Dream team de empresários doa tempo, dinheiro e conhecimento para melhorar as cidades brasileirasPrograma Juntos pelo Desenvolvimento Sustentável busca levar a eficiência do setor privado para a administração pública, a exemplo do que fez Michael Bloomberg em NY

O ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg se tornou referência mundial em gestão ao aplicar na vida pública o que aprendeu ao longo de uma sólida carreira como empresário. Para ele, a política nunca foi um fim em si mesma, mas o meio de alcançar objetivos concretos. Bloomberg soube se colocar acima de partidos: eleito republicano, virou democrata e depois independente. Bilionário e dono de um império das comunicações, passou a usar a filantropia para transmitir conhecimento e encorajar outros prefeitos a comprar as brigas certas. Diz ele: “Líderes locais são responsáveis por fazer, não debater. Por inovar, e não argumentar. Por pragmatismo, e não partidarismo. Temos de entregar resultados.”
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Sua trajetória é o exemplo prático de um discurso cada vez mais forte mundialmente, inclusive no Brasil, onde um grupo de empresários trilha o mesmo caminho. Ninguém planeja se candidatar a prefeito, mas, para que as cidades se desenvolvam, estão dispostos a doar o que têm de mais valioso: seu tempo e sua experiência à frente das maiores empresas do país. É o coletivo Juntos pelo Desenvolvimento Sustentável.
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O integrantes formam uma espécie de dream team do empresariado nacional: Jorge Gerdau, dono da maior siderúrgica do país, Rubens Ometto, dono da Cosan, gigante da produção de açúcar e etanol, Pedro Paulo Diniz, da família fundadora do Grupo Pão de Açúcar, José Ermírio de Moraes Neto, da Votorantim, Ricardo Villela Marino, do Itaú Unibanco, Wilson Ferreira Júnior, da CPFL, José Roberto Marinho, das Organizações Globo, e Carlos Jereissati Filho, do Grupo Iguatemi, entre outros.

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A exemplo do que fez Michael Bloomberg, foi o ambiente filantrópico que impulsionou a transformação. O Juntos é gerenciado pela Comunitas, organização social criada pela ex-primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008). Boa parte das 12 cidades do programa conta com um empresário padrinho, alguém ligado ao local e que acompanha de perto o que é feito. Assim, os empresários participam de uma reunião mensal geral e outra trimestral com os prefeitos apadrinhados, todas presenciais. “Não tem nada de mandar representante, é preciso ir pessoalmente”, afirma Regina Esteves, diretora-presidente da Comunitas e quem coordena os trabalhos do Juntos.
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Achar um mesmo horário na agenda de todos esses líderes já é um primeiro desafio, mas é claro que os problemas municipais a serem vencidos são bem mais complexos. A busca pelo equilíbrio fiscal encabeça a lista de dificuldades, seguida pelas dores de cabeça criadas pela burocracia e por leis malfeitas que asfixiam os bons projetos. O Juntos também destina recursos para as ações municipais, 100% privados.  A verba disponível até 2016 é de 47 milhões de reais.
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Do outro lado, estão os prefeitos, escolhidos independentemente de partidos. O que pesa na seleção do Juntos é que os gestores estejam no primeiro mandato e tenham nomeado seus secretários seguindo critérios técnicos. Também precisam estar dispostos a integrar empresários e população para fortalecer a rede local. Seguem a lógica narrada no livro Metropolitan Revolution, de 2013, com histórias de cidades americanas que superaram seus problemas fazendo uso de uma teia de conexões regionais. Para o bem e para o mal, nenhuma delas teve ajuda do governo federal ou dos estaduais para sair de suas crises. A narrativa corrobora a tese de que são os líderes regionais, e não os nacionais, os que têm maior capacidade de agir. Nas palavras de Bruce Katz, vice-presidente do Brookings Institution e coautor do livro: “Os centros urbanos tornaram-se o coração de todo tipo de mudança ambiental, social e econômica”. O mesmo vale para o Brasil.
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Os prefeitos que não colocarem em prática as determinações do Juntos correm o risco de serem cortados do programa. A linha-dura faz parte do esforço em implantar a cultura corporativa na gestão pública, o que significa, inclusive, oferecer aos servidores municipais a chance de se aperfeiçoar em cursos no exterior.
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Atualmente, o Juntos está presente seis estados e em doze cidades: Campinas (SP), Curitiba (PR),  Juiz de Fora (MG), Paraty (RJ), Pelotas (RS), Santos (SP), Teresina (PI) e Itirapina (SP) – esta última uma ação conjunta que inclui Brotas, Corumbataí, Limeira e São Carlos, também no interior paulista. Abaixo, algumas histórias sobre a capacidade das cidades brasileiras de resolverem seus próprios problemas quando dadas as condições para isso. É o início da nossa revolução metropolitana.
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Lagoa do Taquaral, em Campinas (Foto prefeitura)

Campinas (SP)
Wilson Ferreira Júnior (CPFL)
Primeira a entrar para o Juntos, Campinas acelerou a aprovação de pequenas construções, que representam 70% dos pedidos enviados à prefeitura. São residências, comércios de até 500 metros quadrados e instituições de até 1.000 metros quadrados. O tempo entre a entrada do pedido de construção e a emissão do alvará baixou de dois meses para um dia. Se houver desvios, a prefeitura pode aplicar multas ou embargar o projeto .
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Paraty: apesar da Flip, nada de IPTU nem abastecimento (Cristiano Muniz / PMP)

