Airbnb vai começar a projetar casas em 2019

Mercado Imobiliário

(Época Negócios)

Empresa quer entrar no ramo imobiliário

EVENTO DO AIRBNB (FOTO: REPRODUÇÃO/FACEBOOK)

Virou clichê dizer que a maior empresa de mobilidade do mundo não tem nenhum carro e que a maior plataforma de hotelaria não possui sequer um quarto. Mas o Airbnb aparentemente tem outra visão sobre o futuro da economia de compartilhamento. Após criar uma rede global com mais de 5 milhões de imóveis disponíveis, entre casas, apartamentos, quartos, castelos e casas na árvore, e construir um negócio de US$ 38 bilhões, o Airbnb começou a se perguntar qual seria o próximo passo.

Em 2016, o chefe de produto (CPO) e cofundador da empresa, Joe Gebbia, criou a Samara, uma divisão dentro do Airbnb para desenvolver novos produtos e serviços. Nesta quinta-feira (29/11), a Samara anunciou, à Fast Company, uma nova iniciativa.

Chamado de Backyard (“quintal”, em tradução livre), o projeto vai “desenvolver novas…

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Crise faz Tecnisa virar gestora de estoques

Mercado Imobiliário

(Capital Aberto) – 11/10/18

Nos últimos tempos, a toada do setor de construção civil parece um tanto fora de ritmo. No lugar de lançar, erguer e vender entraram os verbos cancelar, cortar, desfazer, que nada têm a ver com a essência da atividade de incorporação imobiliária. São profundas as marcas deixadas por dois anos de recessão — e sem sinal visível de recuperação da economia — nas incorporadoras, especialmente naquelas que atuam em segmentos não populares ou desvinculados das benesses do subvencionado Minha Casa, Minha Vida. Na lista das mais prejudicadas figura a Tecnisa, cujas ações desvalorizaram-se 53,62% nos 12 meses encerrados em 8 de outubro, de acordo com dados da Economatica. Como não está a seu alcance a possibilidade de mudar o entorno, a empresa tenta fazer o que pode do tapume para dentro, com promoções para desovar estoques, redução de despesas e venda de ativos, sobretudo terrenos.

Diante…

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5 previsões para a cidade do futuro, segundo o Fórum Econômico Mundial

Como as cidades vão se adaptar à era da digitalização e irão moldar a economia mundial nas próximas décadas

Você pode estar lendo esse texto no seu computador, smartphone ou tablet. Mas provavelmente está em uma das 150 maiores regiões metropolitanas do mundo. Mais da metade dos seres humanos hoje vivem em cidades, e esse número deve aumentar para 70% até 2050. Em termos econômicos, os resultados da urbanização foram notáveis. As cidades representam 80% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Nos Estados Unidos, o corredor Boston-Nova York-Washington gera mais de 30% do PIB do país.

Mas o sucesso tem sempre um custo – e as cidades não são exceção, segundo esta análise do Fórum Econômico Mundial. Padrões insustentáveis de consumo, degradação ambiental, desigualdade persistente são alguns dos problemas das cidades modernas. Recentemente, entrou na equação as consequências da transformação digital. Há quem fale sobre uma futura desurbanização. Mas os especialistas consultados pelo Fórum descartam essa possibilidade. Preferem discorrer sobre como as cidades vão se adaptar à era da digitalização e como vão moldar a economia mundial.

O segredo é escala

Os arranha-céus em cidades como Xangai e Nova York atestam a capacidade de expansão vertical. Mas algo ainda mais surpreendente está acontecendo nos bastidores. De acordo com uma pesquisa recente realizada por Geoffrey West e Luis Bettencourt, as cidades estão levando o capital físico e humano a “escalas superlineares”. Desafiando a aritmética básica, as cidades produzem mais unidades do que consomem em indicadores como salários, patentes e investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Por outro lado, as cidades gastam menos recursos per capita em infraestrutura e serviços. Há, nestas áreas, muitas funcionalidades (como sistemas elétricos e de mobilidade) operando no modelo “sublinear”, segundo o Fórum. Ou seja: aquém da capacidade máxima. Com a digitalização, pode estar aí uma oportunidade para as cidades conseguirem solucionar os maiores desafios globais. Um deles é tentar encontrar soluções para o problema de habitação: a população mundial deve chegar a 9,7 bilhões em 2050.

