Permuta com incorporadoras deve ser uma das novidades do MCMV

Não é novidade que o governo do presidente Jair Bolsonaro quer reformular o programa Minha Casa, Minha Vida. Esta semana foram divulgados mais detalhes pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, em entrevista concedida ao jornal O Estado de São Paulo, mas a proposta final só sairá após conversas com a Caixa, Ministério da Economia, empresários e entidades do setor.

O principal foco da reforma está na faixa 1, para famílias que recebem até R$ 1,8 mil mensais. Essa parcela do programa tem uma série de problemas, desde o percentual de subsídio exigido da União – em torno de 90% do valor da unidade – até a revenda dos imóveis realizada pelas famílias beneficiárias, que optam por receber algum dinheiro mas retornam à situação de vulnerabilidade habitacional.

Para mudar a questão do subsídio, o Ministério do Desenvolvimento Regional vai propor ao governo que sejam doados terrenos e imóveis públicos – de municípios, estados e União – para incorporadoras que atuam no programa; em troca, as empresas se comprometem a construir empreendimentos para a faixa 1.

A lógica será a mesma para a administração dos conjuntos habitacionais: empresas da iniciativa privada assumem a responsabilidade da gestão pelo prazo de 20 ou 30 anos em troca do recebimento de terrenos públicos, afirmou Canuto. O objetivo é levar mais segurança aos condomínios e evitar criminalidade ou conflitos sociais.

De acordo com o ministro, projetos para a faixa 1 só irão se concretizar após assinatura dos contratos de construção e administração com empresas do setor privado. Canuto admite que a quantidade de empreendimentos deve reduzir, porém será possível intensificar a atuação do programa em regiões menos beneficiadas, como Norte e Nordeste, pondera.

Famílias da faixa 1 não terão mais a posse do imóvel

A outra mudança importante é que as famílias da faixa 1 não terão mais a posse do imóvel; as unidades pertencerão ao governo, que definirá um valor de aluguel compatível com a realidade financeira da família beneficiada. O mecanismo serve para evitar a revenda dos imóveis.

De acordo com o ministro, os beneficiários terão de frequentar programas de profissionalização oferecidos pelo governo. A ideia é que as famílias consigam deixar o aluguel social e adquirir unidades destinadas às faixas 1.5 ou 2. É possível que a reformulação do Minha Casa, Minha Vida – que deve ter outro nome – estipule um prazo máximo no qual a família pode morar no imóvel alugado.

A exceção é para famílias que venham a ser removidas de área de risco, que sejam vítimas de calamidade ou que precisem deixar o imóvel devido a obras do governo. Nestes casos, a aquisição da posse da unidade será permitida, mesmo que os beneficiários estejam inseridos na faixa 1 do programa.

Mais rigor na faixa 1.5

O Ministério do Desenvolvimento Regional quer endurecer as regras de contratação de unidades da faixa 1.5. O objetivo é reduzir a inadimplência e a tomada da propriedade pelo banco operador do financiamento – geralmente a Caixa. Para isso, estuda-se instituir uma renda mínima que será obrigatória para obter crédito (atualmente, apenas a renda máxima – de R$ 2,6 mil – é considerada).

As faixas 2 e 3 – até R$ 4 mil e até R$ 9 mil de renda mensal, respectivamente – não devem sofrer alterações, afirmou o ministro durante a entrevista.

Fonte Estadão

Lições que vêm da China – O que podemos aprender com o mercado mais dinâmico do mundo

Não existem mais empresas que não sentem a necessidade de inovar e reinventar seus negócios, realidade essa imposta pela revolução digital e pela transformação do mundo em ritmo nunca antes visto na nossa história.
Na busca pela reinvenção, cada empresa tem tentado diferentes estratégias, mas a melhor forma de aprender é com quem está fazendo. Nesse caso, o estado da arte hoje são as empresas chinesas e os seus denominados Ecossistemas de Negócio.
 
Porque a transformação vem da China
O epicentro dessa transformação vem das empresas chinesas por pura e simples demanda do mercado. O excelente livro “The 1 Hour China”, dos escritores Jeffrey Towson e Jonathan Woetzel, mostra de forma competente e pragmática como o mercado nesse país se transformou (e se transforma) em um ritmo que é até mesmo difícil de compreender na sua totalidade. Tal ambiente impõe às empresas uma necessidade de transformação que é fator primordial para sua sobrevivência.
 