Paraty (RJ)
Padrinho: José Roberto Marinho (Organizações Globo)
Acostumada a receber royalties do petróleo, Paraty nunca se preocupou com a arrecadação municipal. Até que, em 2013, a fonte secou. José Roberto Marinho foi o líder destacado para ajudar a reequilibrar as contas municipais. O primeiro passo foi cobrar o IPTU, que quase ninguém pagava. Pousadas declaradas como residências e outras irregularidades encobriram 3.000 imóveis do pagamento do imposto. Água encanada e esgoto foram outra novidade. Mesmo sediando a Flip, a festa literária internacional que leva ao município milhares de visitantes anualmente, a cidade não tinha rede de abastecimento decente para a população. Até o final deste ano, todos os moradores deverão ter água encanada em casa, e a rede de esgoto deve abranger 80% das residências até o final do ano que vem.

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UBS em Pelotas: aumento de 30% no atendimento (Foto Eduardo Belkeske)

Pelotas (RS)
Padrinho: Carlos Jereissati Filho (Grupo Iguatemi)
A tecnologia foi a principal aliada para melhorar os serviços públicos, começando pela saúde. Um software permitiu o acompanhamento das metas de governo e, paralelamente, médicos, enfermeiros, moradores e agentes simularam ser pacientes com as mesmas limitações daqueles atendidos pela Unidade Básica de Saúde. O teste ajudou a identificar quais eram as melhorias necessárias para o espaço e como reestruturar os serviços. A reforma de uma das unidades permitiu aumento de 30% nos atendimentos.

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Itirapina, onde ganha força a conexão com cidades vizinhas (Foto Prefeitura)

Itirapina (SP)
Padrinho: Pedro Paulo Diniz (Grupo Pão de Açúcar)
O município é o centro de um consórcio que inclui Brotas, Corumbataí, Limeira e São Carlos. Todas essas cidades compartilham um sistema de compras públicas que torna as aquisições mais ágeis e localiza os melhores preços. A ferramenta mostrou que o quilo do sal para a merenda escolar custava 0,96 real em Corumbataí e 1,25 real em Brotas. A comparação dá argumento aos gestores para negociar e, assim, conseguirem economizar.

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“Faça-se a Luz”: Iluminação natural na arquitetura

No que tange à questão iluminação no âmbito da sustentabilidade de edificações, o senso comum é observar em primeira instância o uso de tecnologias ativas de baixo consumo, como o LED.

É fato que o custo desse sistema vem reduzindo e portanto sua aplicação ampliada. No entanto a forma mais sustentável e saudável de iluminação, ainda pouco explorada em projetos no país é a iluminação natural. Por mais óbvio e simples que possa parecer, ainda não observamos a iluminação natural como meta de projeto.

É comum estabelecermos metas para desempenho energético, por exemplo, principalmente em projetos que buscam algum tipo de certificação. Porém a iluminação natural, sob o ponto de vista do conforto ambiental não tem sido explorada em seu potencial. Projetistas em geral relegam a qualidade da iluminação natural à segundo plano, quase que como consequência do desenho de fachada em função de suas metas energéticas e estéticas.

Insisto sempre em meus artigos e em minha prática profissional que a sustentabilidade real de edifícios começa na boa arquitetura, sendo as tecnologias secundárias. Esse “mantra” é especialmente verdadeiro no quesito iluminação natural.

A iluminação natural, ao contrário das mais avançadas tecnologias ativas não apenas pode fornecer condições ambientais adequadas às diversas atividades humanas no ambiente construído, como também é comprovadamente benéfica à melhoria de produtividade, bem estar e satisfação no ambiente de trabalho e de ensino, auxilia na recuperação de pacientes em hospitais, além de nos conectar com o ambiente externo reduzindo níveis de stress e fadiga. Não há nada mais sustentável do que cuidar do bem estar do ser humano e ainda mais com consumo energético reduzido. Nenhuma tecnologia é capaz de desempenhar esse papel.

Atingir adequados níveis de iluminação natural, com reduzido risco de ofuscamento não é tarefa simples. É necessário que se compreenda com precisão a trajetória solar em determinada localidade, avaliar zonas e horários de sombreamento, assim como possuir detalhado conhecimento acerca das condições lumínicas do céu específico da região em que se projeta. A utilização de avançados métodos de análise computacional podem (e na maioria dos casos devem) ser utilizadas na exploração de opções de projeto capazes de fornecer as informações necessárias à concretização de metas de desempenho.

O processo de exploração paramétrica computacional em iluminação natural foi utilizado pela Ca2 Consultores Ambientais Associados no auxílio à concepção arquitetônica da nova agência da Caixa Econômica Federal no Campus da USP, atualmente em construção. Demonstramos, através da exploração computacional, as melhores estratégias para que se atingissem níveis adequados de luz natural com controle de ofuscamento. Foram projetados brises específicos para cada fachada, além do dimensionamento e posicionamento de claraboias na cobertura e adequada especificação de vidros. A imagem que ilustra essa matéria é fruto desse trabalho (simulação computacional de luz natural com o uso do software Radiance)

Maiores detalhes do projeto em: http://www.ca-2.com/#!caixa/vk3ot

(Por: Marcelo Nudel, sócio- proprietário e consultor na Ca2 Consultores Ambientais Associados)

Sobre

Estruturação e Gestão de Negócios Imobiliários
Produto
Assessoria para identificação de oportunidades, criação, desenvolvimento e gestão de negócios imobiliários, em três frentes de trabalho:

Estruturação de negócios imobiliários: Identificação da oferta de terrenos, pesquisa de mercado, concepção do produto, estudos de viabilidade e estruturação financeira do negócio.

