sensação de pertença a esse espaço.

Nos últimos cinco anos, as principais vias das nossas cidades tiveram um aumento médio do uso de carros particulares em 20%. Isto significa que, além do crescimento desordenado, a nossa preferência no transporte contribui para o agravamento da situação de mobilidade urbana. Precisamos urgentemente investimentos no setor e uma mudança cultural para inverter as tendências.

– Como tornar as nossas cidades mais sustentáveis e humanizadas, mais próximas de uma escala que seja compreensível e entendida pelo Homem, onde apetece viver, trabalhar, passear?

Os meios de transporte mecanizados – o metro, o ônibus, o automóvel, o avião – substituíram o andar na paisagem. Os 5 km/h do passo humano, foram rapidamente ultrapassados pelos 60 km/h (metro), 120 km/h (automóvel), 800 km/h (avião), o que implicou uma alteração irremediável na forma como vemos a paisagem.

Caminhar possibilita uma percepção e apropriação do espaço urbano, aumentando a utilização do espaço público e a vivência urbana e trazendo população para os centros desertificados. Por outro lado, reduz os níveis de poluição que se vivem na cidade, incrementando a qualidade do ar, diminui o congestionamento viário e a necessidade de criação de lugares de estacionamento, substituindo-os por áreas de permanência e/ou passeios de qualidade para os cidadãos.

O homem necessita biologicamente de utilizar o corpo para atividades físicas que promovam o bem-estar do corpo e da mente. Caminhar é uma forma simples, sem custos e democrática de exercício que deverá ser acessível a todos os cidadãos, através da criação de condições que facilitem e incentivem, não apenas o andar a pé como exercício físico diário, mas principalmente como modo de deslocamento prioritário.

“Microcasa” pode ser tendência da próxima década

Casas dentro de seu quintal, de sua garagem ou impressas com uma impressora 3D: diversos projetos e startups surgiram nos últimos anos prometendo moradias baratas, sustentáveis e eficientes. Com uma nova década se iniciando, a “microcasa” pode se tornar uma solução cada vez mais procurada para resolver a questão da falta de moradias.

A FastCompany listou cinco exemplos de empresas que estão se tornando pioneiras neste formato. Confira.

O seu quintal para alugar

Em vez de colocar uma casinha de brinquedo em seu quintal para seus filhos brincarem, a Rent The Backyard quer construir uma casa de verdade para alugar nos fundos de sua casa. A empresa custeia as obras e registro da moradia e, em troca, recebe uma parte do aluguel cobrado.

A construção da casa é feita pela NODE.eco.

Não tem quintal? A garagem também serve

A United Dwellings é uma startup de Los Angeles que quer transformar as garagens enormes comuns aos subúrbios da cidade em apartamentos. Segundo a empresa, 91% dos espaços de garagem na região não são ocupadas pelos carros, mas por “tralha” do dono da casa.

Assim como a Rent The Backyard, a United Dwellings custeia a conversão da garagem em apartamento – e fica com uma parte do aluguel futuro.

Casas menores em um grande terreno

Parte do problema da falta de moradia é o tamanho das casas: terrenos enormes ocupados por apenas um imóvel e família. Por isso, a MicroLife Institute quer pegar terrenos grandes que estavam projetados para construir casas acima dos 250 m² e construir moradias menores entre 23 e 46 m².

Em vez de uma mansão, portanto, cada terreno seria um pequeno bairro.

Impressoras 3D para criar casas em regiões mais pobres

Em 2019, a New Story anunciou que finalizou a construção de duas casas em uma região isolada do México, na fronteira com a Guatemala. Detalhe: as casas foram impressas com uma impressora 3D de 10 metros de comprimento.

A empresa já construía casas de forma “tradicional”, mas fez parceria com a Icon para imprimí-las. Os novos moradores aprovaram a residência.

Por ser autossustentável, casa da PassivDom pode ser instalada em quase qualquer lugar (Foto: Divulgação/PassivDom)

A casa sustentável que gera e recicla tudo o que utiliza

A PassivDom também decidiu imprimir casas, mas com uma ideia diferente: criar moradias que são autossustentáveis. A energia elétrica é captada por painéis solares no teto, enquanto toda a água usada é reciclada.

As casas ainda estão em desenvolvimento e devem chegar ao mercado em 2020, em fase de teste no Arizona, nos Estados Unidos.

