Lei Federal autoriza “condomínios de lotes” e “loteamentos fechados”

A Lei Federal nº 13.465, publicada nesta terça-feira, 11 de julho de 2017, trouxe grandes novidades na seara do direito imobiliário. As principais novidades dizem respeito às regras para regularização fundiária e as alterações na legislação de alienação fiduciária; porém, duas importantes novidades dizem respeito à disciplina dos condomínios e loteamentos.

Condomínios de lotes:

A disciplina dos “condomínios horizontais” sempre envolveu certa insegurança jurídica, por falta de clareza na legislação urbanística federal. Alguns municípios, como é o caso de Curitiba, consideravam inadmissíveis empreendimentos consistentes em “condomínios de lotes”, ou seja, empreendimentos com a venda de terrenos para que cada comprador aprovasse o projeto e construísse a sua casa. Assim, era necessário que o empreendedor aprovasse um condomínio com projetos básicos de casas, vendendo o terreno para que o comprador, caso desejasse, promovesse a alteração do projeto.

A nova lei introduziu o art. 1.358-A ao Código Civil de 2002, prevendo expressamente a possibilidade de empreendimentos de “condomínios de lotes”. Ou seja, o empreendedor poderá aprovar um projeto de incorporação imobiliária composto apenas por lotes de terrenos, ficando a cargo do comprador aprovar e construir sua casa ou sobrado da forma como melhor entender.

Loteamento fechado:

Outro tema bastante polêmico foi enfrentado pela lei, relativo aos loteamentos fechados – ou seja, empreendimentos de parcelamento do solo cujas ruas passavam a ter o acesso bloqueado para não-moradores, o que gerou muitas reclamações e discussões judiciais, já que, diversamente do que o corre nos condomínios, nos loteamentos as vias de circulação são de propriedade do Poder Público.

A lei publicada nesta terça inseriu um parágrafo no art. 2º da Lei nº 6.776/79, prevendo expressamente o “loteamento de acesso controlado”, modalidade específica a ser regulamentada por cada município. Assim, o controle de acesso passa a ser permitido, mas o acesso a não-moradores não pode ser impedido, desde que estes sejam devidamente cadastrados e identificados.

Fonte: Ricardo Campelo Advogados

Vendas de imóveis sobem 40% em julho, mostram Fipe e Abrainc

No acumulado do ano, as vendas líquidas somaram 37.571 unidades, aumento de 20,3% frente o mesmo período do ano passado

São Paulo – O mercado imobiliário mostrou expansão nas vendas e nos lançamentos em julho, bem como recuo dos distratos, de acordo com pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em parceria com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e divulgada nesta segunda-feira, 18.

A pesquisa mostra que, em julho, as vendas líquidas (já descontados os distratos) totalizaram 5.130 unidades, crescimento de 40% em relação ao mesmo mês do ano passado. Os distratos foram de 2.821 unidades, retração de 35%. Os lançamentos totalizaram 6.628 unidades, um salto de 182%.

Com os dados positivos de julho, o mercado imobiliário mantém a trajetória de recuperação das operações. No acumulado do ano, as vendas líquidas somaram 37.571 unidades, aumento de 20,3% frente o mesmo período do ano passado.

No acumulado do ano, os distratos atingiram 20.643 unidades, queda de 22,3%, e os lançamentos alcançaram 30.530 unidades, recuo de 3,5%.

No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em junho, as vendas líquidas foram de 63.749 unidades, alta de 11,6%. Os distratos totalizaram 39.790 unidades, baixa de 15,4%, e os lançamentos alcançaram 37.158 unidades, alta de 9,4%.

Os dados da pesquisa abrangem imóveis novos, dos setores residencial, comercial e loteamentos de 20 empresas associadas à Abrainc, com atuação em diversos estados e concentração na região Sudeste.

Mercado imobiliário de SP esquenta e sobe em ranking mundial

São Paulo – O mercado imobiliário da cidade de São Paulo já não está mais entre os mais frios do planeta, de acordo com dados do Global Property Guide divulgados nesta terça-feira (26).