Prospecção e gestão de negócios imobiliários:
Prospecção de empreendimentos imobiliários já estruturados e concebidos para serem ofertados a investidores do mercado imobiliário.

Gestão de parcerias: Identificação e aproximação de empresas incorporadoras e construtoras com perfis semelhantes, que apresentem sinergia quanto aos processos, às pessoas e à filosofia de gestão, com o objetivo de estabelecer parcerias.
Atividades
Em todas as etapas dos negócios imobiliários, tanto em empreendimentos como em parcerias, exercendo uma gestão pró-ativa e transparente.

Estruturação, prospecção e gestão de negócios:
• Estruturação de novos negócios.
• Prospecção e análise de empreendimentos.
• Monitoramento dos processos e resultados do empreendimento com ação preventiva e ação corretiva.
• Gestão transparente do negócio com relato permanente aos investidores e incorporadores.

Gestão de parcerias:
• Aproximação de empresas.
• Negociação da parceria.
• Definição da estratégia da parceria.
• Transferência de tecnologia de operação e gestão.
• Monitoramento de resultados da parceria, com desenvolvimento de empreendimentos da parceria e gestão dos empreendimentos resultantes da parceria.
Resultados
• Conquista, pelas partes interessadas, do mais alto grau de satisfação em relação ao negócio imobiliário, tanto pela maximização dos resultados como pelo fortalecimento institucional.

• Transparência e profissionalismo do negócio, concentrando os esforços de todos os envolvidos no sentido do resultado.
*Avaliação Patrimonial

O que fazer para tornarmos as nossas cidades melhores?

Precisamos urgentemente parar o crescimento anárquico das nossas cidades, algumas atitudes certamente contribuiriam para esta melhoria e para o nosso bem estar. Este  talvez seja um dos temas mais importantes a ser discutido atualmente e tem recebido pouca atenção dos gestores públicos e da mídia em geral.

O legado de nossas cidades com um crescimento tão rápido da frota de veículos nos últimos anos, sem a mínima infraestrutura viária está gerando um cenário de caos urbano. Os nossos governantes não conseguem mais prover uma quantidade “eficiente” de infraestrutura nos locais onde é necessária. Precisamos urgentemente nos envolver mais intensamente com os nossos vereadores, autoridades e meios de comunicação social para contribuir com uma solução mais harmoniosa neste caos. Como o crescimento urbano é um processo complexo e dinâmico, tentar desenhar a cidade de cima para baixo não tem sido a melhor solução, esta formula não consegue mais acompanhar as mudanças dos interesses e das demandas da população, que vive e usa no cotidiano estes equipamentos oferecidos pelo planejamento atual. Diante destes desafios dois pontos são muito importantes para nossa reflexão:

  • Promover a mobilidade alternativa e valorizar os pedestres. Nos últimos cinco anos, as principais vias das nossas cidades tiveram um aumento médio do uso de carros particulares em 20%. Isto significa que, além do crescimento desordenado, a nossa preferência no transporte contribui para o agravamento da situação de mobilidade na cidade. Precisamos  investimentos no setor e uma mudança cultural para inverter as tendências.
  •  Precisamos urgentemente reinventar o espaço público. Cidade significa viver os espaços públicos com qualidade. Criar espaço é apenas metade do desafio; a outra parte é manter o espaço público atrativo e lhe dar vida real. A reciclagem de muitos destes espaços é sempre muito positiva para o bem-estar de longo prazo da população urbana.

Sempre lembrando que em nenhum período da história da humanidade, houve mais pessoas vivendo nas cidades do que temos atualmente, este fato deve levar os legisladores e os agentes públicos a rever alguns conceitos que atualmente estão em vigor.

Como poderia ser a Avenida Ipiranga em Porto Alegre

Como seria bom se houvesse vontade politica de transformar um riacho ( arroio do Diluvio ) sujo e poluído, em um parque linear. A Avenida Ipiranga estabelece uma integração notável entre diversos bairros de Porto Alegre e vem concretizando-se como um corredor de serviços e comércio, crescendo de forma fragmentada e irregular, sofrendo uma acentuada transformação urbana desde a implantação dos planos diretores.

Cláudio Frankenberg, coordenador acadêmico da Faculdade de Engenharia e diretor do Instituto de Meio Ambiente da PUC-RS, explica que o Dilúvio recebe as águas de diversos pequenos córregos que a cidade foi soterrando para construir novas vias, novos bairros. Sua sub-bacia é responsável pelo escoamento de água em uma área de cerca de 83km2 – mais de oito mil campos de futebol – na qual vivem aproximadamente 446 mil pessoas, na capital e em Viamão. O que poucos sabem também é que o riacho não foi projetado para ser um grande recebedor de esgoto cloacal. Segundo o Departamento de Esgotos Pluviais de Porto Alegre (DEP), o arroio carrega este tipo de detritos de apenas três bairros de Porto Alegre até o Guaíba. Contudo, o mesmo problema de ligações irregulares de esgoto cloacal encontrado na nascente ocorre por toda a parte, nestes pequenos arroios que vão desembocar no Dilúvio, além de ocorrer diretamente no próprio.”O arroio Dilúvio é um espelho de como a cidade cuida de si”. 