O que você é vale mais do que onde você está

Os prefeitos das maiores cidades do mundo estão fechando parcerias que derivam mais de interesses compartilhados do que proximidade geográfica ou filiações políticas. O contexto nacional não é necessariamente o traço mais relevante para as cidades modernas. Por exemplo, há poucas similaridades entre o Reino Unido e a Turquia, mas o voto contrário ao Brexit em Londres, Liverpool e Manchester foi estimulado por forças parecidas com as dos votos contrários ao referendo constitucional em Istambul, Ancara e Izmir. Nos Estados Unidos, Nova York e San Francisco entraram no acordo de Paris com outras 380 cidades, ainda que o país tenha se retirado do tratado.

As cidades vão liderar o desenvolvimento

De acordo com pesquisas recentes, as cidades são ambientes que promovem o apego à comunidade e a criação de grupos. Muitos sabem que esses laços estão relacionados à sensação de felicidade e bem-estar, mas eles também estão ligados ao crescimento do PIB. A capacidade das cidades de criar níveis sem precedentes de atividade econômica e inovação irá assegurar que esses espaços irão liderar o desenvolvimento nas próximas décadas.

Reinventando como e onde trabalhamos

Em 2020, chegará ao mercado de trabalho a geração C (“conectada”), a das pessoas que viveram toda a sua vida imersas no mundo digital. Até lá, as quatro forças da quarta revolução industrial – automação, realidade aumentada, computação em nuvem e inteligência artificial – provavelmente estarão funcionando a pleno vapor.

Ao mesmo tempo em que os baby boomers começam a deixar o mercado de trabalho, os millenials e a geração C devem reinventar a forma como trabalhamos e o ambiente de trabalho. Além disso, a digitalização vai continuar a moldar a produtividade. Mais importante, vai aumentar os benefícios do agrupamento nos principais setores da economia, como manufatura, serviços financeiros e hospitalidade. Pequenos empreendedores nesses agrupamentos irão criar “micro-multinacionais” usando plataformas digitais.

Cidades inteligentes facilitarão a vida de seus habitantes

A digitalização promete melhorar a vida das pessoas nas cidades. Em cidades inteligentes como Tallinn, na Estônia, os cidadãos podem votar nas eleições nacionais e se envolver com o governo local via plataformas digitais, que permitem a assinatura de contratos e pagamento de impostos, por exemplo. Programas similares em Cingapura e Amsterdã tentam criar uma espécie de “governo 4.0”.

Além disso, a tecnologia vai permitir uma melhora na governança. Plataformas digitais possibilitam acesso, abertura e transparência às operações de governos locais e provavelmente irão mudar a forma como os governos interagem com as pessoas.

Fonte: Época Negócios

Em 10 anos, São Paulo lançou mais de 160 prédios sem garagem

Nos últimos anos, com a mudança de comportamento da população, o uso do carro sofreu grandes questionamentos e muitos moradores dos grandes centros abriram mão de seus veículos para optar por transportes alternativos, como ônibus, trem, metrô e os aplicativos de mobilidade. Essa mudança refletiu no mercado de imóveis e isso foi destacado em uma pesquisa realizada pelo ZAP, empresa do Grupo ZAP, que analisou o lançamento e a presença de imóveis sem garagem na cidade de São Paulo. A principal análise mostra que nos último 10 anos, 166 empreendimentos foram lançados, totalizando mais de 21 mil apartamentos.

Um dos destaques da pesquisa é a presença deste novo modelo de imóvel em regiões importantes da cidade. Os bairros da Sé (1.798 unidades), Bela Vista (1.179) e República (961) concentram 63% do total de apartamentos sem vagas lançado na região central da cidade nos últimos cinco anos. A Vila Prudente (866) se destaca na Zona Leste, já na Zona Oeste e Sul os bairros líderes são Barra Funda (1.196) e Campo Limpo (1.022).

São Paulo
São Paulo (Foto: Shutterstock)

O tamanho médio de um apartamento de um dormitório sem vaga é 32 m², já com dois dormitórios a metragem sobe para 44 m². Esse tamanho compacto é uma característica marcante dos apartamentos sem vagas. Nos últimos cinco anos, 41% daqueles de um dormitório foram lançados com até 30 m² e 59% de 31 a 45 m², já 92% dos de dois dormitórios possuem de 31 a 45 m². Para a gerente de inteligência de mercado do ZAP, Cristiane Crisci, esse modelo de imóvel será uma tendência importante no mercado, já que as gerações mais novas tendem a alugar mais e abrir mão do carro abrir mão do carro e morar num bairro com maior oferta de transporte público ou próximo ao trabalho, elevandsua qualidade de vida. “É muito importante identificar que esse novo cenário é o reflexo da mudança de um comportamento social, com a evolução do transporte público, esses modelos serão cada dia mais presentes e mais próximos dos ideais das gerações futuras”, detalha.