Os preços de moradia na cidade ajustados pela inflação tiveram um ligeiro aumento de 0,5% no 2º trimestre de 2017 em relação ao trimestre anterior.

Foi a primeira alta nesta medida após 9 trimestres consecutivos de queda, algo que pode ser atribuído a uma “melhora gradual das condições econômicas”, segundo o GPG.

Na comparação com o mesmo período de 2016, ainda há queda (-2,15%), mas em um ritmo bem menos intenso do que os 7,59% observados no mesmo ponto do ano passado.

Isso foi suficiente para levar São Paulo da 7ª para a 11ª posição entre os 43 mercados mais frios do ranking.

Na conta nominal, sem ajuste pela inflação, a cidade já registra alta de preços: 0,27% na conta trimestral e 0,78% na conta anual.

Fonte EXAME: Por João Pedro Caleiro

Governo define o que é “imóvel novo” para compra com o FGTS

Imóveis com habite-se de até 180 dias ou que já estejam na carteira de venda das incorporadoras são considerados “imóveis novos”.

 

O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu definir claramente o que é “imóvel novo”, para ser usado no financiamento habitacional no âmbito do Sistema Financeiro Habitacional (SFH). Segundo a resolução, se enquadram nesse perfil imóveis com habite-se de até 180 dias ou que já estejam na carteira de venda das incorporadoras.

O governo elevou no início do ano o limite de valor de imóveis que podem ser comprados com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), pelas essas condições do financiamento do SFH. Essas condições são apenas para imóveis residenciais novos. O governo detectou, porém, que havia dúvidas no mercado sobre a definição do que é imóvel novo, aplicável para esse tipo de financiamento.

— A resolução tem como utilidade importante, nesse momento, já que o CMN disse que o novo teto para financiamento só valeria para imóveis novos. Nós percebemos que era necessário fazer essa definição — disse a chefe do departamento de regulação do Banco Central, Silvia Marques.

A ampliação do teto para financiamento usando o FGTS valerá para operações contratadas até 31 de dezembro de 2017 e ajudará a acabar com os estoques dos imóveis com valores mais elevados. Em dezembro, o Conselho Monetário Nacional voltará a se reunir e decidirá se o teto será mantido ou alterado, segundo as condições do mercado.

As vendas enquadradas nas regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) possuem juros mais baixos. O limite atual é de 12% ao ano.

O CMN também voltou atrás em uma medida estabelecida no ano passado. O conselho revogou resolução que impedia as instituições financeiras de pactuar qualquer estrutura de amortização que tornasse possível o aumento do saldo devedor dos financiamentos habitacionais no curso dos contratados.

Pelas novas regras, caso ocorra aumento do saldo devedor dos financiamentos, de tal forma que a dívida supere 80% do valor de avaliação da garantia apurado na data da contratação da operação, as exposições passam a estar sujeitas a requerimento de capital mais elevado.


Publicado originalmente pelo O Globo em 26 de junho de 2017.

Mercado imobiliário ainda segue tímido, mas o pior parece que já passou

O portal e aplicativo imobiliário Properati e o Hiperdados software de gestão para incorporadoras, construtoras, imobiliárias e fundos imobiliários acabam de fechar o relatório mensal de agosto de 2017. O levantamento é feito em cima da base de mais de 1,3 milhão de imóveis anunciados no portal.

Segundo o medidor de preços Índice Properati-Hiperdados (IPH), o preço médio do metro quadrado dos imóveis à venda no Brasil apresentou queda de 0,26% entre os meses de julho e agosto de 2017. Embora continue caindo, o valor representa a menor queda do índice nos últimos meses. Entre junho e julho, o IPH havia registrado redução de 1,37%. E no levantamento anterior, referente à variação entre os meses de maio e junho, o IPH foi de menos 1,07%.