Jardins filtrantes, um novo conceito de saneamento  pode ser uma ótima alternativa para despoluirmos o arroio e embelezar  a nossa cidade . A fito filtragem é uma técnica eficaz das águas cinza, aquelas já utilizadas nas pias, chuveiros e tanques são empregadas para dar descarga no vaso sanitário, para lavar calçadas e carros e para o resfriamento de ar condicionado , são despoluídas através da instalação dos jardins filtrantes, onde as plantas são o principal agente de tratamento de poluição.

Os jardins filtrantes são desenvolvidos pelo engenheiro francês Thyerry Jacquet, da Phytorestore, que desenvolveu vários projetos na China, França e até mesmo no Brasil, nas cidades de Curitiba e em Campinas. Muitos destes projetos foram premiados em concursos internacionais. Esta reutilização garante uma economia de 50% no volume total de água limpa e o sistema de esgoto passa a receber apenas metade da quantidade tradicional. Além da economia de água, há o embelezamento das cidades, de uma forma perfeitamente ecológica

O poder publico é responsável pelo planejamento integrado que favoreça o desenvolvimento urbano, mas ao mesmo tempo que tenha a preocupação com um futuro sustentável.

Micro-transporte: uma solução imediata para a mobilidade urbana

Quando olhamos as opções para o cidadão comum se deslocar nas cidades brasileiras, vemos facilmente que o carro particular se apresenta como uma solução muito superior comparada às outras: É relativamente barato tendo em conta o conforto, limpeza e praticidade que oferece. Citando David Banister“The car was really seen as an extension of the home, as a detachable room that could be taken to different places”: o carro se tornou uma extensão da nossa casa. Porém, parafraseando Vuchic, “se todos andarem de carro ninguém anda”, e isso é o que vemos todos os dias: o comportamento de cada indivíduo acaba gerando problemas coletivos sendo engarrafamento, poluição e acidentes entre os mais importantes e danosos.

Analisando de uma forma simplista, para atacar esses problemas causados pelo uso excessivo do carro uma solução rápida seria botar mais ônibus nas ruas. Mas isso não funciona, já que o sistema de ônibus brasileiro tradicional não é uma alternativa real para o motorista. É preciso então dar alternativas que cativem e convençam o motorista a deixar o carro em casa. Esta solução é chamada de micro-transporte (Microtransit, em inglês).

Micro-transporte é um transporte público coletivo (ônibus, micro-ônibus, vans etc.) de nicho, que não segue o foco tradicional do sistema de transporte de massa das cidades e foca em outro tipo de cliente: uma classe média e média-alta com acesso a um carro mas disposta a deixá-lo em casa para pegar um ônibus com ar-condicionado, lugar sentado, WI-FI e uma relação diferenciada de custo-benefício. O micro-transporte também tem uma forte componente tecnológica associada, com todo o procedimento de consultar a linha, o horário, o preço e realizar o posterior pagamento porsmartphone, semelhante ao já conhecido Uber. O micro-transporte difere das vans que existem no Rio de Janeiro, por exemplo, pois estas acabam concorrendo com o ônibus (e, por isso, a oposição e posterior regulação) e não necessariamente com o carro particular. San Francisco é uma cidade onde o micro-transporte tem sucesso, pois lá ele encontra exatamente o nicho: jovens bem-pagos do Vale do Silício que não querem dirigir para o trabalho.

No Brasil existem serviços semelhantes, porém sem a parte tecnológica e oferecido pelas próprias empresas concessionadas pela prefeitura. O Frescão no Rio seria um bom exemplo. Nos EUA os serviços apresentados são mais interessantes, e já em grande quantidade: LoupBridjLeapViaLyft line e Uberpool são alguns exemplos. Alguns deles, como no Brasil, também sofrem na mão dos burocratas de plantão: o Leap recentemente suspendeu o seu serviço para se adequar às exigências específicas do departamento de transporte municipal.

Mas como trazer esses serviços para o Brasil? Se o Uber já incomoda os taxistas (um pequeno mercado) imaginem o Bridj ou Leap encarando os “chefões do transporte público brasileiro”? Mesmo não fazendo concorrência direta com o sistema de ônibus tradicional, como as vans no RJ, mas sim com o carro particular, eles ainda sofreriam para entrar no nosso país.

A solução seria manter as concessões atuais que regem os sistemas de transporte público mas permitir a entrada dessas empresas de micro-transporte no mercado, pois elas apresentam uma alternativa real ao carro particular, permitindo o motorista deixar seu carro em casa e ir de micro-transporte, ajudando a diminuir os problemas de congestionamento, poluição e (in)segurança rodoviária. Tais serviços trariam benefício imediato para a mobilidade urbana brasileira por não necessitarem de infraestrutura específica ou grandes investimentos públicos, diferente de construir linhas de metrô ou VLT, soluções demoradas e com o mesmo objetivo de tirar as pessoas dos carros (muitas vezes sem sucesso). Uma alternativa é tentar seguir o caminho do Uber, que entrou no mercado brasileiro não como uma empresa de transporte mas sim de tecnologia : criar um aplicativo que ligue o dono dos veículos com clientes interessados ao longo de determinado percurso, semelhante aos sistemas de Demand-Reponsive Transport ou dial-a-ride que existem no resto do mundo.