Fonte : ZAP

Moeda digital ganha força no setor imobiliário

O uso de criptomoedas na compra de imóveis tem crescido no país. Empreiteiras como a paulista Tecnisa, a mineira Katz e a paranaense Valor Real são algumas que já aceitam bitcoins como forma de pagamento.

A Tecnisa foi a pioneira na transação em criptomoedas no Brasil, em 2014. Por três anos, contudo, nenhum imóvel foi comprado usando as moedas digitais. “Na época conseguimos ganhar visibilidade, mas não vendemos nenhuma unidade”, conta Romeo Busarello, diretor de marketing da Tecnisa.

O cenário começou a mudar no fim do ano passado. Em 2017, o bitcoin chegou a atingir valorização de 1.751%. Hoje, vale aproximadamente R$ 28 mil.

Um apartamento de cerca de R$ 280 mil, por exemplo, custaria o equivalente a “apenas” 9,82 bitcoins. Foi esse o preço em reais do apartamento mais barato vendido pela Tecnisa em criptomoedas.

“De novembro do ano passado até agora, vendemos 16 apartamentos dessa forma”, diz Busarello. “As pessoas que ganharam dinheiro com a valorização do bitcoin querem dar liquidez ao investimento.”

A construtora Valor Real aceita o bitcoin desde setembro do ano passado. De lá para cá, vendeu seis apartamentos com o uso do dinheiro digital. Nenhum deles foi quitado inteiramente com criptomoedas. Em geral, elas são destinadas à entrada.

Alexandre Lafer, coordenador do grupo de novos empreendedores do Secovi-SP (sindicato do mercado imobiliário), aposta no crescimento do uso da moeda no setor. “Arriscaria a dizer que nos próximos cinco anos teremos um volume bastante expressivo de transações imobiliárias utilizando a tecnologia de blockchain”, afirma.

O blockchain funciona como uma espécie de livro-caixa digital descentralizado e compartilhado entre diversos usuários. Ele é a base da moeda digital bitcoin e proporciona maior segurança e agilidade em transações digitais. “A proposta é digitalizar o ativo. O apartamento ganha uma espécie de escritura digital, um algoritmo inviolável que faz com que ele possa ser transacionado de maneira livre. Isso dará maior abrangência e agilidade ao mercado”, afirma Lafer.

A construtora Katz é outra que aposta no bitcoin, mesmo sem ter feito nenhuma venda desde que passou a aceitar a moeda digital, em dezembro. “Se você puxar pela memória, vai se lembrar que o cartão de crédito era inacessível por aqui há 20 anos”, compara Athos Martins, diretor de incorporação da empresa.

Fernando Ulrich, economista-chefe de criptomoedas da XP Investimentos, faz ressalvas ao uso da moeda digital para compra de imóveis. Ele afirma que o risco de desvalorização pode não compensar. Por isso, o economista recomenda o meio de pagamento apenas para quem já tem os criptoativos e pode fazer a transação diretamente com a construtora.

De fato, as empresas que já aceitam criptomoedas costumam transformá-las de volta em reais rapidamente. “Nosso viés não é especulativo, para nós as criptomoedas são exclusivamente um meio de pagamento”, diz Antonio Lage, presidente-executivo da Valor Real. “Não podemos aceitar qualquer criptomoeda. Você não pode pegar uma que vai ter uma oscilação de 20% em 15 minutos”, afirma o executivo.

Por Rafael Andery

Fonte: Folha de São Paulo,  Economia, 16/09/2018

A tecnologia do futuro a serviço da construção

Robôs em canteiro de obras, impressões 3D e validação de contratos digitais serão algumas novidades daqui para frente

A tecnologia na construção, assim como em diversos setores, só tende a crescer. Segundo Roberto de Souza, presidente do Centro de Tecnologias de Edificações (CTE) – uma empresa de consultoria para o gerenciamento de obras -, o drone ainda é pouco usado na construção civil porque este setor é muito conservador. Além disso, a crise inibiu todos os processos, de maneira geral.

– Hoje, captar imagens por meio de um drone é um foco mais da área comercial. Contudo, começa a ser cada vez mais usado para levantar dados do terreno, acompanhar obras e inspecionar o que já está pronto – afirma.

Um dos exemplos, segundo ele, é que avaliar a topografia de um terreno pelos métodos tradicionais exige em torno de três semanas.