A diminuição da intensidade da queda pode ser um indício de recuperação do mercado imobiliário. Enquanto no IPH de agosto o acumulado dos últimos doze meses era de menos 3,44%, o IPH de setembro traz um acumulado de menos 2,83%. Além disso, conforme a recente pesquisa feita pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), no segundo trimestre de 2017, o número de imóveis lançados cresceu 59,8% e as vendas aumentaram 17,5%, em relação ao primeiro trimestre do ano.

Em São Paulo, o preço dos imóveis, mais uma vez, caiu, mas o ritmo de queda está menor. Em maio, a média do metro quadrado era de R$ 8.221. Em junho, o valor foi para R$ 8.190 e, em julho, chegou a R$ 8.066. No levantamento dos preços de agosto, o preço também caiu, mas apenas para R$ 8.059, o que representa uma desvalorização de apenas 0,09% em comparação com julho. Desde agosto de 2016, os preços da capital paulista tiveram uma desvalorização de menos 2.75%.

A capital paulista continua abaixo da cidade de Balneário Camboriú (SC), que está com preço médio do metro quadrado de R$ 8.681. Nos últimos 12 meses, os imóveis da cidade catarinense valorizaram 7,49%.

Depois de dois meses em alta, a cidade do Rio de Janeiro voltou a registrar queda no valor médio do m² dos imóveis. Em maio, o preço médio era de R$ 8.843. Em junho, ele subiu para R$ 9.008 e depois, em julho, chegou a R$ 9.224. Mas, em agosto, o preço caiu para R$ 9.215. Assim como São Paulo, a desvalorização em relação a julho é baixa, de apenas 0,09%. E no acumulado dos últimos doze meses, a capital carioca continua em alta, com saldo positivo de 7,51%.

O Índice Properati-Hiperdados (IPH) é calculado com base nos imóveis à venda em 50 cidades brasileiras e que estão cadastrados no portal imobiliário Properati.

Das 50 cidades avaliadas, o valor do m² de 32 delas apresentaram queda nos últimos doze meses, quando consideramos a inflação do período. A cidade que sofreu maior desvalorização foi Cabo Frio (RJ), com menos 16,47%. Na outra ponta, a maior valorização foi encontrada em Belém (PA), com 7,57%.

Por Dino

Fonte: Exame.com, Comunicação Corporativa, 12/09/2017

Caixa esclarece dúvidas sobre o Produlote

Agente financeiro detalha um pouco mais o programa de financiamento à produção de lotes urbanizados

Para que as empresas tomadoras de crédito fiquem por dentro do programa, a Caixa elaborou o FAQ (perguntas mais frequentes) a seguir. Leia e esclareça dúvidas.

Para qual finalidade foi criada a linha de crédito Produlote?

A linha de crédito foi criada para as empresas loteadoras e de desenvolvimento urbano. O objetivo da linha é apoiar as empresas na produção de lotes urbanizados.

Qual o impacto da criação da linha de crédito na economia?

O impacto é o incremento na geração de emprego e renda, pelo aumento de crédito ao mercado. Outro ponto positivo é possibilitar o atendimento à demanda do mercado, que é de 215 mil lotes por ano. Outro impacto importante é na redução do custo de produção de lotes. Atualmente, as empresas loteadoras e de desenvolvimento urbano se financiam por meio de private equity, recursos próprios, securitizações e FIDC (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios).

Quais as condições para as empresas participarem do Produtole?

Para a empresa participar do Produlote ela tem de atender as seguintes condições: ser urbanizadora ou loteadora, com faturamento superior a R$ 15 milhões; possuir experiência com a execução de loteamento; estar com situação cadastral regular e ter condição econômico-financeira para tomar crédito.

Qual fonte de recursos será utilizada para a linha de crédito?

Os recursos são do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo).

Como será realizada a distribuição dos recursos por Estado?

Os recursos serão distribuídos mediante a demanda. Não haverá distribuição de recursos por Estado.

O foco do produto é o lote popular residencial ou os lotes de alta renda?

