Resiliência Urbana: ainda resta uma esperança

 

A migração de pessoas para as cidades tem levado uma quantidade enorme de mudanças ao longo do curso da história humana.  Somos atualmente 7 bilhões de pessoas  vivendo no mundo, destas 55% moram em cidades, com uma tendência a aumentar.

Essa tendência não mostra sinais de abrandamento, e nós estamos provavelmente indo para um futuro onde as cidades acima de 20 milhões de pessoas serão bastante comuns (área urbana de São Paulo já está lá). Este fato irá criar todos os tipos de problemas na forma como as pessoas se movem, como eles são alimentados, como eles se comunicam, se reúnem, e onde vivem e trabalham. Sem novas tecnologias, estes problemas poderiam condenar o sucesso destas novas megalópoles e a felicidade das pessoas que vivem dentro delas. A Resiliência Urbana é a capacidade que uma cidade tem de resistir, absorver, adaptar-se e recuperar-se da exposição às ameaças, produzindo efeitos de maneira oportuna e eficiente, o que inclui a preservação e restauração de suas estruturas e funções básicas.

No século 19 – superlotação, saneamento, doenças infecciosas – deu origem a soluções que nós conhecemos atualmente: parques , códigos de construção, coleta de lixo e redes de ônibus ou metro.

Hoje, se faz necessário que administração pública faça uso da tecnologia a serviço da eficiência e da melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, a conectividade através das redes de Wi-Fi e plataformas inteligentes certamente podem nos ajudar a resolver os desafios do século 21: o tráfego de veículos, a escassez de habitação e de adaptação às alterações climáticas. A Internet nos dá uma plataforma para melhorar a eficiência e aumentar a capacidade de fazer uma comunidade mais forte, com melhor utilização dos recursos. Um planejamento urbano responsável e sustentável precisa considerar a prevenção, a mitigação e a capacidade de regeneração das cidades, face aos eventos que as podem ameaçar. Os riscos, que podem ter causas naturais, tecnológicas ou sociais; ser previsíveis ou inesperados, ter consequências devastadoras ou locais. Conectividade está no centro da solução para os problemas das “megalópoles” do nosso século. Uma cidade só irá prosperar se ela tiver acesso a uma rede que permita que dispositivos, serviços, veículos, pessoas e outras coisas possam se comunicar entre si e os sistemas de controle principais.

É fundamental que se criem agendas para repensar e redesenhar os modelos de políticas urbanas para que essas “megalópoles” que estão se formando, de maneira que sejam capazes de resistir a choques e a tensões naturais. É necessário que exista por parte da administração pública à vontade politica, para desenvolver planos de resiliência que correspondam às geografias individuais de cada cidade, dados demográficos, necessidades existentes de forma articulada. Definindo desta maneira os compromissos e medidas que devem ser assumidos pela sociedade civil e pelos governos municipais.

O Estado tem a função de planejar e gerir a cidade através de uma política urbana, sendo toda ela concentrada em ações que promovam o bem-estar de seus habitantes, seja nas pequenas cidades ou nas megalópoles do amanhã.

“Existem várias pechinchas no mercado imobiliário, mas é preciso cuidado”, diz especialista — MKT Imobiliário

O investimento em imóveis é um dos favoritos do investidor brasileiro. No entanto, nos últimos tempos, os preços no mercado imobiliário têm caído ou avançado muito abaixo da inflação, o que fez com que muitas pessoas não se animassem a aplicar agora. No entanto, esse seria um bom momento para fazer essa aplicação? Alexandre Amorim, […]

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Construção de vidro espelhado multiplica a natureza ao redor

Recém-instalado na Ilha de Jeju, na Coreia do Sul, o Monsant Cafe tem uma fachada de vidro espelhado que multiplica toda a beleza natural do seu entorno, com direito a rochas vulcânicas e uma estonteante vista para o oceano.Construção de vidro espelhado multiplica a natureza ao redor (Foto: Divulgação)

O projeto arquitetônico, assinado pelo estúdio sul-coreano Plataform_a, foi pensado para funcionar como uma extensão da paisagem.Construção de vidro espelhado multiplica a natureza ao redor (Foto: Divulgação)Construção de vidro espelhado multiplica a natureza ao redor (Foto: Divulgação)Construção de vidro espelhado multiplica a natureza ao redor (Foto: Divulgação)

POR LÍGIA NOGUEIRA

Preços de imóveis em São Paulo estão perto do piso, dizem construtoras

(Bloomberg) Fabiola Moura– Os preços dos imóveis na cidade de São Paulo, o maior mercado do Brasil, chegaram ao piso e deverão permanecer perto desse nível até o ano que vem, pelo menos, enquanto houver recessão, segundo duas das maiores empresas imobiliárias da cidade.