Fonte: ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE

Construção verde: o setor que vai oferecer milhões de empregos

Uma sequência de colinas, cobertas por flores nativas, suculentas e canteiros de morangos silvestres, se erguem ao redor de Scott Moran. Borboletas voam de flor em flor, enquanto ele observa um casal de falcões de cauda vermelha ensinando os filhotes a caçar no topo das montanhas.

Moran não está contemplando uma paisagem bucólica no campo. Na verdade, ele está em seu horário de almoço, no topo do prédio em que trabalha, no centro de São Francisco, nos Estados Unidos. O burburinho da agitação da vida urbana o cerca por todos os lados.

Ele trabalha na Academia de Ciências da Califórnia. O edifício conta com uma cobertura de 10 mil metros quadrados de “telhado vivo”, onde vivem cerca de 1,7 milhão de plantas, pássaros e insetos. O espaço foi meticulosamente projetado para estar entre um dos mais sustentáveis do mundo.

Painéis solares que circundam o “telhado vivo” fornecem 5% da energia do prédio, enquanto a água que escoa pelos canos dos banheiros também gera energia. Claraboias abrem e fecham automaticamente para ajudar a regular a temperatura no interior do edifício, enquanto a luz natural é usada para iluminar o máximo possível o ambiente.

Nos 15 anos em que trabalha na Academia, Moran ajudou a projetar, a construir e agora – como diretor sênior de exposições e arquitetura – a manter os sistemas sustentáveis do edifício. É o tipo de função que ele acredita que se tornará ainda mais importante no futuro.

“Está ficando cada vez mais claro que os edifícios precisam ser projetados e usados de forma a economizar o máximo de energia e água possível”, diz Moran.

“Isso requer uma tecnologia sofisticada e haverá muita demanda por profissionais com as habilidades necessárias para que isso aconteça.”

A construção de novos prédios sustentáveis, como esse em que Moran trabalha, deve gerar mais de 6,5 milhões de postos de trabalho até 2030, segundo previsões da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Depois da área de energia, este será o segundo setor que mais vai crescer no âmbito de empregos verdes nas próximas décadas.

Seja verde
Esse “boom” é resultado de uma necessidade cada vez maior de edifícios que consigam lidar com múltiplos desafios: cumprir as metas do acordo climático de Paris, custos crescentes de energia, escassez de água e aumento do risco de condições meteorológicas extremas. Tudo isso está levando a um movimento conhecido como construção verde.

Arquitetos, engenheiros e construtoras tentam criar edifícios que consumam o mínimo de eletricidade possível, gerem sua própria energia, reciclem água e sejam capazes de se aquecer ou resfriar sem necessidade de ar-condicionado ou aquecedor central.

As novas tecnologias estão ajudando a transformar residências e empresas em estruturas inteligentes e sustentáveis.

Em 2000, apenas 41 projetos de construção foram oficialmente classificados como edifícios verdes nos EUA. No ano passado, esse número saltou para mais de 65 mil. Em outros lugares do mundo, houve aumentos semelhantes – e essa é uma tendência que deve continuar.

“Governos de todo o mundo se comprometeram a limitar o aquecimento global a 2 °C como parte do Acordo de Paris”, lembra Terri Wills, presidente-executiva do World Green Building Council.

“Atualmente, os edifícios geram cerca de 38% das emissões globais de gases de efeito estufa relacionados a energia. Isso significa que não atingiremos a meta de 2 °C, a menos que todos os prédios se tornem mais sustentáveis em termos de construção e funcionamento”, diz Wills.

O Bosco Verticale é um modelo de edifício residencial sustentável em Milão, na Itália (Foto: Getty Images via BBC)

O BOSCO VERTICALE É UM MODELO DE EDIFÍCIO RESIDENCIAL SUSTENTÁVEL EM MILÃO, NA ITÁLIA (FOTO: GETTY IMAGES VIA BBC)

O próprio prédio em que ela trabalha, no centro de Londres, contém exemplos de recursos que podem se tornar padrão nos imóveis no futuro.

Grande parte do material utilizado na construção é reciclado ou proveniente de fontes naturais, como madeira, na tentativa de reduzir as emissões de carbono geradas no processo de construção.

A iluminação especializada se adapta à quantidade de luz natural que entra pelas janelas, enquanto a energia solar aquece a água usada nos banheiros do escritório.

