Um Projeto ambicioso

No início de 2014, o escritório britânico Foster + Partners divulgou um plano para construir uma rede de ciclovias elevadas sobre as linhas de trem de Londres. Caso seja construída, a SkyCycle terá 220 quilômetros de vias especiais para bicicletas, acompanhando as linhas de trem da região. Com mais de 200 pontos de entrada, a via terá rotas com capacidade para mais de 12 mil ciclistas por hora e ajudará a desafogar o trânsito nas ruas e o excesso de usuários na rede de transporte público da capital do Reino Unido.

O entusiasmo do Foster + Partners pela vida sobre duas rodas é tamanho que o escritório criou uma equipe de ciclismo, formada por profissionais da empresa, e investiu em infraestrutura para guardar as cerca de 200 bicicletas dos funcionários que chegam ao trabalho pedalando.

Ambicioso, o projeto do escritório de arquitetura Foster + Partners, prevê a instalação de 220 quilômetros de vias para bicicletas para desafogar o trânsito de Londres. Crédito: Fosters + Partners

IGP-M cai pelo segundo mês seguido e tem resultado mais baixo desde 1989

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado para reajustar a maioria dos contratos imobiliários, perdeu força em maio e caiu 0,93%, segundo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta terça-feira (30). É a taxa mais baixa para o mês de maio da série histórica da FGV, iniciada em 1989. Foi a segunda deflação mensal seguida – em abril, o índice recuou 1,1%. Em maio de 2016, a variação foi de 0,82%.

No ano, o indicador acumula queda de 1,29% e em 12 meses, alta de 1,57%. O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.

 (Foto: G1 )

Usado no cálculo do IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que avalia os preços no atacado, teve variação negativa de 1,56%. Em abril, a taxa ficou em – 0,77%.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), outro subíndice, com peso menor, que calcula os preços no varejo, variou 0,29% em maio, ante 0,33% em abril.

Com o menor peso entre os subíndices, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,13% em maio. No mês anterior, o índice variou -0,08%.

Por Pâmela Kometani e Karina Trevizan, G1

Cidades compactas são mais acessíveis

A dispersão reduz a acessibilidade geral, o que diminui as oportunidades de emprego, especialmente para pessoas economicamente desfavorecidas. A mobilidade é significativamente melhor em áreas compactas do que em áreas extensas. Isso resulta de um melhor acesso ao emprego e menos segregação de renda em áreas mais compactas.

Um desenvolvimento mais compacto também pode ajudar as famílias a gerar mais riqueza a longo prazo, permitindo-lhes mudar dos gastos com veículos, que rapidamente se depreciam, para a habitação, que tende a se valorizar. Escolher uma casa em um bairro residencial acessível em vez de um local dependente de automóvel ou até escolher uma casa mais cara que exige menos gastos com transporte em vez de uma casa mais barata na periferia urbana com maiores custos de transporte.

Isso não quer dizer que as cidades nunca devem se expandir, mas, para serem eficientes em termos de recursos e maximizar a acessibilidade geral, a expansão deve ser compacta e multimodal, com boas condições de caminhar, ciclismo e transporte público para manter a acessibilidade do transporte.

Post escrito por Todd Litman e publicado no Planetizen

Revitalização de bairros em São Paulo mostra o poder do diálogo entre sociedade e poder público

Construir um bairro sustentável pede tecnologias e práticas que potencializem as condições já oferecidas pelo ambiente e promovam o uso eficiente de recursos como água da chuva e iluminação natural. Estimular um estilo de vida mais sustentável e mudar a maneira como se relacionavam com o lugar onde moravam foram os desejos que moveram moradores das Vilas Jataí, Beatriz e Ida, em São Paulo, a transformarem seus bairros.

O processo se desenrolou a partir de um movimento espontâneo dos próprios moradores. Mais especificamente, conforme conta o Estadão, em uma barraca de festa junina onde as pessoas deixavam post-its com seus desejos para o bairro. O conteúdo dos bilhetes – menos violência, grandes prédios, grandes comércios – deixava transparecer a vontade de viver um lugar mais humano e uma rotina mais tranquila.

As mudanças tiveram início na Vila Ida, mais especificamente na Praça Valdir Azevedo (à esquerda), depois que o grupo adquiriu um imóvel abandonado da prefeitura que passou a ser utilizado como sede. Em um primeiro momento, o processo envolveu a criação de sistemas para captação da água da chuva, a busca e a recuperação de nascentes.