Para finalizar, vale lembrar que os nomes não importam, mas sim os serviços prestados: Microtransit, Paratransit, vans, Frescão, Facebook Bus, Google Bus, Leap, Bridj, fretamento, escolar, são todos soluções coletivas (algumas públicas, outras privadas) simples, rápidas e baratas que tiram carros das ruas, complementando o sistema de transporte público tradicional, reduzindo o engarrafamento, poluição e o número de acidentes. Agora só falta convencer os políticos a adaptarem as legislações vigentes e receberem de braços abertos essas novas iniciativas de mercado: isso, como sabemos, não é tão rápido assim.

Por 23 de junho de 2015http://caosplanejado.com/micro-transporte-uma-solucao-imediata-para-a-mobilidade-urbana/

Mercado de shopping centers se reinventa para enfrentar a crise – e prevê crescimento

(Época Negócios – por DUBES SÔNEGO ) 14/10/2015

Novos conceitos, novas praças e novos investidores

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Foto: Shutterstock

Longe demais das capitais Shopping centers superam a marca de R$ 142 bilhões em vendas e avançam rumo ao interior, onde o número de empreendimentos inaugurados este ano é maior que em grandes centros

Serrinha (BA), Itaboraí (RJ), São José de Ribamar (MA), Araxá (MG). Foi-se o tempo em que shopping center era coisa de cidade grande. Em 2014, pela primeira vez, o número de empreendimentos em municípios do interior do país superou o de unidades em capitais, tradicionalmente os principais centros econômicos dos estados. A partir de 2015, de acordo com Adriana Colloca, superintendente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), a maior parte dos novos shoppings previstos para sair do papel seguirá a tendência. “As capitais já têm todas um número significativo de empreendimentos”, afirma a dirigente da entidade.

A mudança é resultado, em grande parte, de transformações econômicas profundas ocorridas no país desde o início da última década. O aumento da renda e o surgimento da chamada nova classe média permitiu o adensamento das redes de shoppings em grandes cidades e atraiu para o interior do país uma série de franquias, que criaram a demanda necessária para a pulverização do setor. De 2006 a 2014, houve aumento de 50% no número de shoppings no país. Hoje, são 530. Em paralelo, o número de visitas por mês mais que dobrou, para 431 milhões, e as vendas cresceram 185%, para R$ 142,3 bilhões. Juntas, as classes D, C1 e C2, com renda de até R$ 2,8 mil, responderam no ano passado por 27% da receita dos shoppings, segundo levantamento do Ibope e da Associação Brasileira de Logistas de Shopping (Alshop).

A Alshop faz levantamento semelhante ao da Abrasce, em parceria com o Ibope. A diferença é que considera também shoppings temáticos, atacados e rotativos, como as grandes galerias do centro de São Paulo. Pelos critérios usados por ela, a virada sobre as capitais já havia acontecido em 2013, quando 51,6% dos empreendimentos estavam no interior. Mas a conclusão é fundamentalmente a mesma. Com a saturação dos grandes centros, o crescimento virá mesmo das cidades menores.

Um indicativo disso é o fato de que o interior a que se referem os levantamentos vai muito além de polos regionais importantes, como Ribeirão Preto, no interior de São Paulo; Feira de Santana, na Bahia; Joinville, em Santa Catarina; ou Londrina, no Paraná. De acordo com a Abrasce, mais de 40% dos shoppings fora das capitais já estão em cidades com menos de 500 mil habitantes.

Em 2015, tem sido assim até agora, e tende a ser assim até o final de 2016, quando terão sido investidos na construção e ampliação de shoppings cerca de R$ 16 bilhões, de acordo com estimativas da Abrasce. Até meados de setembro, dos dez shoppings inaugurados no Brasil este ano, só três estão em capitais. Dos demais 49 lançamentos mapeados pela entidade, 33 estão em cidades do interior nos mais diversos estados do país. Algumas delas com menos de 200 mil habitantes, como é o caso de Umuarama (PR), de Aparecida de Goiânia (GO) e de Mesquita (RJ).

O Grupo Tacla, do Paraná, é um exemplo de aposta na interiorização. O principal investimento do grupo, desenvolvido em parceria com sócios da Casteval e Paysage, é o Jockey Plaza. Com investimento de R$ 650 milhões, o empreendimento deverá se tornar o maior shopping de Curitiba, com 200 mil m2 de área construída e 420 lojas. Mas, em paralelo, o grupo está construindo shoppings em três cidades de pequeno e médio porte: Foz do Iguaçu (PR) e Campo Largo (PR), além de um outlet em Porto Belo (SC). Mesmo com a crise econômica, Aníbal Tacla, diretor do grupo, avalia que os investimentos valem a pena. “Mais cedo ou mais tarde, as coisas tendem a melhorar. São empreendimentos com retorno de longo prazo, 20, 30 anos”, afirma.