“Todos vão precisar de novos tipos de expertise”, diz Wills. “Haverá necessidade de engenheiros que saibam lidar com sistemas de energia renovável, arquitetos capazes de elaborar projetos bonitos com emissões zero ou que utilizem materiais reciclados.”

“Precisamos de planejadores urbanos que consigam conectar os transportes públicos de maneira eficiente e especialistas em finanças que saibam gerenciar construções verdes”, completa.

Algumas profissões provavelmente serão mais demandadas do que outras. O Escritório de Estatísticas de Trabalho dos EUA prevê um crescimento de 105% nos empregos para instaladores de painéis solares até 2026, com a criação de mais de 11,8 mil postos de trabalhos no país.

Mudanças na China
Seguindo a tendência, o governo chinês estabeleceu metas agressivas como parte de seu plano quinquenal, exigindo que 50% de todos os prédios urbanos novos tenham certificação verde.

“Haverá também a necessidade de tornar os edifícios existentes mais resistentes ao clima”, diz Nicolas Maitre, economista da OIT, que vem pesquisando o impacto da construção verde na economia.

“No Reino Unido, serão criados cerca de 20 postos de trabalho para cada US$ 1 milhão investido na infraestrutura existente, enquanto na China serão cerca de 200 e no Brasil, 160. Estes também serão empregos qualificados.”

“Haverá ainda a criação de muitas vagas ligadas à construção no setor hídrico, à medida que os países tentam se adaptar às mudanças climáticas. Na Argentina, por exemplo, seu plano nacional de 15 anos para a água vai resultar em 200 mil postos de trabalho”, completa.

A crescente demanda por especialistas no setor de construção civil verde significa que muitas empresas já estão com dificuldade para recrutar profissionais suficientes.

“Na parte de engenharia, estamos com dificuldade para contratar todo o pessoal de que precisamos”, conta Alisdair McGregor, diretor e engenheiro mecânico da Arup, que liderou a construção do prédio da Academia de Ciências da Califórnia.

“Em meados da década de 1990, a construção verde era quase uma sociedade secreta de cerca de 100 pessoas que participavam de conferências, mas a partir de 2000 ela explodiu.

Estamos vendo muitos clientes importantes – tanto governamentais, quanto corporativos – que estão querendo fazer isso.”

“Existe agora uma grande demanda por engenheiros criativos para trabalhar nesses projetos.

As empresas de arquitetura com as quais trabalhamos estão vivendo o mesmo cenário”, acrescenta.

Alice Moncaster, especialista em construção sustentável na Universidade Aberta do Reino Unido, espera que a demanda por novas habilidades na indústria de construção também encoraje mais mulheres a assumirem funções nessa área.

“Há uma falta de diversidade chocante dentro do setor”, diz ela. “Minha esperança é que as novas habilidades [requisitadas] incentivem mais mulheres e permitam que elas cresçam em todas as profissões da área de construção sustentável.”

Empregos completamente novos provavelmente vão surgir diante da crescente demanda por edifícios verdes. A OIT prevê a criação de cargos como ecodesigner – para projetar produtos mais eficientes -, e especialistas em eficiência energética se tornarão cada vez mais importantes em países como a China e a Índia, onde o setor de construção civil está em expansão.

“Vamos ter necessidade de profissionais para atuar como consultores de emissões, por exemplo, que possam avaliar o impacto do carbono em uma construção e ajudar a reduzi-lo”, diz Wills.

“Haverá uma demanda enorme por habilidades que até agora eram amplamente especializadas.”

Para enfatizar esse aspecto, Wills mostra outro atributo literalmente verde de seu escritório – uma parede coberta de plantas que ajudam a limpar o ar.

As “paredes vivas” estão cada vez mais presentes em edifícios ao redor do mundo – o One Central Park, em Sydney, na Austrália, tem o jardim vertical mais alto do mundo, enquanto a nova sede do Google em Londres vai contar com uma ampla área verde na cobertura.

“Temos uma equipe especializada que vem cuidar da nossa ‘parede viva'”, explica Wills.
Moran também acredita os prédios sustentáveis vão exigir habilidades que não tiveram muito destaque no setor da construção civil no passado.

“É preciso um conjunto de habilidades diferentes para cuidar de um telhado vivo, em comparação com o paisagismo padrão”, diz ele.