O Produlote não prevê direcionamento por tipo de lote ou faixa de renda.

Qual infraestrutura será oferecida nos empreendimentos?

A infraestrutura a ser oferecida no terreno deve atender às exigências legais. Na linha de financiamento do Produlote pode ser financiada a infraestrutura exigida pelo Poder Público; e as diretrizes emitidas pelas concessionárias – incidente e não incidente, como por exemplo: Limpeza do terreno; Terraplenagem; Arruamento; Pavimentação; Drenagem; Redes de água; Coletora de esgoto; Estação de tratamento; Rede de distribuição elétrica; Iluminação pública.

A Caixa vai estimar o valor e a metragem dos lotes?

O valor do lote urbanizado é dado pelo mercado e a metragem é definida pelas diretrizes urbanísticas de cada município. Portanto, a Caixa não faz a gestão dessas variáveis. O que a Caixa faz é a avaliação dos lotes para constatar a aderência do valor de venda com o valor de mercado e se a metragem atende à legislação.

Quantos adquirentes devem ser beneficiados por essa linha de crédito?

Considerando que o Plano de Negócios das Loteadoras e Urbanizados é de lançarem 215 mil lotes por ano, essa pode ser a quantidade de pessoas físicas potencialmente beneficiadas, a depender da velocidade de venda.

A Caixa possui linhas específicas para financiamentos de lotes?

Sim. A Caixa têm linhas de financiamento destinadas aos adquirentes (pessoa física) para aquisição de lote; construção em lote próprio do cliente; e aquisição de lote e construção.

A Caixa vai oferecer aos clientes linhas de crédito para construção no terreno?

Sim. Ao final das obras do loteamento, os clientes poderão obter financiamento na Caixa para aquisição de lote, construção em lote já adquirido, e aquisição de lote e construção.

Os lotes são apenas para habitação ou poderão ter a finalidade de instalação de comércios?

Os loteamentos poderão ter comércios. Contudo, o financiamento se limitará à parte residencial.

Quais as condições para os clientes adquirirem um lote?

A taxa de juros para o cliente adquirir lote é 12,25% a.a., valor mínimo de financiamento é R$ 100 mil, e o valor máximo é de R$ 1 milhão. A cota de financiamento é de até 50% do valor do lote.

Publicado originalmente no Secovi-SP em 09 de agosto de 2017.

Bancos reduzem juros do crédito imobiliário e acirram concorrência com a Caixa

Taxas cobradas pela Caixa deixaram de ser as mais baixas do mercado. Com a queda da Selic, juro médio do financiamento da casa própria caiu para abaixo de 10%.

Com os sucessivos cortes na taxa básica de juros (Selic), o juro para o crédito imobiliário nas linhas mais procuradas está em queda no país. Em muitos bancos, as taxas anuais já recuaram para o patamar de um dígito. Segundo dados do Banco Central, a taxa média para financiamento da casa própria para pessoas físicas caiu 2 pontos percentuais em 1 ano, passando de 11,2% em junho de 2016 para 9,2% em junho deste ano. E, segundo analistas ouvidos pelo G1, a tendência continua de queda.

JURO

Depois do último corte promovido pelo Banco Central no juro básico da economia, atualmente em 9,25% ao ano, Bradesco, Banco do Brasil e Itaú anunciaram reduções nas suas linhas para financiamento da casa própria. O Santander anunciou no começo de julho a diminuição das suas taxas.
Com o movimento, as taxas cobradas pela Caixa Econômica Federal – líder no segmento, com participação de mercado de quase 70% – deixaram de ser as mais baixas do mercado nas linhas com recursos da poupança.
Procurada pelo G1, a Caixa não comentou se estuda uma redução dos juros do crédito imobiliário. Em entrevista à Reuters no começo do mês, o vice-presidente de habitação da Caixa, Nelson Antonio de Souza, descartou repassar neste momento o corte da Selic para as taxas de juros em novos contratos de financiamento imobiliário.
Na quarta-feira (16), a Caixa Econômica Federal anunciou somente a redução do percentual que poderá ser financiado nas linhas para a compra de imóveis novos, de 90% para 80% do valor do imóvel, o que representa, na prática, uma maior restrição para empréstimos, sobretudo para aqueles consumidores com pouca capacidade de poupança.
Veja abaixo as taxas mínimas anunciadas pelos principais bancos para clientes nos empréstimos pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) e pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), com recursos da poupança, e na linha pró-cotista do FGTS:

BANCOS

As taxas de juros variam conforme os diferentes tipos de financiamentos imobiliários. Aqueles realizados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e pela linha pró-cotista costumam ter as taxas mais baixas, já que são regulados pelo governo e utilizam recursos da caderneta de poupança e do FGTS. O nível e tempo de relacionamento com o banco, valor do imóvel, bem como o perfil e renda do consumidor também costumam influenciar diretamente os juros cobrados.

No Banco do Brasil, linha pró-cotista ainda não esgotou

Subsidiada com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a linha pró-cotista é hoje a que cobra os menores juros para quem não se enquadra nas regras do programa Minha Casa Minha Vida. Mas desde julho a linha está esgotada na Caixa e a previsão é que seja retomada apenas em 2018,
Além da Caixa, o Banco do Brasil é o único que oferece a pró-cotista. E lá a linha continua disponível, com taxa de 9% ao ano + TR, inclusive para não clientes. “Pra que não tem relacionamento com o banco, a linha também está disponível, mas a pessoa vai ter que passar pelo processo de abertura de conta e aprovação de análise de crédito”, afirma o diretor da área de crédito imobiliário do BB, Edson Cardozo, sem revelar o montante ainda disponível.

Para o exercício de 2017, o governo disponibilizou R$ 7,54 bilhões para a linha pró-cotista, sendo R$ 6,1 bilhões o orçamento previsto para a Caixa. Procurado pelo G1, o Ministério das Cidades informou que a proposta orçamentária para 2018 somente será apreciada em outubro pelo Conselho Curador do FGTS.

Aumento da disputa

O Banco do Brasil começou a atuar no segmento de crédito imobiliário em 2009 e ocupa atualmente o posto de segundo banco que mais financia imóveis no país, com participação de cerca de 9%. A carteira de crédito imobiliário do BB cresceu R$ 3 bilhões ou 8% em 1 ano, totalizando em junho R$ 43 bilhões (soma das liberações menos as liquidações).
Embora afirme que a estratégia do BB para o segmento não está baseada em participação de mercado, o banco tem procurado aumentar o tamanho da sua carteira de crédito imobiliário e, segundo Cardozo, a continuidade da trajetória de queda da Selic tende a aumentar a disputa entre os bancos.
“Com a queda da taxa Selic, com certeza vai aumentar o apetite do mercado para o financiamento imobiliário, que tende a liderar o crescimento do crédito da pessoa física no país”, afirma o diretor do BB.
Para Luiz Eduardo Veloso, diretor executivo do Itaú Unibanco, a redução dos juros contribui para estimular a procura por crédito imobiliário e, consequentemente, para uma recuperação do setor. “A expectativa é de um movimento melhor neste segundo semestre devido à redução de taxas, mas ainda muito discreto”, diz. “Enxergamos uma recuperação mais significativa no segundo semestre de 2018, em linha com as perspectivas de geração de empregos e volta de confiança do brasileiro”, completa.

QUEDA

Crédito em queda e demanda ainda fraca

Este é o terceiro ano seguido de queda no volume de crédito concedido para compra e construção de imóveis. O crédito com recursos da poupança para compra e construção de imóveis somou R$ 20,6 bilhões de janeiro a junho, queda de 9,1% em relação ao mesmo período de 2016, segundo a Abecip.
Mantida a previsão atual de queda de 3,5% no ano, os bancos devem conceder R$ 45 bilhões em 2017, o que seria o pior nível desde os R$ 40 bilhões apurados em 2008. Em 2014, último ano de alta, os financiamentos somaram R$ 112,9 bilhões.
Pelo 2º ano consecutivo, os financiamentos com recursos do FGTS têm superado os das linhas com recursos da poupança, totalizando R$ 31 bilhões no 1º semestre, mesmo montante registrado nos primeiros 6 meses do ano passado.