– Com o drone, a tarefa é feita em um dia. Isso sem contar a precisão – acrescenta ele.

Robôs operários -Apesar de abraçar timidamente a tecnologia, o setor está atento à mudanças num futuro nem tão distante. Neste ano, junto a 32 empresas da área, Roberto Souza lançou a Rede Construção Digital. O objetivo do grupo é se reunir, em seminários e encontros, para discutir a aplicação das novas tecnologias digitais na construção civil.
– Surgiu de uma demanda, ao identificarmos que fabricantes, incorporadores e construtoras não estavam acompanhando a revolução digital na indústria brasileira – conta.

Entre as outras tecnologias que já funcionam no Brasil, ele cita o Building Information Modeling, que faz projetos 3D, permitindo modelos mais próximos dos reais; a internet das coisas (IoT), que conecta dados; a realidade virtual, para vender o imóvel ao cliente; e a big data, para armazenar dados.
Já em fase experimental no exterior , ele cita ainda o Blockchain, que é uma espécie de validação de contratos, e a robótica, nos canteiros de obras. Sim, no futuro, parte dos edifícios será construída por robôs.
Tanto Fragozo quanto Roberto ressaltam que o drone, ainda que muito útil, é apenas uma ferramenta.
– O drone coleta informações com mais precisão de agilidade e minimiza riscos. Mas se não houver o engenheiro para interpretar tudo isso, não adianta nada – explica Souza.

 

Fonte: Jornal O Globo

A hora dos sem-garagem

O mercado imobiliário lançou em São Paulo, de 2014 até o mês de junho, ao menos 120 empreendimentos com 11.788 apartamentos sem vagas de garagem. Os números foram apurados pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP) a pedido do Estado. O Plano Diretor Estratégico de São Paulo (PDE) é o indutor desse tipo de imóvel.

Aprovado em agosto de 2014, o objetivo do PDE em vigor é promover o adensamento populacional nos eixos estruturantes da cidade, ou seja, em vias com acesso a estações de metrô, corredores de ônibus e ferrovias, a fim de desestimular o uso do carro. “Essa foi a grande sacada que levou os empreendimentos a terem um número maior de unidades sem vagas”, diz o coordenador do Comitê de Tecnologia e Qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Renato Genioli.

Enquanto na lei de zoneamento anterior havia a exigência de que os empreendimentos residenciais tivessem no mínimo uma vaga de garagem por apartamento, o PDE atual incentiva que cada unidade, independentemente de seu tamanho, tenha uma vaga, no máximo. As vagas extras são permitidas, desde que a incorporadora pague uma taxa extra (chamada de outorga onerosa) para a Prefeitura.

A lei de zoneamento de 2016 detalhou ainda mais a questão, permitindo uma vaga de garagem a cada 60 m² de área construída. A orientação favoreceu os empreendimentos que mesclam unidades com e sem garagem, pois enquanto as unidades maiores podem ganhar mais de uma vaga para carro, os apartamentos menores ficam sem nenhuma. Assim, por exemplo, a incorporadora poderia fazer um apartamento de 100 m² com duas vagas de garagem e uma unidade compacta, de 20 m², sem vaga.

“É uma tentativa de otimizar uma restrição. Esse mix de produto é induzido pelo próprio Plano Diretor”, diz o presidente do conselho consultivo do Secovi-SP, Cláudio Bernardes.

Para o gerente da Mac Construtora e Incorporadora, Ricardo Pajero, os dados de lançamentos de unidades sem garagem refletem uma tendência. “Hoje, as pessoas buscam mobilidade, compartilham as coisas e não se apegam ao carro.”

A analista Marcela Fernandes, de 28 anos, adquiriu um imóvel de 26 m², sem vaga, no empreendimento Loadd, colado ao metrô São Judas. A jovem possui um automóvel, mas pensa em vendê-lo. “Pretendo usar mais o transporte público. Prefiro não ter vaga, assim o IPTU acaba ficando mais barato.”

Para a corretora de imóveis Elisabete Martinez, de 57 anos, que comprou um apartamento no mesmo prédio, o uso do carro está com os dias contados. “Você sai de casa, pega trânsito e ainda é surpreendido por multas. Além disso, há o IPVA, o seguro, o combustível e a manutenção. Por isso, não dirigir é uma tendência”, afirma. Levantamento realizado pela empresa Ipsos, com base em dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), revela que a emissão da carteira de motorista para condutores de 18 anos a 21 anos caiu 20,6% em três anos. Em 2017, foram 939 mil habilitações para essa faixa etária, contra quase 1,2 milhão em 2014.