“Você precisa entender o ambiente, como a direção do sol e do vento podem afetar (o jardim). Mas também estamos vendo a tecnologia sendo integrada a tudo.”

“Nosso edifício todo é controlado por um sistema central de computadores, então, agora a gente pode andar com um iPad na mão e fazer todos os ajustes em tempo real”, explica.

“Isso é algo que vai se tornar apenas mais um atributo dos edifícios no futuro.”

 POR RICHARD GRAY, DA BBC CAPITAL

Permuta com incorporadoras deve ser uma das novidades do MCMV

Não é novidade que o governo do presidente Jair Bolsonaro quer reformular o programa Minha Casa, Minha Vida. Esta semana foram divulgados mais detalhes pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, em entrevista concedida ao jornal O Estado de São Paulo, mas a proposta final só sairá após conversas com a Caixa, Ministério da Economia, empresários e entidades do setor.

O principal foco da reforma está na faixa 1, para famílias que recebem até R$ 1,8 mil mensais. Essa parcela do programa tem uma série de problemas, desde o percentual de subsídio exigido da União – em torno de 90% do valor da unidade – até a revenda dos imóveis realizada pelas famílias beneficiárias, que optam por receber algum dinheiro mas retornam à situação de vulnerabilidade habitacional.

Para mudar a questão do subsídio, o Ministério do Desenvolvimento Regional vai propor ao governo que sejam doados terrenos e imóveis públicos – de municípios, estados e União – para incorporadoras que atuam no programa; em troca, as empresas se comprometem a construir empreendimentos para a faixa 1.

A lógica será a mesma para a administração dos conjuntos habitacionais: empresas da iniciativa privada assumem a responsabilidade da gestão pelo prazo de 20 ou 30 anos em troca do recebimento de terrenos públicos, afirmou Canuto. O objetivo é levar mais segurança aos condomínios e evitar criminalidade ou conflitos sociais.

De acordo com o ministro, projetos para a faixa 1 só irão se concretizar após assinatura dos contratos de construção e administração com empresas do setor privado. Canuto admite que a quantidade de empreendimentos deve reduzir, porém será possível intensificar a atuação do programa em regiões menos beneficiadas, como Norte e Nordeste, pondera.

Famílias da faixa 1 não terão mais a posse do imóvel

A outra mudança importante é que as famílias da faixa 1 não terão mais a posse do imóvel; as unidades pertencerão ao governo, que definirá um valor de aluguel compatível com a realidade financeira da família beneficiada. O mecanismo serve para evitar a revenda dos imóveis.

De acordo com o ministro, os beneficiários terão de frequentar programas de profissionalização oferecidos pelo governo. A ideia é que as famílias consigam deixar o aluguel social e adquirir unidades destinadas às faixas 1.5 ou 2. É possível que a reformulação do Minha Casa, Minha Vida – que deve ter outro nome – estipule um prazo máximo no qual a família pode morar no imóvel alugado.

A exceção é para famílias que venham a ser removidas de área de risco, que sejam vítimas de calamidade ou que precisem deixar o imóvel devido a obras do governo. Nestes casos, a aquisição da posse da unidade será permitida, mesmo que os beneficiários estejam inseridos na faixa 1 do programa.

Mais rigor na faixa 1.5

O Ministério do Desenvolvimento Regional quer endurecer as regras de contratação de unidades da faixa 1.5. O objetivo é reduzir a inadimplência e a tomada da propriedade pelo banco operador do financiamento – geralmente a Caixa. Para isso, estuda-se instituir uma renda mínima que será obrigatória para obter crédito (atualmente, apenas a renda máxima – de R$ 2,6 mil – é considerada).

As faixas 2 e 3 – até R$ 4 mil e até R$ 9 mil de renda mensal, respectivamente – não devem sofrer alterações, afirmou o ministro durante a entrevista.

Fonte Estadão

Moradia compartilhada cresce no país, com promessa de estilo de vida mais econômico e prático

A empresária Claudia Gambaroni, 40, morava sozinha em um apartamento alugado distante do centro de São Paulo. Há um mês, ela se mudou para um prédio na Vila Olímpia e divide seu dia a dia com 332 pessoas. Ela mora no Kasa 99, primeiro prédio dedicado exclusivamente à moradia compartilhada do Brasil. 