Dezesseis nascentes foram encontradas na região dos três bairros. Uma das principais foi o Córrego das Corujas, na Vila Beatriz. Desde 2010, quando o trabalho de recuperação começou, a qualidade da água deu um salto: enquanto nos primeiros anos os testes de qualidade indicavam ruim ou péssimo, no início deste ano pela primeira vez a água do córrego foi considerada boa.

Outra mudança importante na revitalização dos bairros foi a transformação dos canteiros centrais das vias, até então apenas blocos de cimento, em jardins de chuva. A prática, aliada a ruas mais arborizadas, contribuiu para o aumento da permeabilização das ruas, reduzindo alagamentos.

Nova lei

Por conta própria e por meio de solicitações à administração municipal quando o necessário, o grupo de moradores conseguiu implantar mudanças significativas no lugar onde moram. E o processo de renovação empreendido gerou resultados para além dos limites dos bairros: foi o piloto para a criação da lei de gestão participativa das praças de São Paulo, sancionada em maio de 2015:

A gestão das praças do município de São Paulo será agora realizada de forma compartilhada, prevendo não apenas a atuação do poder público, mas também a participação dos cidadãos na implantação, revitalização, requalificação, fiscalização, uso e conservação desses espaços. (…) Com a gestão participativa, a Prefeitura busca, entre outras coisas, a sustentabilidade do espaço urbano, a valorização do patrimônio ambiental, histórico, cultural e social das praças de São Paulo e a fruição desses espaços públicos pela comunidade, considerando as características do entorno e as necessidades dos próprios cidadãos.

O exemplo dos três bairros paulistanos traz uma conclusão importante: o diálogo entre a população e o poder público pode levar a transformações positivas na realidade. Integrando saberes de ambos os lados – tanto preceitos técnicos quanto os conhecimentos da comunidade local – é possível construir, de forma coletiva, espaços urbanos mais sustentáveis e saudáveis para seus moradores.

Por Priscila Pacheco, da TheCityFix Brasil

Tendência : Apartamentos Menores

Em cinco anos, os imóveis brasileiros perderam espaço equivalente a uma sala de 20 m²: o tamanho médio caiu de 120,7 m² em 2011 a 101 m² em 2016, redução de 16%.

Essa foi uma das principais conclusões de levantamento feito em março pela Neoway Criactive, empresa de big data especializada em análise de mercado, com base em 28 milhões de registros de obras no CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) e no CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo).

O número médio de dormitórios também caiu de 2,9 em 2011 para 2,5 em 2016.

“Nas grandes cidades, há uma tendência de diminuição dos apartamentos e de um crescimento de áreas compartilhadas nos condomínios”, afirma Flavio Amary, presidente do Secovi-SP.

Em São Paulo, os imóveis ficaram ainda mais apertados do que a média nacional: de 141,4 m² para 104,3 m², redução de 26%. Já a média do número de quartos, que era de 3,2, foi para 2,4 em 2016.

A pesquisa também mostrou que os empreendimentos de luxo perderam espaço no mercado. Aqueles considerados de padrão alto/médio alto (acima de R$ 500 mil) passaram a representar 25% do total em 2016, ante os 33% cinco anos antes.

Os de médio padrão (entre R$ 200 mil e R$ 500 mil), por outro lado, foram de 36% para 44% do total. “A população ficou mais pobre, o que estimulou um maior volume de lançamentos de empreendimentos do tipo”, observa Cristina Della Penna, diretora da Neoway Criactive.

Em relação ao índice de lançamentos, houve diminuição considerável no período. A pior queda foi sentida em 2016, de 46,6% em relação a 2015. A pesquisa estima que haja aumento no número de unidades em 2017.

JÚLIA ZAREMBA
DE SÃO PAULO

Cresce expectativa de alta dos imóveis

A parcela de quem espera queda de preços de imóveis nos próximos 12 meses caiu de 36% do total para 28%, enquanto a fatia dos entrevistados com expectativa de alta dos valores aumentou de 13% para 17% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre, de acordo com o levantamento Raio-X Fipe-Zap, realizado pelo portal Zap e pela Fundação Instituto de Pesquisas (Fipe), sobre perfil da demanda. Do total dos entrevistados, 28% avaliam que os preços ficarão estáveis. Essas respostas foram dadas por quem pretende comprar um imóvel nos próximos três meses, fatia que corresponde a 41% dos entrevistados. Na sondagem trimestral anterior, 42% dos entrevistados pretendiam adquirir imóvel nos três meses seguintes. Entre os que têm a intenção de comprar imóvel nos próximos três meses, a fatia dos que consideram os preços “altos” ou “muito altos” caiu de 66% para 64%. Dos que já compraram, a parcela com essa percepção caiu de 49% para 47%, segundo o levantamento. A variação média de preços esperada para os próximos 12 meses é de queda de 3,5%. Entre os que adquiriam imóvel nos últimos 12 meses, 62% tinham a intenção de destinar a unidade para moradia, e 38%, para investimento por meio de aluguel ou revenda. Cerca de 63% adquiriu imóvel usado. A fatia de operações com desconto foi de 75,1%, a mesma da sondagem anterior. O percentual de abatimento ficou em 8,9%, também estável ante o trimestre passado. A pesquisa foi realizada de 6 a 28 de abril com 3.837 participantes. Entre os que responderam as questões do Raio-X Fipe-Zap, 58% são homens, 67% têm menos de 50 anos, e 65% possuem renda domiciliar mensal de até R$ 10 mil. (UOL, 23/05/17)