Nas linhas de crédito imobiliário com recursos da poupança, a Caixa fechou o semestre com participação de 43%, fatia superior a registrada no consolidado de 2016 (38%), seguida por Bradesco, Itaú, Santander e Bando do Brasil.
Entre os fatores que também podem contribuir para aumentar o crédito imobiliário nos próximos meses estão a melhora dos indicadores de emprego e de confiança de empresários e consumidores, e também a tendência de reversão do movimento de fuga de recursos da caderneta de poupança, que financiam boa parte das linhas oferecidas pelos bancos.
Em julho, os depósitos superaram os saques na caderneta de poupança em R$ 2,33 bilhões, no terceiro mês seguido em que a modalidade registrou entrada líquida de recursos. No acumulado em 7 meses, entretanto, ainda houve saída líquida de R$ 9,95 bilhões da poupança.
Pelas regras atuais, os bancos são obrigados a destinar 65% do total de recursos dos depósitos de poupança para o crédito imobiliário.

BANCOS 2

Momento é bom para comprar?

O presidente da Fenaci (Federação Nacional dos Corretores de Imóveis), Joaquim Ribeiro, avalia que a perspectiva de reduções consecutivas da Selic abre espaço para que os bancos façam novas reduções nas taxas do crédito imobiliário. A média dos analistas de mercado espera uma taxa básica de 7,5% ao ano para o fechamento de 2017.

“Em financiamentos de longo prazo, uma queda de 1 ponto percentual já é muito significativa, mas eu acredito que os juros devem cair mais ainda e que os bancos irão acompanhar a Selic”, afirma.
Para o presidente da Abecip, Gilberto de Abreu Filho, a demanda por crédito imobiliário já dá sinais de reação e a tendência é que os juros acompanhem a taxa básica de juros. “A perspectiva de queda da Selic é uma unanimidade no mercado. Então, na medida em que o custo do dinheiro cai, o banco tem a possibilidade de repassar isso para o consumidor”, afirma.

Para o diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, quem tiver um pouco mais paciência e “sangue frio” pode conseguir taxas mais baixas até o final do ano. “Como a tendência é de queda de juros, eu diria espere um pouco, para ter uma noção melhor de mercado e conseguir uma redução que vai influenciar todo o financiamento pelo frente”, diz o analista, lembrando que a taxa contratada é válida para todos os anos de vigência do contrato.
O presidente da Fenaci alerta, entretanto, que com um aumento da procura por imóveis e da atratividade desse tipo de investimento, os preços tendem a voltar a subir.

“Quem tem dinheiro e pode assumir um financiamento, o melhor momento é comprar agora por conta dos preços convidativos e do número ainda alto de ofertas. Quem dita o mercado ainda é a velha lei da oferta e procura”, resume.
O preço médio de venda de imóveis residenciais recuou 0,15% em julho ante junho, na quinta retração mensal consecutiva, acumulando baixa de 0,38% em 2017, segundo pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o portal Zap. Somente no ano passado, os preços tiveram queda real (descontada a inflação) de mais de 5%.

Fonte: G1

Especialista antecipa como cidades brasileiras podem ser mais inteligentes

No Estados Unidos, estima-se que soluções em cidades inteligentes aplicadas ao tráfego e à energia elétrica podem gerar economia da ordem de US$ 160 bilhões, segundo estudo da Accenture publicado neste ano. Para que isso aconteça, é necessário aumentar a velocidade e a capacidade da rede de internet sem fio, migrando do 4G para o 5G. Espera-se que as operadoras de telecomunicações invistam US$ 275 bilhões em infraestrutura ao longo de sete anos, gerando, assim, três milhões de empregos e aumentando o Produto Interno Bruto (PIB) em US$ 500 milhões.