Claudia aluga um quarto privativo single de 23 metros quadrados com banheiro e uma cozinha pequena. Lavandeira, cozinha completa, salão de jogos e espaço para reuniões são compartilhados com os demais moradores. 

A mudança, garante ela, valeu a pena: “Tenho mais praticidade porque estou no coração de São Paulo e tenho tudo que preciso no próprio condomínio, principalmente um espaço para realizar reuniões de trabalho.”

A empresária afirma já ter morado em um imóvel compartilhado em Barcelona, na Espanha. Por este motivo, ela garante que a adaptação no Kaza 99 está sendo fácil. “Estou vivendo a fase do desapego. Não preciso mais ter a minha máquina de lavar, nem os meus utensílios de cozinha. Descobri que não preciso de tantas coisas para viver bem”, afirma.

Claudia aderiu a uma tendência comum no exterior — especialmente em Nova York (EUA) — que está chegando ao Brasil: o coliving

Com o crescimento da economia compartilhada, os brasileiros enxergaram neste modelo uma forma para cortar custos, ter companhia e morar mais próximo do trabalho e do centro da cidade.

 Claudia Gambaroni participa de reuniões de trabalho em espaço compartilhado de seu próprio condomínio (Foto: Divulgação)

CLAUDIA GAMBARONI PARTICIPA DE REUNIÕES DE TRABALHO EM ESPAÇO COMPARTILHADO DE SEU PRÓPRIO CONDOMÍNIO (FOTO: DIVULGAÇÃO/SPARTACUS BRECHES)

De acordo com Renato Marostega, gerente-geral do Kaza 99, o condomínio foi lançado há 10 meses para receber os universitários da região. Hoje, contudo, esse público representa apenas 30% dos moradores.

“Recebemos muitos profissionais e estrangeiros, em torno de 30 anos, que trabalham nos arredores da Vila Olímpia ou que estão realizando projetos temporários em São Paulo”, afirma.

Com 243 apartamentos, o condomínio tem aluguel a partir de R$ 2.600.

Resistência
Apesar de estar em alta, o imóvel compartilhado ainda sofre resistência pela baixa divulgação do modelo e perda de privacidade dos moradores, avalia Deborah Seabra, economista do Grupo Zap. 

Levantamento exclusivo realizado pela holding aponta que 30% dos brasileiros que buscam imóveis para locação aceitariam morar em uma residência compartilhada.

Proprietários de imóveis, por sua vez, são mais resistentes: apenas 8% aceitariam compartilhar suas casas com outras pessoas.

Entre as justificativas para quem aceita o coliving estão “dividir as despesas” e “aumentar a renda”. Já aqueles que rejeitam o modelo destacam  a “falta de privacidade” (35%), preferência por “morar sozinho” ou “só com a família” (18%) e “insegurança de morar com estranhos” (12%).

Dormitório de prédio para coliving na Vila Olímpia, em São Paulo (Foto: Divulgação)

DORMITÓRIO DE PRÉDIO PARA COLIVING NA VILA OLÍMPIA, EM SÃO PAULO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

A psicóloga Renata Franco, de 30 anos, transformou a casa em que mora — de propriedade de sua mãe — em um grande espaço de coliving. O imóvel, localizado no Ipiranga, na zona sul de São Paulo, possui cinco dormitórios para inquilinos, todos com ar-condicionado e frigobar. 

A própria Renata é a responsável por cobrar os aluguéis e gerenciar o cumprimento das regras, como gestão do lixo, horário para recebimento de visitas e limite de barulho. Isso porque, para criar uma relação mais próxima com os moradores, ela não faz intermediação com imobiliária e não cobra depósito caução. 

“Avalio o tipo de pessoa que coloco dentro da minha casa, porque muita gente extrapola o benefício. Recebi meninas que ligaram a máquina de lavar às 3h da madrugada”, diz a proprietária, que afirma não receber casais e homens em sua casa.

Novo estilo de vida
De acordo com Deborah, do Grupo Zap, o coliving tende a crescer no Brasil porque não está associado à crise do país, mas sim ao novo estilo de vida de alguns brasileiros. “Há moradias compartilhadas que compensam mais do que apartamentos pequenos no centro de São Paulo”, diz.

Mas antes de fechar contrato, alerta, é necessário pesquisar a localização e conversar com o inquilino. “O locatário precisa avaliar se o imóvel está no centro da cidade e se tem fácil acesso a transporte público”.

Fonte: Época Negócios