A perspectiva é um reflexo sombrio da atividade comercial na cidade, maior polo financeiro do país e terceiro maior colaborador com a produção econômica depois dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. A queda da atividade econômica no Brasil pegou o setor imobiliário em cheio, com dois anos consecutivos de contração, desemprego acima de 10% e inflação alta. A confiança do consumidor afundou e os bancos estão evitando oferecer crédito.

Descontos

As construtoras vêm oferecendo descontos em meio ao excesso de novos apartamentos, alto nível de distratos e crédito mais restrito, disse Eric Alencar, diretor financeiro da Cyrela Brazil Realty SA Empreendimentos e Participações.

“Os preços atualmente estão mais baixos que no passado e mais baixos do que estarão no futuro e isso representa uma oportunidade para os clientes”, disse Alencar em teleconferência com jornalistas. Um terço das unidades da Cyrela está à venda na cidade de São Paulo, segundo a empresa.

A taxa de crescimento do preço médio do metro quadrado dos imóveis residenciais em São Paulo desacelerou fortemente nos últimos cinco anos, de uma taxa ano a ano de 26% em abril de 2011 para uma taxa de 0,8% no mês passado e valor de R$ 8.623 (US$ 2.463), segundo o índice FipeZap, que acompanha o preço anunciado das unidades à venda. São Paulo é a segunda cidade mais cara do Brasil em termos de propriedades. O Rio de Janeiro é a primeira.

Embora os preços das propriedades possivelmente não caiam mais, eles também não subirão, e com a inflação em cerca de 9% ao ano, os valores dos imóveis ficarão sob pressão até que a economia melhore, no ano que vem, disse Emílio Fugazza, diretor financeiro da Eztec Empreendimentos e Participações. A construtora, que mira clientes de alta renda, concentra mais de 90% de sua carteira na cidade.

“Nós chegamos ao pior momento dos preços no fim do ano passado”, disse Fugazza, em entrevista. “À medida que o estoque acabar e novos edifícios forem erguidos, os preços se recuperarão para incorporar o custo mais elevado das novas construções”.

Vendas contratadas em queda

A Eztec reportou uma queda de 85% nas vendas contratadas no primeiro trimestre e anunciou seu primeiro novo projeto desde junho de 2015, a ser construído com a Cyrela no bairro de Moema, em São Paulo. Ambas as empresas disseram que continuam focadas na venda das unidades já prontas. A Eztec informou que vai esperar por melhores condições de mercado para tirar novos projetos do papel.

A receita líquida caiu 35% no primeiro trimestre, enquanto o lucro líquido teve um declínio de 45%, para R$ 73,6 milhões, disse a empresa na semana passada. No período de dois anos que terminou em janeiro de 2016, a Eztec reduziu sua mão de obra em 40%, para 850 pessoas, disse Fugazza.

A Cyrela reportou uma queda de 28% nas vendas contratadas no trimestre e um declínio de 39% no lucro líquido, para R$ 61 milhões, segundo um comunicado da semana passada. Dos seis novos projetos que a empresa iniciou no primeiro trimestre, quatro ficam no Estado de São Paulo.

Nova lei transforma mercado imobiliário

OLIVAR VITALE*

O mercado imobiliário está passando por um processo de transformação e inovação com as regras introduzidas pela recente Lei 13.097/15.

Entre as principais mudanças estão: a possibilidade de resolução extrajudicial do compromisso de compra e venda em razão do inadimplemento do comprador, sem necessidade de ação judicial; a concentração na matrícula de informações acerca de dívidas relacionadas ao imóvel e; a proteção especial aos adquirentes de unidades autônomas de empreendimentos imobiliários contra dívidas da incorporadora ou loteadora e seus antecessores.