Mercado de imóveis respirou melhor em março, mas vendas de imóveis já são postergadas após crise política

A melhora da economia brasileira registrada nos indicadores do primeiro trimestre do Banco Central (IBCBr) e da Fundação Getúlio Vargas – que sugerem que a recessão está acabando – foi perceptível nos lançamentos e vendas de imóveis novos na cidade de São Paulo, segundo o relatório mensal do sindicato da habitação (Secovi-SP), distribuído há dias. Não apenas o número de lançamentos e o valor das vendas cresceram entre fevereiro e março e entre os meses de março de 2016 e de 2017. Antes da eclosão da atual crise política, o presidente da entidade, Flavio Amary, avaliava que “o País está voltando para os trilhos e o mercado imobiliário é o termômetro disso”.

Entre março de 2016 e março de 2017 o número de imóveis novos comercializados passou de 1.070 para 1.233 (+15,2%) e o número de unidades lançadas evoluiu de 565 para 1.555 (+175,2%). Os números de janeiro e fevereiro deste ano foram muito menores, mas os dados de março foram recebidos com alívio. A recuperação do mercado imobiliário não é generalizada (os indicadores da Região Metropolitana de São Paulo foram muito fracos) e a demanda só é forte nos segmentos de imóveis de menor valor, de até R$ 240 mil, ou no segmento de unidades de valor superior a R$ 750 mil. Além disso, não só os preços pedidos por metro quadrado na cidade de São Paulo continuam muito elevados, como admitiu o vice-presidente do Secovi-SP, Emilio Kallas, na Coluna Secovi publicada no Estado, como eles estão em alta.

Prova disso é que entre os primeiros trimestres de 2016 e 2017, o valor global de vendas (VGV) registrou aumento nominal de 8%, enquanto o número de unidades comercializadas caiu 7,1%. Melhor é afirmar, por enquanto, que, embora uma recuperação pareça estar se esboçando, a retomada não pode ainda ser considerada sustentável. Os demonstrativos financeiros das grandes construtoras foram bastante negativos no primeiro trimestre, algumas companhias de primeira linha são obrigadas a se desfazer de lotes (que equivalem à matéria-prima de que dependerão, no futuro, para fazer novos lançamentos) e o desemprego no setor ainda é expressivo. Em abril, segundo o Ministério do Trabalho, foram cortadas 1.760 vagas na construção civil, em contraste com o aumento das contratações na indústria de transformação.

Vendas de imóveis já são postergadas após crise política , afirma setor

O mercado imobiliário, que começava a demonstrar uma recuperação nos últimos meses, deverá sofrer um impacto imediato da crise política, segundo companhias e entidades do setor. Neste fim de semana, o movimento nos plantões de venda será muito ruim, segundo um empresário que cancelou iniciativas promocionais.

“Até o fim deste mês, pode até haver movimento nos plantões de venda, mas sem fechamento de negócios”, afirma Flávio Prando, vice-presidente do Secovi-SP (sindicato de habitação paulista). Nos últimos dois dias, as assinaturas de contratos foram adiadas, diz Flavio Amary, presidente da entidade.]Ainda será preciso aguardar os desdobramentos da taxa de juros e da confiança do consumidor para revisar as projeções para este ano, avalia o presidente da Abrainc (associação das incorporadoras), Luiz Antônio França.

Os lançamentos deverão ser os mais afetados. “Para quem tem perspectiva de receber o imóvel em três anos, há maior incerteza sobre qual será a situação da construtora até lá”, afirma Igor Freire, diretor da Lello. Novas regras para os distratos (desistências da compra), discutidas entre governo e setor, deverão ser adiadas. “É preciso, antes, resolver o problema central”, diz França. “A pauta, porém, segue como prioridade”, de acordo com Amary.

Fontes: O Estado de S. Paulo, Editorial Econômico, 21/05/2017 e Folha de S. Paulo, Mercado Aberto, 21/05/17