As seis megatendências
O livro descreve seis megatendências que levaram o país ao atual ritmo de transformação.
1 – Urbanização: o mundo nunca assistiu a tamanha mudança sócio-demográfica como ocorreu e ocorre na China. Nos últimos 30 anos, 300 milhões de chineses saíram dos campos para as cidades e o mais incrível é que ainda faltam outros 350 milhões de chineses para fazer esse mesmo movimento nos próximos anos. Essa migração implica em uma mudança de absolutamente tudo: estrutura das cidades, dinâmicas de consumo, infraestrutura, impactos ambientais, impactos econômicos, etc.
2 – Escala de manufatura: tudo na China tem escala colossal e isso faz parte do modelo de negócio desenhado pelas empresas chinesas, onde as empresas buscam a todo custo ter uma escala tão superior aos seus concorrentes que se torna muito difícil (ou quase impossível) competir com elas. Esse modelo pressupõe que as companhias precisam crescer e crescer muito rápido. A empresa que alcançar a maior escala irá engolir seus competidores e dominar o mercado. Assim, crescer se tornou obsessão para a grande maioria das companhias chinesas.
 
3 – Consumidores emergentes: eu comentei que tudo na China tem escala colossal? Pois bem, nos últimos 30 anos 300 milhões de chineses saíram da pobreza e entraram para a classe média. Estima-se que nos próximos anos outros 200 milhões irão fazer o mesmo. Isso significa que a população da região da Ásia-Pacífico que, em 2009, representava 18% da classe média do mundo, passará a representar 60% dela até 2030. O crescimento global vem e virá dessa região nos próximos anos. Para efeitos de comparação, na década de ouro brasileira (de 2003 a 2013), nós tivemos 30 milhões de brasileiros entrando na classe média. Você consegue imaginar a escala e poder que as empresas dessa região terão na economia mundial?
4 – Poder do capital: o sistema financeiro na China impressiona pelo seu alto volume, eficiência, sofisticação e alta complexidade. Toda a escala abordada nas megatendências anteriores faz com o que o governo chinês e as empresas chinesas tenham a seu dispor muito capital, dinheiro esse que é utilizado para reinvestimento, aquisições e aceleração do crescimento.
5 – Poder do conhecimento: nos últimos 10 anos o governo chinês passou a investir pesado em educação. Nesse curto espaço de tempo de uma década construiu o maior sistema de ensino superior do mundo e que forma 7,5 milhões de chineses por ano.  O Brasil, por sua vez, tem apenas aproximadamente 25 milhões de formados no ensino superior.  Isso significa escala de poder intelectual. A China tem a seu dispor um exército de cérebros altamente capacitados e por baixíssimo custo.
6 – Internet chinesa: existem aproximadamente 800 milhões de chineses online, dos quais cerca de 500 milhões só passaram a acessar a internet há menos de oito anos. Era uma população rural, que há menos de dez anos não tinha acesso a nada e que passou a ter acesso a um mundo de informações, oportunidades e infinitas possibilidades através da internet. Esse movimento gera uma profunda e contínua mudança no comportamento dos chineses.
Além dessas seis megatendências, outro fator que é tão forte quanto – e talvez seja o mais forte de todos – são as intervenções do governo chinês, que tem total autonomia para mudar leis, incentivos e investimentos ao seu bem entender. Essa constante incerteza é o estado “normal” do mercado, o empreendedor chinês sabe que a regra do jogo irá mudar e que isso pode arruinar seus negócios do dia para a noite caso ele não se adapte rapidamente.
Acredito que já ficou claro os motivos pelo quais os grandes movimentos transformadores do mundo estão vindo da China. O contexto de mercado naquela economia obriga as empresas chinesas a pensar diferente. Ou se adapta, inova, diversifica e expande ou morre.
É nesse contexto que nasce uma nova forma de organização das empresas, uma nova dinâmica empresarial batizada de Ecossistemas de Negócio. É uma nova mutação de estrutura organizacional, desenhada e pensada com foco para a inovação, rapidez, adaptabilidade, sinergia, expansão e escala.

Fonte: Mercado & Consumo

Estoque encalhado de escritórios deve impedir queda da vacância em SP

O mercado de escritórios de alto padrão de São Paulo deverá seguir em leve recuperação, mas a taxa de vacância pouco deverá se alterar, segundo imobiliárias. A porcentagem de espaço vazios caiu para 24% em dezembro de 2017 após atingir 29% no ano anterior, segundo a Cushman & Wakefield. “Dos 192 mil m² de absorção líquida (diferença entre a área contratada e  devolvida nos imóveis, cerca de 60 mil m² estavam previstos para 2016.Houve um  adiantamento”, diz Gustavo Garcia, gerente da empresa. O índice de espaços vagos deverá se manter praticamente estável nos próximos 12 meses devido ao aumento do estoque, diz ele. “A projeção é de aproximadamente 150 mil m² novos em 2018.” A JLL estima que a vacância ao final do ano passado estava em 24,9%. A previsão é que 300 mil m² sejam entregues, mas, assim como em 2017, uma parte disso poderá ser adiada, diz Simone Shoji, coordenadora de pesquisa da companhia. “Há prédios prontos há mais de um ano, mas sem interessados. Muitos proprietários não pedem o Habite-se para evitar prejuízos.” (Folha de S.Paulo, 18/01/18)

Moradia compartilhada cresce no país, com promessa de estilo de vida mais econômico e prático

A empresária Claudia Gambaroni, 40, morava sozinha em um apartamento alugado distante do centro de São Paulo. Há um mês, ela se mudou para um prédio na Vila Olímpia e divide seu dia a dia com 332 pessoas. Ela mora no Kasa 99, primeiro prédio dedicado exclusivamente à moradia compartilhada do Brasil. 