Grandes grupos também apostam na tendência. Com 18 shoppings no portfólio, a Multiplan tem hoje só um novo empreendimento em obras. E ele fica em Canoas (RS), na região metropolitana de Porto Alegre. Dos dois shoppings que a BRMalls está construindo atualmente, um fica em Cascavel (PR). A AD Shopping, especializada na gestão de shoppings, tem projetos em desenvolvimento em Camaragibe (PE), Sinop (MT) e Sumaré (SP). A Iguatemi, que assim como a Multiplan e a BRMalls é uma das líderes do setor no Brasil e tem capital aberto, anunciou em agosto a permuta de um terreno para construir um outlet em São José dos Pinhais (PR), na região metropolitana de Curitiba. Além do projeto, a companhia está construindo unidades do mesmo tipo em Tijucas (SC) e Nova Lima (MG). São os únicos novos empreendimentos da companhia.

A grande dúvida no momento, afirma Luis Augusto Silva, diretor de relações institucionais da Alshop, é como os mercados do interior irão responder à crise econômica. Segundo ele, um dos motivos que permitiram a migração de investimentos para cidades menores foi a demanda por espaços criada por grandes redes de franquias. Com o desaquecimento da economia, diz, diminui a disposição dos varejistas para fazer investimentos e o mercado deverá passar por um período de reequilíbrio de oferta. “Muitos projetos serão colocados em marcha lenta”, diz. De qualquer forma, a direção está dada, e a pulverização deve continuar. Até o final do ano, 58% dos shoppings já estarão fora das capitais, estima a Abrasce.

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Crescimento sem euforia
A expectativa é de aumento de vendas no mercado brasileiro de shopping centers em 2015. Mas essa evolução virá principalmente da maturação e abertura de novos empreendimentos

A Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em meados de setembro o balanço das vendas do varejo brasileiro em julho de 2015. A queda de 1% em relação ao mês anterior foi a maior para o período, desde o início do levantamento, em 2000. Pior que isso, pelo sexto mês consecutivo, as vendas diminuíram. A única exceção no ano foi janeiro. Para a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), porém, mesmo assim o ano será de crescimento para os shopping centers, que respondem por cerca de 20% do varejo em receita.

Os motivos, diz Adriana Colloca, superintendente da entidade, são o volume de shoppings abertos em 2015, as ampliações e a maturação dos que foram inaugurados em anos recentes. Em 2013, por exemplo, o número de inaugurações foi recorde, 38. “Mantemos a expectativa inicial de aumento de 8,5% nas vendas”, diz a dirigente. “Como temos novos empreendimentos entrando no mercado, inevitavelmente as vendas serão maiores.” A Abrasce, porém, não tem um levantamento que permita comparar o crescimento apenas em unidades abertas há mais de um ano.

Voltado ao público de alta renda e dono de um dos portfólios considerados mais resistentes à crise no país, o Iguatemi tem crescido principalmente em unidades inauguradas nos últimos anos, como o Iguatemi Brasília (DF) e o JK Iguatemi (SP), e sobre expansões recentes, caso das unidades de São Carlos (SP) e Campinas (SP). No primeiro semestre, o aumento das vendas foi de 9,1%, e o da receita líquida de 11%. “A perspectiva é crescer em shoppings que estão maturando. Metade do nosso portfólio é assim”, diz Cristina Betts, vice-presidente de finanças e relações com investidores do Iguatemi. A meta de crescimento para a receita líquida no ano fica entre 12% e 15%.

Eduardo Prado, superintendente de relações com investidores da Aliansce, controladora de shoppings como o West Plaza (SP) e o Shopping Leblon (RJ), afirma que as vendas caíram com a crise. Mas avalia que os shoppings, pela variedade, tendem a apresentar desempenho acima da média do varejo. “No segundo trimestre, o movimento nos estacionamentos subiu 14%”, diz o executivo. “O desafio é converter o maior número de visitas em vendas.” Para ele, é certo que haverá crescimento nominal. O difícil é saber, no atual cenário de incertezas, se o resultado se repetirá também pelo critério mesmas lojas, que avalia só aquelas abertas há mais de um ano.

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Tudo em um Shoppings incorporam laboratórios de análises clínicas, academia de ginástica, bons restaurantes e novas tecnologias para atrair e manter clientes

Em 2012, quando assumiu a administração do West Plaza, a Aliansce decidiu fazer uma pesquisa para saber o que os frequentadores esperavam da nova administração do shopping, então já com 22 anos. Depois de reformas nos banheiros e de ajustes no visual, a empresa usou os resultados para iniciar um amplo processo de renovação do mix de lojas e serviços, que ainda não terminou, conta Bettina Quinteiro, superintendente do West Plaza. De lá para cá, foram abertas 46 lojas e outras 22 passaram por reformas. Este ano, estão programadas mais 20 novas lojas e oito reformas. Entre as novidades previstas e implantadas recentemente estão uma faculdade (a Fappes), um laboratório da rede Lavoisier, uma padaria 24 horas da St. Etienne, um circuito de kart, novas salas de cinema e a transformação das antigas em teatro. “A diversificação do mix atrai públicos diferentes”, afirma Bettina.

As transformações por que passa o West Plaza estão em linha com o que acontece em outros empreendimentos do setor. Em menor ou maior grau, existe uma tendência de aumento das opções de serviços nos shopping centers, justificada por mudanças no comportamento dos consumidores, diz Luis Augusto Silva, diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Logistas de Shopping (Alshop), que em parceria com o Ibope faz pesquisas sobre o perfil dos clientes de shopping centers. “Há dez anos, 65% das pessoas iam para fazer compras. Hoje, só 37%”, afirma. Em contrapartida, agora 17% vão ao shopping para passear; 14% para se alimentar; 6% para ir ao banco e 6% atrás de serviços, entre outros motivos com menor representatividade.