Uma parte desses investimentos, US$ 93 bilhões, deve ser direcionada à construção da rede, com o restante alocado em equipamentos, engenharia e planejamento. Essa mudança exige de dez a 100 antenas implantadas a mais, quando comparamos às tecnologias 4G e 3G. Em troca, elas garantem muito mais rapidez, condição fundamental para que as novas cidades possam se tornar realidade.

Quando tudo isso estiver pronto, poderemos contar, por exemplo, com redes elétricas inteligentes, capazes de mensurar picos de utilização e distribuir a energia de acordo com eles, ajudando a reduzir o custo. Ou com carros que se comunicam entre si, avisando sobre perigos à frente e aumentando o tempo de reação a acidentes. Usando a mesma ideia, carros também poderão andar em comboio, o que ajuda a economizar combustível e reduzir o congestionamento.

Será possível ainda otimizar o estacionamento em vias públicas, com informações em tempo real sobre as vagas disponíveis. Tudo isso graças a sensores 5G instalados em lâmpadas nas ruas. A cidade americana de São Francisco já tem condições de saber onde uma arma de fogo foi disparada, por causa de sensores conectados à internet. O mecanismo informa as autoridades sobre ocorrências em tempo real e tem ajudado a reduzir crimes praticados com armas de fogo em 50%.

E no Brasil?

Infelizmente, ainda estamos longe de ver isso acontecendo por aqui. “Mas não devemos parar de pensar em execuções interessantes esperando o 5G. Dá para fazer muita coisa desde já”, afirma Mário Lemos, líder de IoT (Internet of Things ou Internet das Coisas) da Accenture Digital para a América Latina. Já usamos o conceito de internet das coisas para monitorar redes de saneamento básico e gás, encontrando falhas no sistema sem precisar perfurar o solo.

Mas a área onde os resultados são mais consistentes é a de iluminação pública. As PPPs (Parcerias Público-Privadas) têm permitido que prefeituras diminuam custos, ao mesmo tempo em que oferecem iluminação às regiões que mais precisam. “Isso atrai mercado, porque a conta fecha e pode ser um catalisador para cidades inteligentes no Brasil”, afirma Lemos.

A Accenture responde pela modelagem do estudo que transformou a iluminação pública em Belo Horizonte. Trata-se da maior PPP desse estilo em operação no País, com 185 mil postes funcionando no município. A economia chega a 45% com a implantação de lâmpadas de LED que se comunicam entre si (33 mil delas), permitindo alterar a intensidade da iluminação e integrar o serviço com outros equipamentos, como semáforos e câmeras, agilizar a manutenção e criar uma enorme rede Wi-Fi. A capital mineira inaugura essa tecnologia no Brasil.

O contrato, no valor de R$ 496 milhões, terá duração de 20 anos, com realização do serviço de substituição de lâmpadas nos três primeiros anos. O acordo foi assinado em maio. “As cidades demoram a soltar novas políticas públicas, porque governos são mais lentos que mercados. Mas é importante que comecem a trabalhar numa agenda conjunta com as operadoras e demais interessados da iniciativa privada para que possamos atingir todo o potencial das cidades inteligentes”, afirma o executivo da Accenture.

Fonte: Estadão

Retomada do setor imobiliário já reduz desconto de imóveis executados

Investidores que compram imóveis executados têm que correr para realizar bons negócios. A recuperação em andamento do mercado imobiliário já começa a provocar alteração nos preços desses ativos. Hoje, o desconto praticado na compra de imóveis executados está em torno de 50%. Mas profissionais apostam que em seis meses o cenário em meio à retomada do setor imobiliário será outro e o preço ótimo de aquisição de estoques terá ficado para trás. A expectativa de melhora do setor imobiliário tem na verdade mexido com a indústria financeira há vários meses. Atualmente, existe um número superior à média de fundos de imobiliários na fila à espera de análise para registro em bolsa. Profissionais afirmam que eles somam quase R$ 1 bilhão. (O Estado de S. Paulo, 04/09/17)

