Claude Parent: uma homenagem ao pioneiro da arquitetura oblíqua

Claude Parent, o pai da “arquitetura oblíqua” – em que o objeto arquitetônico não se torna visivelmente estável: elementos como piso, as paredes e o teto formam um conjunto estimulante e inclinado, refletindo uma sensação de instabilidade

 

Diante de tantos assuntos que poderíamos escrever relacionados à arquitetura, pausamos para dedicar um texto ao arquiteto recém falecido, Claude Parent. Figura importante nas décadas de 50 e 60, Claude, imaginativo, polêmico e desconhecido por muitos, foi pioneiro da “arquitetura oblíqua”, influenciando grandes nomes da arquitetura atual como Jean Nouvel, Frank Gehry, Renzo Piano, grupo SANAA, entre outros.

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Nascido em 1923, Parent atendeu a École des Beaux Arts de Toulouse em Paris para estudar arquitetura logo após a guerra. Ainda na Belas Artes, como muito de seus colegas jovens e progressistas, rejeitou a linguagem enrijecida da academia francesa, buscando novas fronteiras no modernismo.

No entanto, nas décadas seguintes, buscou uma arquitetura na qual forma e função transcendiam os ângulos retos da arquitetura moderna. Deixando para trás o modernismo racional e funcional ortodoxo Le Corbusiano, Parent seguia em frente acreditando que arquitetura, ao contrário do que o modernismo ditava, não era “une machine à habiter”.

Foi um precursor do desconstrutivismo, muito antes de ter se tornando uma palavra, criticando agudamente a banalidade estética da arquitetura moderna.

Estudo de esforços de Claude Parent e Paul Virilio

Em 1963, Parent conheceu o teórico francês, filósofo e urbanista parisiense Paul Virilio, com quem viria a desenvolver a Função Oblíqua no manifesto Architecture Principe. A ideia era inclinar o piso para revolucionar o paradigma da parede perpendicular aos planos, buscando descobrir como um corpo vivencia, fisicamente, o espaço. Um plano inclinado implicaria em um esforço para subir e velocidade ao descer, obrigando o corpo a estar ciente do espaço a todo momento.

Décadas depois, grandes nomes da arquitetura, influenciados pelo manifesto de Parent, viriam a praticar o oblíquo na arquitetura. Daniel Libeskind é um deles, ao elaborar o projeto do Museu Judaico em Berlim, onde as formas oblíquas, tanto em planta quanto na estrutura, foram desenhadas com o objetivo de conscientizar o corpo do espaço, tornando a experiência dentro do museu um sentimento de constante desconforto em virtude da temática do museu.

Estudo de esforços de Claude Parent e Paul Virilio

 

Jean Nouvel, estagiário de Claude Parent no início da década de 70 e vencedor do Pritzker de 2008, homenageia Parent, falecido um dia após fazer 93 anos. Nouvel dedicou muito de suas obras e conquistas ao francês, considerando-o um mentor e professor. Em janeiro, junto com Nouvel, Claude estreou o que viria a ser sua última exposição, “Jean Nouvel/Claude Parent: Musées à Venir”, deixando para trás um legado que ainda influencia novas fronteiras da arquitetura.

 

 

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