No primeiro aspecto, a Lei, em seu artigo 62, sem correspondência na Medida Provisória n° 656/2014, dispensa a necessidade de ajuizamento de ação judicial para que se possa resolver, por inadimplência do comprador, os compromissos de venda e compra em que conste cláusula resolutiva expressa por inadimplemento. Nesses casos, o vendedor deve notificar o comprador, por meio de cartório de Registro de Títulos e Documentos, acerca das quantias em aberto (principal, correção monetária, juros de mora, eventual multa contratual e honorários advocatícios) para que este, em 15 dias, purgue da mora, sob pena de, não havendo o pagamento, resolver-se de pleno direito o contrato.

A alteração visa dar maior celeridade e reduzir os custos do procedimento de resolução contratual de compra e venda de imóveis, que, até então, segundo o entendimento jurisprudencial, dependia de intervenção judicial. Atendendo a antiga reivindicação das incorporadoras, passa a se permitir que estas, obtendo a resolução do contrato, rapidamente alienem as unidades inadimplentes a terceiros.

VENDA
Desse modo, a orientação é que conste na promessa de venda e compra cláusula que especifique o procedimento e preveja expressamente a resolução do contrato para o caso de inadimplemento do adquirente.

A segunda mudança relevante encontra- se no artigo 54, referente à concentração na matrícula de informações acerca de dívidas que possam atingir o imóvel. A Lei afirma que os negócios que tenham por fim constituir, transferir ou modificar direitos reais sobre imóveis são eficazes em relação a certa dívida quando, ao tempo do negócio, não havia registro na matrícula fazendo alusão a esta.

O intuito principal é que o adquirente apenas precise averiguar a matrícula do bem quando for comprar um imóvel, dispensando-se que, como atualmente é praxe, requisite as certidões em nome do proprietário e antecessores do foro de seus domicílios e no foro do local do imóvel, para não ser surpreendido futuramente. O objetivo legal é conferir segurança jurídica aos negócios envolvendo imóveis, fomentando o setor. O que não constar da matrícula, em regra, não poderá ameaçar a propriedade do imóvel que está sendo adquirido.

Observando a questão pelo lado do credor do proprietário do bem, a Lei impõe que aquele que quiser ver seu crédito satisfeito por meio da constrição de certo imóvel, ainda que este seja futuramente alienado ou onerado, deve fazer constar na matrícula do bem o seu direito. Isso se aplica ainda que o credor tenha meramente ajuizado uma ação judicial que, ao final de sua tramitação, possa vir a se utilizar do imóvel para satisfação do direito reivindicado. Para que os credores procedam aos registros e às averbações nas matrículas dos imóveis, a Lei confere prazo de dois anos a partir da sua entrada em vigor.

Caso o registro não seja feito, o credor corre o risco de não conseguir se utilizar do imóvel para satisfazer seus direitos creditórios na hipótese do bem ter sido alienado ou onerado, atos que permaneceram eficazes perante o credor.

O dispositivo não se aplica às obrigações de caráter propter rem(relacionadas com a própria coisa, como, por exemplo, contribuições condominiais e dívidas de IPTU), ônus de caráter socioambiental, construtivo, urbanístico, cadastrais ou de licenciamento. Para esses casos, as diligências dos adquirentes para averiguação de eventual dívida ou irregularidade, ainda permanecem necessárias.

Importante frisar que a nova Lei está em consonância com a interpretação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo o órgão responsável pela interpretação última da lei federal, para o reconhecimento da ineficácia do negócio por fraude à execução, é necessário o registro da penhora na matrícula do imóvel ou a comprovação da má-fé do adquirente.

Vale destacar que as dívidas constantes da matrícula não têm o condão de impedir a compra, mas fazem com que o adquirente tenha que se assegurar que o proprietário pode pagá-las, impedindo a tomada do bem no futuro.

O terceiro e último aspecto relevante ao mercado imobiliário é a proteção especial conferida aos adquirentes de unidades autônomas de empreendimentos imobiliários contra dívidas da incorporadora ou loteadora e seus antecessores. Para esses casos, previstos no artigo 55, o regime jurídico é ainda mais protetivo que o analisado anteriormente (do artigo 54), prevendo o dispositivo que negócios jurídicos de alienação e oneração de imóveis em empreendimentos imobiliários, registrados na matrícula, estão blindados contra à decretação de ineficácia e contra à evicção ainda que haja registro da dívida na matrícula do bem.