Claudia aluga um quarto privativo single de 23 metros quadrados com banheiro e uma cozinha pequena. Lavandeira, cozinha completa, salão de jogos e espaço para reuniões são compartilhados com os demais moradores. 

A mudança, garante ela, valeu a pena: “Tenho mais praticidade porque estou no coração de São Paulo e tenho tudo que preciso no próprio condomínio, principalmente um espaço para realizar reuniões de trabalho.”

A empresária afirma já ter morado em um imóvel compartilhado em Barcelona, na Espanha. Por este motivo, ela garante que a adaptação no Kaza 99 está sendo fácil. “Estou vivendo a fase do desapego. Não preciso mais ter a minha máquina de lavar, nem os meus utensílios de cozinha. Descobri que não preciso de tantas coisas para viver bem”, afirma.

Claudia aderiu a uma tendência comum no exterior — especialmente em Nova York (EUA) — que está chegando ao Brasil: o coliving

Com o crescimento da economia compartilhada, os brasileiros enxergaram neste modelo uma forma para cortar custos, ter companhia e morar mais próximo do trabalho e do centro da cidade.

 Claudia Gambaroni participa de reuniões de trabalho em espaço compartilhado de seu próprio condomínio (Foto: Divulgação)

CLAUDIA GAMBARONI PARTICIPA DE REUNIÕES DE TRABALHO EM ESPAÇO COMPARTILHADO DE SEU PRÓPRIO CONDOMÍNIO (FOTO: DIVULGAÇÃO/SPARTACUS BRECHES)

De acordo com Renato Marostega, gerente-geral do Kaza 99, o condomínio foi lançado há 10 meses para receber os universitários da região. Hoje, contudo, esse público representa apenas 30% dos moradores.

“Recebemos muitos profissionais e estrangeiros, em torno de 30 anos, que trabalham nos arredores da Vila Olímpia ou que estão realizando projetos temporários em São Paulo”, afirma.

Com 243 apartamentos, o condomínio tem aluguel a partir de R$ 2.600.

Resistência
Apesar de estar em alta, o imóvel compartilhado ainda sofre resistência pela baixa divulgação do modelo e perda de privacidade dos moradores, avalia Deborah Seabra, economista do Grupo Zap. 

Levantamento exclusivo realizado pela holding aponta que 30% dos brasileiros que buscam imóveis para locação aceitariam morar em uma residência compartilhada.

Proprietários de imóveis, por sua vez, são mais resistentes: apenas 8% aceitariam compartilhar suas casas com outras pessoas.

Entre as justificativas para quem aceita o coliving estão “dividir as despesas” e “aumentar a renda”. Já aqueles que rejeitam o modelo destacam  a “falta de privacidade” (35%), preferência por “morar sozinho” ou “só com a família” (18%) e “insegurança de morar com estranhos” (12%).

Dormitório de prédio para coliving na Vila Olímpia, em São Paulo (Foto: Divulgação)

DORMITÓRIO DE PRÉDIO PARA COLIVING NA VILA OLÍMPIA, EM SÃO PAULO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

A psicóloga Renata Franco, de 30 anos, transformou a casa em que mora — de propriedade de sua mãe — em um grande espaço de coliving. O imóvel, localizado no Ipiranga, na zona sul de São Paulo, possui cinco dormitórios para inquilinos, todos com ar-condicionado e frigobar. 

A própria Renata é a responsável por cobrar os aluguéis e gerenciar o cumprimento das regras, como gestão do lixo, horário para recebimento de visitas e limite de barulho. Isso porque, para criar uma relação mais próxima com os moradores, ela não faz intermediação com imobiliária e não cobra depósito caução. 

“Avalio o tipo de pessoa que coloco dentro da minha casa, porque muita gente extrapola o benefício. Recebi meninas que ligaram a máquina de lavar às 3h da madrugada”, diz a proprietária, que afirma não receber casais e homens em sua casa.

Novo estilo de vida
De acordo com Deborah, do Grupo Zap, o coliving tende a crescer no Brasil porque não está associado à crise do país, mas sim ao novo estilo de vida de alguns brasileiros. “Há moradias compartilhadas que compensam mais do que apartamentos pequenos no centro de São Paulo”, diz.

Mas antes de fechar contrato, alerta, é necessário pesquisar a localização e conversar com o inquilino. “O locatário precisa avaliar se o imóvel está no centro da cidade e se tem fácil acesso a transporte público”.

Fonte: Época Negócios