O espaço aberto por parte das lojas foi ocupado por academias de ginástica, restaurantes mais sofisticados de lanchonetes fast-food e até empresas de conserto de roupas. “Os shoppings deixaram de ser espaços de compra e passaram a ser equipamentos urbanos. Tornaram-se também espaços de lazer”, diz Silva. “Principalmente no interior, onde as opções de lazer são normalmente mais escassas”, concorda Messias Mattos, coordenador de administração geral São Paulo da AD Shopping, administradora de 32 shoppings em várias regiões do país.

O equilíbrio entre lojas, serviços e lazer tende a ser ajustado ainda mais à demanda com o início do uso de uma nova ferramenta pelos shopping centers, os aplicativos para celulares. Várias empresas do setor estão começando a testar os seus, com perspectivas promissoras. Por meio deles, o consumidor vai poder se localizar através de um mapa, pagar o estacionamento e receber informações sobre promoções e eventos, por exemplo. Já os gestores do shoppings saberão em por que corredores as pessoas circulam e onde param por mais tempo. Também poderão realizar campanhas promocionais mais precisas, por meio dos apps, segmentadas por perfil de público e distância de localização do empreendimento. “É uma ferramenta que ajuda a traçar melhor a estratégia de gestão”, afirma Sylvia Navarro, gerente de marketing do Complexo-Shopping Metrô Tatuapé, que lançou o seu aplicativo em junho deste ano, depois de meses de testes.

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Mais restaurantes, pistas de kart, academias… Os shoppings apostam em serviço e entretenimento (Foto: Thinkstock)

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Perfil de investidores em shoppings no Brasil é variado e reflete a pulverização do mercado

A crise econômica tem provocado o desaquecimento das vendas e requerido ajustes nas contas da maior parte das empresas. Mas a perspectiva de crescimento do setor de shopping centers no longo prazo continua a atrair investidores das mais diversas origens e tamanhos. Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), até o fim de 2016 deverão ser inaugurados 49 empreendimentos. Só este ano, a expectativa de investimento em novas unidades e ampliações é de R$ 16 bilhões. Nas contas da Associação Brasileira de Logistas de Shopping (Alshop), somente em 2015 serão inaugurados 38 shoppings. Entre os investidores por trás de cada um deles, há desde companhias de grande porte e capital aberto, como a Multiplan, até estreantes com pouca tradição no ramo, como o Grupo Lua Nova, do Maranhão.

Na lista da Abrasce com os dez empreendimentos já inaugurados, aparecem ainda grupos como o Argo, que abriu em fevereiro o Itaboraí Plaza (RJ) e é dono de participação em dez shoppings de estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, entre eles o Villa-Lobos, em São Paulo. De porte semelhante, há também o Grupo General Shopping, que tem no portfólio o Internacional Shopping de Guarulhos (SP) e abriu na mesma cidade, em abril, o Shopping Maia. Existem também grupos de investidores independentes, como o encabeçado por Antônio de Pádua Guimarães, principal responsável pela inauguração, em abril, do Boulevard Garden, na cidade mineira de Araxá, ou a RGR, construtora do Anhanguera Parque Shopping, em Cajamar (SP).

Algumas grandes redes de shopping, como a Aliansce, têm optado por reduzir os investimentos em novas unidades e concentrar recursos na ampliação de seus empreendimentos. Eduardo Prado, superintendente de relações com investidores da Aliansce, diz que as expansões facilitam a atração de lojistas, porque já existe um histórico que permite dimensionar o potencial de vendas. Também é uma forma de aumentar o retorno sobre o capital investido, já que muitas vezes é desnecessário adquirir um novo terreno. Pode-se, simplesmente, aproveitar melhor parte da infraestrutura já existente, como o estacionamento. A última inauguração feita pela companhia foi em 2013. Mas, este ano, estão em andamento seis ampliações, em cinco unidades da Aliansce.

Aliado online
Shoppings perdem o medo do comércio eletrônico e estudam como usar canais digitais para atrair consumidores e vender mais

O comércio eletrônico já foi um grande tabu entre gestores de shopping centers brasileiros, pelo receio de que poderia reduzir sensivelmente as vendas em lojas físicas. Mas, gradativamente, vem deixando de ser. O motivo é uma constatação que nas escolas de administração e marketing já virou conceito: omni-channel. Em termos sintéticos, a ideia é a de que o consumidor atual compra nos mais diversos canais de venda, de acordo com a conveniência. “Às vezes, o cliente busca informações sobre um produto online e compra na loja física. Às vezes é o inverso”, afirma Adriana Colloca, superintendente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

Segundo a dirigente da Abrasce, a integração dos canais de venda é hoje vista de forma muito positiva. Há motivos concretos para isso. Em vez de perder dinheiro, os shoppings enxergam hoje a possibilidade de explorar a tendência para lucrar mais. Levantamento da International Data Corporation (IDC) lançado em 2014 aponta que os consumidores omni-channel gastam entre 15% e 30% mais que a média. As iniciativas concretas na área ainda são raras. Mas Adriana diz que atualmente quase todos os grandes shoppings têm equipes internas pesquisando o assunto.