SEGURANÇA
Observa-se que, no tocante aos bens de empreendimentos imobiliários, é assegurada não só a eficácia, mas também o âmbito da validade ao se inibir a evicção, que “é a perda da coisa em virtude de sentença judicial, que a atribui a outrem por causa jurídica preexistente ao contrato”. Assim, a blindagem atinge até mesmo riscos decorrentes, por exemplo, de restrições convencionais à livre utilização do imóvel, da fraude contra credores ou de nulidades anteriores na cadeia dominial.

CONSIDERAÇÕES
Ainda mais importante é que tal proteção aos adquirentes não comporta exceção, ou seja, é conferida ainda que haja registro de dívidas na matrícula mãe do empreendimento antes do registro da incorporação/ loteamento. Diante do exposto, verifica-se que a Lei nº 13.097/2015 veio para simplificar e incentivar a realização dos negócios imobiliários, tanto no sentido de facilitar a resolução de contratos com parcelas atrasadas, quanto para conferir alta proteção e segurança aos adquirentes de imóveis.

*OLIVAR VITALE é advogado especialista em Direito Imobiliário, sócio do escritório Tubino Veloso, Vitale, Bicalho e Dias Advogados, conselheiro jurídico do Secovi-SP e da Sinduscon-SP e professor da Universidade Secovi, ESPM e Poli-USP.

Alterações nas plantas mostram ‘revolução no morar’

EDILAINE FELIX

ARQUIVO 13/04/2016 Imóveis Áreas de lazer do empreendimento Caminhos da Lapa da incorporadora Brookfield Crédito: Divulgação / Brookfield

Apartamentos com amplas salas, quartos e cozinha, todos fechados com suas portas e poucos (muitas vezes apenas um) banheiro tão comum em décadas passadas deram espaço às unidades com metragens menores e cozinhas, varandas e salas integradas e quartos com suítes.

As alterações nas plantas também são notadas nas áreas comuns dos empreendimentos. Piscinas simples, quadras, playgrounds e salão de festas foram substituídos por espaços gourmets superequipados, piscinas aquecidas, salas para ginástica, danças e relaxamento, sala de estudos e espaços de serviços à disposição dos moradores, como lavanderias e áreas pets, por exemplo.

De acordo com o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU-SP), Gilberto Belleza, como as unidades residenciais estão ficando menores, os empreendimentos oferecem cada vez mais serviços nas áreas comuns.

“Com a redução das áreas privativas é preciso entregar espaços coletivos para serem utilizadas pelos moradores. Por isso, percebemos uma tendência de grandes áreas nos térreos dos condomínios”, diz.
Belleza considera essa mudança nas plantas mais uma “revolução no morar”. Para ele, os projetos arquitetônicos se transformam em espaços mais flexíveis, permitindo melhor visualização dos ambientes e facilitando o uso dessas áreas.

“As mudanças ocorrem porque as pessoas buscam novas maneiras de vivenciar os espaços, criando tendências.” Belleza lembra, ainda, que “a aceitação ou não dessas propostas (pelo público) é que determinará o uso de cada uma delas”.

Necessidade. Segundo o diretor de incorporação da Brookfield, José de Albuquerque, o público família continua “vivo” nos projetos. Em consequência, a incorporadora investe em áreas de lazer que vão além do básico. “Hoje, as plantas devem ser mais específicas. Por exemplo, a academia deve ter uma sala fechada para o uso individual com um personal trainer.”

Albuquerque diz ainda que a empresa tem a marca 4Family, cujo o objetivo é oferecer empreendimento com espaços que sejam mais bem utilizados pelas famílias. Para o melhor aproveitando dos espaços, a incorporadora contrata uma consultoria de serviços em lazer para deixar as áreas apropriadas para a instalação de um ambiente personalizado, como por exemplo uma sala de estudos.

“A proposta é fazer uso racionalizado dos ambientes e deixar áreas disponíveis para que condomínio possa aproveitá-las no futuro.”, diz.