Além de serem compactos – a área média de um apartamento sem vaga é de 31,5 m² -, essas unidades estão localizadas em zonas de fácil acesso ao transporte, com foco na região central. Todos os 17 distritos que, segundo o Secovi-SP, lançaram imóveis com essa característica nos últimos quatro anos estão totalmente ou parcialmente localizados no centro expandido da capital paulista.

“A localização passa a ser ponto fundamental para a aceitação de um apartamento sem vaga”, diz o diretor comercial da incorporadora You,Inc., Rafael Mentor. Ele afirma que, assim como as estações de metrô, hospitais, centros comerciais e universidades também são chamarizes para este tipo de produto.

Nivia de Souza, 32 anos, é analista de conteúdo e adquiriu um apartamento de 32 m², sem vaga, ao lado da estação BresserMooca. Para ela, a localização foi um fator decisivo na compra. “Meu plano é não ter carro, não só pelo custo que isso me traria, mas também pensando em São Paulo. É um ato político que posso ter diante dos problemas da cidade.”

Custo. As unidades sem vaga são mais baratas, uma vez que o custo de obra é mais baixo e isso, consequentemente, se reflete no valor final. “Com menos área total, o preço de venda é menor”, diz Genioli. De acordo com Bernardes, o custo de uma vaga tende a ter um peso ainda maior entre os compactos. “Digamos que uma vaga custe R$ 50 mil. Em um apartamento de R$ 1 milhão, o custo não é tão expressivo, mas em um imóvel de R$ 200 mil, representa um acréscimo de 25% no valor total.”

Imóveis sem vaga também costumam atrair, além daqueles que farão uso do imóvel, investidores. Quem compra para morar, geralmente, é jovem, mas também há divorciados, idosos que moram sozinhos e executivos de outros locais e que usam o imóvel só durante a semana. “São pessoas práticas, que precisam de mobilidade plena”, afirma Pajero.

Compartilhamento é alternativa para prédios desse tipo

Baseadas no conceito de compartilhamento, incorporadoras e construtoras que possuem empreendimentos em que mesclam unidades com e sem vaga de garagem colocam à disposição do condomínio veículos para uso comum dos moradores.

A Construtora Trisul fornece aos condôminos bicicletas totalmente equipadas, que ficam no bicicletário. “Em todos os empreendimentos, independentemente de ser linha econômica ou alto padrão, nós privilegiamos muito esta área. Há uma bancada de manutenção e espaços de divisão para cada morador guardar a sua bike”, afirma Lucas Araújo, superintendente da empresa.

Item ‘de série’. As bicicletas estão entre os itens de entrega do prédio – como o equipamento da academia, por exemplo – e não possuem custo extra.

Araújo, no entanto, adverte: “Nós as fornecemos como uma opção, mas no momento da assembleia são os moradores que decidem se querem usá-las ou não”.

Nivia de Souza, compradora de uma unidade sem vaga na Mooca, apoia a iniciativa, mas diz que usaria o veículo com cautela. “Andar de bicicleta no trânsito de São Paulo é um pouco perigoso. Eu teria de enfrentar meus medos.” Para Elisabete Martinez, que adquiriu imóvel em empreendimento próximo ao metrô São Judas, a solução é válida, porém apenas para pequenos percursos.

Assim como a Trisul, a Mac Construtora também oferece bicicletas compartilhadas nos empreendimentos que entrega. “Tentamos trazer itens que dão praticidade ao dia a dia”, comenta o gerente comercial da empresa, Ricardo Pajero.

Automóvel. A incorporadora Vitacon dispõe aos moradores outro serviço além das bicicletas: o carro compartilhado.

Funciona da seguinte maneira: o automóvel é de uma empresa parceira terceirizada e fica disponível 24 horas por dia na garagem do prédio. Por intermédio de uma plataforma de agendamento online, o condômino aluga o veículo. O pagamento é por hora de uso e quilômetro rodado.

“Cada vez mais as pessoas preferem usar o compartilhado. Primeiro, porque existe alguém que cuida do carro para eles e não é preciso se preocupar com manutenção. Segundo, pelo custo de investimento em um automóvel”, afirma Alexandre Lafer Frankel, presidente da incorporadora.

“Já estamos prevendo mais carros compartilhados para os próximos empreendimentos”, acrescenta.

Por Jéssica Díez Corrêa

Fonte: O Estado de S. Paulo, Radar Imobiliário, 09/09/2018