Caixa esgota recursos e endurece financiamento da casa própria

Responsável por 68% do mercado de financiamento imobiliário no Brasil, a Caixa tomou recentemente duas decisões que dificultaram o acesso dos brasileiros ao sonho da casa própria. Em julho, o banco suspendeu a linha de crédito mais barata para o financiamento imobiliário e, depois, derrubou de 90% para 80% o percentual do imóvel que é financiado pela instituição. Ou seja, aumentou de 10% para 20% o valor mínimo da entrada a ser desembolsada pelo comprador.

O advogado especialista em direito imobiliário Marcelo Tapai afirma que as medidas tomadas recentemente pela Caixa foram motivadas pela falta de dinheiro. Ele observa que o banco estatal chegou na situação atual devido a uma falta de planejamento governamental.

— A falta de dinheiro [na Caixa] ocorre por absoluta desorganização. O governo federal usa a Caixa como instrumento político para fazer anúncios, alavancar uma parte da economia e depois o negócio não funciona. Em dezembro do ano passado, aumentaram o valor do imóvel financiado com o fundo de garantia e agora não se tem dinheiro para o pró-cotista.

Esse nível só é inferior aos 30.716 contratos assinados no segundo semestre de 2015.

Na comparação entre o primeiro semestre de 2017 e o mesmo período de 2016, houve aumento de 31,4% nos contratos firmados. Já em relação aos últimos seis meses do ano passado, o banco fechou, na linha pró-cotista, 62,8% contratos a mais nos primeiros seis meses de 2017. Tapai explica que os financiamentos oferecidos pelo pró-cotista têm que passar por uma liberação prévia do governo. Diante da situação, ele avalia que algo “inesperado” resultou na suspensão da linha.

— O governo calculou mal a quantidade de financiamento que as pessoas iriam precisar e acabou faltando dinheiro. Esse dinheiro do pró-cotista não é o mesmo que a Caixa utiliza para qualquer outra pessoa.

Informações preliminares apontam que o governo federal liberou R$ 6,136 bilhões para a manutenção do pró-cotista nos primeiros meses de 2017. Para todo o ano passado, a linha de crédito recebeu R$ 7 bilhões dos cofres públicos.

O professor da EESP (Escola de Economia de São Paulo), da FGV (Fundação Getulio Vargas), Alberto Ajzental avalia que há a possibilidade de a Caixa ter utilizado os recursos que tinha do pró-cotista no momento em que foram solicitados.

— Eu não sei qual é a diferença de você emprestar para todo mundo nos seis primeiros meses do ano ou ficar segurando o dinheiro para o ano inteiro. Tanto faz.

Ajzental observa que os bancos atravessam um momento em que estão mais seletivos na concessão de crédito devido às incertezas presentes na economia.

— Eu acho que duas coisas aconteceram: o mercado não é tão tomador de crédito e os bancos devem estar mais restritos.

Ao suspender o pró-cotista até 2018, a Caixa afirmou que os recursos disponibilizados para a referida linha já haviam sido utilizados. O banco diz que emprestou nos primeiros seis meses deste ano “mais que todo ano de 2015″. A instituição ressalta que, em 2017, havia um orçamento previsto “de R$ 84 bilhões para toda a carteira imobiliária, sendo R$ 6,1 bilhões para a linha pró-cotista”.

Impacto no mercado

Para Tapai, as medidas tomadas recentemente pela Caixa podem impactar o mercado imobiliário de forma negativa. Ele afirma que as decisões podem, inclusive, aumentar o volume de distratos de imóveis adquiridos na planta.

— O consumidor que se planejou adequadamente estava contando com o empréstimo que já havia sido disponibilizada com determinada taxa de juros. O imóvel ficou pronto e mudou tudo.