Diretor geral da incorporadora Benx, Luciano Amaral conta que a incorporadora aposta na exclusividade. “Nossos projetos dão aos clientes flexibilidade para alterar a unidade de acordo com o seu gosto, personalizando-a. E esse traço que até uns 20 anos atrás era comum para compradores de alto padrão, hoje já é possível com diferentes públicos, que aceitam de maneira positiva.”

Nas áreas comuns dos condomínios, a Benx opta por espaços de lazer que ofereçam conforto ao morador. “Guardando as devidas proporções, cada empreendimento terá áreas comuns de acordo com seu público. Deve ter suas especificidades pelo custo e pela maneira de viver de cada um deles”, diz.

Fachada - Artsy

Internas. Para o diretor da Brookfield, os moradores querem unidades com espaços multiuso e ambientes que possam ser conectados. “Cozinha, sala e terraço gourmet com integração e também acesso para escritório das áreas sociais do apartamento. As pessoas gostam e cada vez mais cozinham em casa e esse já é um momento social, por isso o ambiente deve ser aberto para as outras áreas.”

Amaral conta que a Benx entrega projetos funcionais. “Até em unidades de 40 metros quadrado, 45 m², o proprietário poderá utilizar os espaços de forma mais adequada”, diz o diretor da Benx, que esclarece que todas os apartamentos têm cozinha integrada.

Para o diretor da Marques Construtora Vitor Marques, hoje a cozinha aberta é valorizada por todos os públicos. “É um ambiente da casa que há investimento em decoração. Não há mais portas, pois o local é valorizado e deve ser apreciado.”

Segundo ele, com o metro quadrado mais valorizado é preciso fazer um aproveitamento total das áreas para evitar o desperdício de espaço nos corredores e áreas de circulação.
“Os apartamentos estão mais otimizados para atender as necessidades do dia a dia do morador e as áreas comuns não podem ser ociosas e devem ser compartilhadas de acordo com a necessidade, sem desperdício de espaço.”

Marques destaca que cada metro quadrado dentro do apartamento não aproveitado pede um complemento na área comum incluindo serviço. “Em unidades menores, por exemplo, se o morador não quiser instalar a lavanderia na varanda, tem uma área maior e utiliza a lavanderia coletiva já entregue pela construtora.”

‘Mudança de comportamento e de vida se refletem no morar’

Para a arquiteta Camila Valentini, o desenho que continua presente em muitos projetos é a varanda gourmet e sua integração com o living”. Outra mudança apontada por ela são os quartos cada vez menores para priorizar as áreas comuns e o conceito de suíte e lavabo, que era inexistente em projetos antigos.

“Era um banheiro grande para toda a família e havia quarto de empregada. Na nova concepção de morar não há mais esse modelo de planta e quem compra um imóvel antigo o modifica. É inevitável a reforma de um dormitório para fazer dele uma suíte, por exemplo”, diz.

Apartamento decorado pela arquiteta Camila Valentini

Nas áreas comuns, a arquiteta lembra que há cada vez mais opções de lazer para que os moradores fiquem dentro do próprio condomínio. Segundo ela, problemas de mobilidade e segurança fazem com que as pessoas fiquem mais em seus empreendimentos. “Mudança de comportamento e de vida se refletem diretamente no local onde morar.”

Praticidade. Na opinião do diretor executivo técnico da Tecnisa, Fabio Villas Bôas, essas mudanças são uma tendência para o mercado e conferem um aspecto de praticidade aos empreendimentos, que estão mais compactos e aumentam as áreas de uso comum.

“Há muita peculiaridade. Em alguns empreendimentos há sala de reuniões com equipamentos de escritórios e cozinhas gourmets. O importante é não ter áreas ociosa e setorizar o condomínio para que cada espaço atenda uma faixa etária.”

Para o diretor executivo da Tecnisa, o progresso verificado nos projetos de áreas comuns dos empreendimentos é que eles não são mais genéricos: “se o local na área comum tem um ambiente mais atrativo o uso será maior”, diz.