Os efeitos positivos da venda de produtos e serviços por diferentes canais é sentido também do outro lado do balcão. A Kalunga, uma das maiores varejistas brasileiras de produtos para escritórios, com 143 lojas espalhadas pelo país – 70 delas em shopping centers –, passa invariavelmente a vender mais pelo canal online nas praças em que abre a primeira loja física, afirma Hoslei Pimenta, diretor comercial da companhia.

Foi o que aconteceu recentemente no Espírito Santo. A primeira loja da empresa no estado foi aberta no Shopping Vila Velha, na cidade homônima, vizinha de Vitória. Nos meses seguintes, as vendas online no estado cresceram 53%, afirma o executivo. “Ainda existe muita gente começando a comprar pela internet, com medo de fraude. A loja física, quando instalada em um lugar de grande circulação, dá visibilidade e credibilidade ao canal virtual. É algo que ocorre em todas as novas praças onde a Kalunga instala uma loja física”, afirma o executivo.

A Kalunga é um bom exemplo do que já é possível fazer dentro do conceito omni-channel. Segundo Pimenta, todos os canais de venda da companhia são integrados, o que permite à companhia oferecer aos clientes facilidades como a troca de produtos comprados pela internet em lojas físicas ou a reimpressão de notas fiscais de lojas físicas no conforto do lar ou do escritório. O cadastro de clientes das lojas online, em contrapartida, é usado para a divulgação de promoções nas lojas físicas, que, segundo o executivo, têm os mesmos preços e condições de pagamento da loja online e do serviço de televendas.

Para Luis Augusto Silva, diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Logistas de Shopping (Alshop), mesmo para jovens acostumados a comprar online as lojas físicas são importantes, por permitirem o contato direto com os produtos que se pretende comprar, quase como em um showroom. “O virtual e o físico são extremamente complementares”, afirma.

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A kalunga, uma das maiores redes de produtos para escritórios, passa invariavelmente a vender mais pelo canal online nas praças em que abre a primeira loja física (Foto: Divulgação)

Hora de agir com coragem
O país precisa de uma boa reforma. Fizemos isso em nosso setor e o resultado foi bem satisfatório/ Carlos Jereissati Filho*

O Brasil vive hoje mais um momento econômico delicado. Reza o senso comum que as crises oferecem oportunidades, o que é tão verdadeiro quanto o fato de que tempos de bonança oferecem ainda mais oportunidades… O que de fato importa em situações de crise é conseguir um bom diagnóstico sobre as causas e entender os reflexos dos problemas e, a partir deste conhecimento, aplicar a melhor receita para colocar a economia na marcha da retomada. Pouco mais de 20 anos atrás, conseguimos dar este passo quando domamos a inflação, após uma década de tentativas que não vingaram.

Hoje temos uma situação semelhante à que vivemos naqueles tempos. De fato, o diagnóstico da situação econômica está consolidado. Ainda que os atores políticos busquem culpas difusas, o fato é que existe um consenso de que a situação fiscal simplesmente saiu do controle do governo. Ao mesmo tempo, o vento que soprava a favor dos países emergentes na década passada já não é mais capaz de sustentar a velocidade de crescimento daqueles anos. Para fechar a equação, a inflação vem subindo e a atividade econômica retraiu brutalmente. Mais recentemente, muito por conta das incertezas políticas e econômicas, o câmbio também foi afetado, com intensa desvalorização do real.

Se o diagnóstico da doença é claro, a receita para recuperar o paciente está em debate neste momento e tem provocado polêmica. No fundo, não há como fugir dos fatos: para fechar as contas, o governo precisa cortar gastos e aumentar a arrecadação. O debate fica por conta de como é possível realizar este ajuste fiscal, qual a magnitude e a velocidade necessária.

O que o Brasil precisa agora é, de novo, dar um passo decisivo, como deu no momento em que engendrou um plano criativo e inovador para acabar com a espiral inflacionária. Se o ajuste se limitar ao que está sendo feito e foi resumido acima, claro que em dois ou três anos o remédio fará efeito e alguma retomada econômica acontecerá. Mas a verdade é que se não forem realizadas as reformas estruturantes que o país precisa enfrentar – e todos sabemos que é imperioso fazer as reformas tributária e trabalhista, realizar correções nas regras da Previdência Social, além de redefinir o tamanho do Estado e reduzir a burocracia que emperra o empreendedorismo –, se nada disto for efetivamente enfrentado, vamos continuar crescendo em espirros e condenar nossa população a mais algumas décadas de mediocridade. Nos preocupa, enfim, o tempo que levamos neste país para decidir o óbvio.
O setor de shopping centers acompanha com atenção e preocupação o cenário da economia nacional, com os olhos no futuro do Brasil. Este nosso mercado conquistou o coração e a mente de todos os brasileiros – há shoppings de todos os perfis, nas áreas nobres das cidades e em suas periferias, há no Sul e no Norte – com uma aposta que poderia perfeitamente ser copiada pelos nossos governantes. Nossos shoppings se reformam e se reinventam permanentemente para atender aos desejos dos consumidores, criando um espaço de consumo, sim, mas também de convívio e lazer. O shopping é para todos, funciona para todos – homens e mulheres de todas as idades e gostos. O Brasil precisa ser assim, funcionar para todos, indistintamente, se reformar e se reinventar sempre que necessário. Nós todos, brasileiros, precisamos agir. Agir com coragem!

* Carlos Jereissati Filho, diretor-presidente da Iguatemi Empresa de Shopping Centers S.A.

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