De acordo com Villas Bôas, os projetos (de novos espaços, serviços prestados) das áreas comuns dos empreendimentos devem ser elaborados com opções de lazer para todos os moradores (crianças, jovens, idosos).EDILAINE FELIX

Sem recursos, Caixa limita novos financiamentos imobiliários

REUTERS

Banco estatal limita desde o final de abril novos financiamentos da linha Pró-Cotista, dirigida para compra de imóveis novos ou usados com valor de até R$ 750 mil

Recursos da linha Pró-Cotistas estão limitados a imóveis de até R$ 225 mil
Recursos da linha Pró-Cotistas estão limitados a imóveis de até R$ 225 mil

SÃO PAULO – A Caixa Econômica Federal limitou desde final de abril novos financiamentos da linha Pró-Cotista FGTS, por falta de recursos, em outro revés para o setor imobiliário, afetado por taxas de juros crescentes e queda na demanda.

A informação, que circulava por associação de mutuários e funcionários do próprio banco estatal, foi confirmada pelo vice-presidente de crédito da Caixa, Nelson Souza.

“Estamos deixando os recursos do Pró-Cotista para imóveis de até R$ 225 mil”, disse Souza em entrevista à Reuters na segunda-feira.

O Pró-Cotista é dirigido para compra de imóveis novos ou usados com valor de até R$ 750 mil. A situação atual se dá num momento de volumes cadentes de contribuição e de aumento dos saques de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), dado a progressiva alta do desemprego no País.

A escassez de recursos do Pró-Cotista voltou a se agravar pouco mais de dois meses após o Conselho Curador do FGTS ter anunciado aporte de R$ 8,2 bilhões para a linha na Caixa.

Segundo funcionários de diferentes agências da Caixa em São Paulo, os novos recursos foram usados para atender contratos que já tinham sido aprovados desde outubro de 2015 e que estavam paralisados justamente por falta de dinheiro. “A suplementação chegou e foi embora muito rápido”, disse o gerente de uma agência, sob condição de anonimato.

Com taxa de juros anual de 8,66% ao ano, a Pró-Cotista, operada apenas pela Caixa e pelo Banco do Brasil, é a linha imobiliária mais barata do mercado, com exceção dos financiamentos enquadrados no programa habitacional Minha Casa Minha Vida.

“Quem quer manter a linha Pró-Cotista está ficando na fila na Caixa ou preferindo bater na porta do Banco do Brasil”, disse Daniela Akamine, sócia da Akamines Negócios Imobiliários.

As taxas menores devem-se ao subsídio a trabalhadores que têm recursos no FGTS, fundo alimentado por contribuição patronal equivalente a 8% do salário dos empregados. A rentabilidade anual do FGTS é de 3%, mais TR.

Segundo o gerente da Caixa, os tomadores que já tiveram a proposta de financiamento aprovadas pela Pró-Cotista estão sendo aconselhados a financiar a compra pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que cobra taxas superiores a 10% ao ano para quem não tem relacionamento com o banco.

Por orientação de agentes imobiliários, alguns estão buscando a Pró-Cotista no Banco do Brasil, que recebeu um aporte de R$ 2,5 bilhões para a linha em abril.

Mas as reclamações cada vez mais frequentes de atrasos na concessão de empréstimos de contratos já aprovados levaram a Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH) a entrar no final de abril com uma ação coletiva na Justiça Federal de Minas Gerais pedindo indenização por perdas a mutuários.

O argumento é que muitos estão tendo que pagar multas por não terem respeitado o prazo em contratos com os vendedores de imóveis, justamente devido à demora na aprovação do financiamento pela Caixa. Outros desistiram de contratos já firmados com construtoras para compra de apartamentos.

“É um problema crônico, que vem piorando desde outubro passado”, disse Vinicius Costa, consultor jurídico da ABMH, que está aguardando a Justiça responder se a ação terá alcance apenas em Minas Gerais ou em todo o País.

A situação acontece num momento em que o financiamento imobiliário pelo próprio SBPE já tem sido pressionado pelo aumento dos juros e pelos sucessivos saques na caderneta de poupança, que lastreia essa linha.

Segundo Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o volume concedido para compra de moradias pelo SBPE caiu 54,6% no primeiro trimestre ante igual etapa de 2015.

Com isso, a Caixa, maior concessora de crédito para habitação do País, tem sido obrigada a lastrear parte dos empréstimos para o setor em papéis de mercado, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), que têm custo maior.

O Conselho Curador do FGTS tem reunião extraordinária na terça-feira para discutir a reformulação dos orçamentos para 2016, e a expectativa de profissionais do mercado imobiliário é de que o governo federal aja para evitar uma desaceleração mais acentuada no setor.