A Capacidade de perceber oportunidades

As grandes oportunidades são encontradas no nosso cotidiano. Para ser empreendedor é preciso muita dedicação, comprometimento, mas acima de tudo resistência. O ambiente é adverso, sempre haverá obstáculos, desafios. Mas temos a certeza que ser empresário ou está em vias de o ser, o esforço valerá a pena. Empreendedor é aquele que percebe oportunidades, sintetiza as informações disponíveis e analisa padrões emergentes que escapam à atenção de outras pessoas. É o primeiro passo de um empreendedor para agarrar a oportunidade e montar um empreendimento comercial para oferecer a solução de vários problemas e necessidades que existem.

Perceber oportunidades empreendedoras é apenas um processo de converter uma ideia em uma oportunidade e, em seguida, em um empreendimento. Os fatores mais importantes envolvidos no processo são:

Capacidade de perceber e preservar ideias básicas que podem ser usadas comercialmente,

Capacidade de aproveitar diferentes fontes de informação,

Visão e criatividade.

O ser humano tem uma tendência natural de nos fecharmos com novas ideias à medida que adicionamos mais experiência. Nosso próprio enquadramento da vida nos diz o que funciona e o que é impossível. Por exemplo, alugue sua casa para estranhos durante o fim de semana (Airbnb), muita gente duvidou que funcionaria ou aluguel de carros(Localiza).

As várias fontes que levam ao surgimento de ideias básicas.

•         Problemas: Quando existe um problema, uma ideia leva a uma solução para resolver esse problema, surge como uma oportunidade de negócio.

•         Mudança: Uma mudança nos aspectos sociais, jurídicos, tecnológicos etc. leva a novas oportunidades para iniciar um negócio,

•         Invenções: Novos produtos ou serviços levam a novas oportunidades de negócios.

•         Competição: A competição geralmente resulta no surgimento de novas e melhores ideias que resultam em novas oportunidades de negócios.

Falar com as pessoas é uma tática de detecção de tendências igualmente importante. Eles se envolvem em associações comerciais específicas da indústria e participação de eventos online e offline.

Ingressar em grupos nas redes e ver o que as pessoas estão comentando sobre as últimas tendências para os clientes em relação ao que os clientes estão pensando, comprando, fazendo, etc. o negócio do concorrente.

As informações coletadas de diferentes fontes devem ser analisadas e utilizadas para a identificação da oportunidade certa. Diversas fontes como revistas, periódicos, livros, seminários, feiras, familiares, clientes, amigos, etc. auxiliam na obtenção de informações que resultam na evolução das ideias básicas. Reúna várias fontes de informação e conhecimento e analise-os da melhor forma possível. A análise auxilia na identificação da oportunidade certa para iniciar um novo negócio.

A avaliação de mercado exigirá um estudo das inovações e mudanças predominantes que estão sendo realizadas por empreendedores existentes, usando os avanços tecnológicos no campo.

À medida que um empreendedor começa a reunir todas essas informações regularmente, ele começa a desenvolver uma “mente observadora de tendências”.

Os pilares para o sucesso da percepção de oportunidades são:

Criatividade que significa trazer algo novo à existência. Criatividade é a habilidade. A criatividade é um processo que leva à evolução da ideia.

Inovação que é criar coisas novas de valor, bem como processos novos e criativos que agregam valor aos produtos ou serviços existentes.

Julio Adamy

Financiamento imobiliário: Menores taxas da história e alta demanda devem elevar preços dos imóveis

Pela primeira vez na história, a taxa média dos contratos de crédito imobiliário com os cinco maiores bancos do país – Itaú, Santander, Caixa, Banco do Brasil e Bradesco – caiu para abaixo de 7% ao ano + TR. Segundo levantamento do portal Melhortaxa, em outubro ela chegou a 6,98%, e em novembro, a 6,96%. A queda da Selic, congelada a 2% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central; os preços baixos dos imóveis; e a grande disputa por clientes entre as instituições financeiras criaram um “momento histórico para comprar imóveis”, explica o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Sérgio Cano. “Se juntarmos a menor taxa de juros do crédito imobiliário dos últimos 20 anos, a própria concorrência entre os bancos para colocar crédito no mercado, e o preço dos imóveis que ainda não subiram durante a crise, temos o melhor momento para investir em um imóvel com financiamento”, afirma.

Porém, quem está pensando em comprar a casa própria não pode demorar muito, dizem os especialistas. De acordo com Cano, entre outubro de 2019 e setembro de 2020, houve um aumento de 44% na contratação de crédito imobiliário. E é aí que entra a regra da oferta e da procura: mais demanda significa menos opções. Ou seja, os valores dos imóveis devem aumentar nos próximos meses. “Como ainda não estamos em uma recuperação econômica e teremos um ano de recessão, os preços dos imóveis ainda não subiram. Mas, desde julho, todos os meses vemos um aumento na demanda por crédito imobiliário. Se essa tendência continuar, os preços devem subir. Novos imóveis serão colocados à venda e isso pode equilibrar um pouco a relação entre oferta e procura, mas a tendência é que haja um aumento já no ano que vem”, afirma o professor. Para Rafael Sasso, co-fundador do portal Melhortaxa, esperar para ver se a taxa vai cair ainda mais pode não ser uma boa estratégia. “Há uma pressão concorrencial muito grande entre os bancos. As incorporadoras e loteadoras estão aumentando os preços. Eu diria para não esperar e, se tiver condições, comprar logo. Daqui a pouco, o imóvel que a pessoa estava segurando por 0,2% na taxa pode subir 20%”, explica.

Confira as taxas médias de juros oferecidas pelos bancos:

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Como escolher o melhor tipo de financiamento

A pandemia da Covid-19 trouxe grandes incertezas econômicas para o Brasil. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,86% em outubro, a maior alta para o mês desde 2002, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 6. O número é 0,22 ponto percentual acima do avanço de 0,64% registrado em setembro, puxado mais uma vez pelo aumento dos preços dos alimentos, além do encarecimento das passagens aéreas. Enquanto isso, o Indicador de Incerteza da Economia, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou 2 pontos de setembro para outubro. Porém, ainda é 40% pior que a média histórica dos últimos 10 anos. Por isso, os especialistas recomendam analisar bem qual oferta de financiamento vale mais a pena, e se a escolha será pela Taxa Referencial (TR) ou pelo IPCA.

Segundo o professor da FGV Sérgio Cano, a que gera menos preocupações e sustos em termos de aumento é a TR, que está há mais de dois anos sem variação. Já no IPCA, as taxas são normalmente mais baixas, mas existe o risco da inflação subir para níveis ainda mais elevados. “O Brasil é um país com muitas incertezas. Quem contrata pelo IPCA vai saber que precisa quitar em um prazo mais curto. Se for um prazo mais longo, o risco de variação é maior. Quem estiver contratando com indexador da poupança também, porque, se o Brasil aumentar a Selic, a taxa da poupança continuará a subir”, afirma. De acordo com Sasso, a variação do IPCA é mais imprevisível, já que não tem como saber qual será a inflação em um ano ou mais anos. Por isso, o empresário alerta para que o cliente faça um planejamento. “Se a pessoa está fazendo um empréstimo e vai ficar mais apertada, melhor optar pela TR. Agora, se vai ficar tranquila, opta pelo IPCA porque tem uma parcela menor. A poupança demora mais para ser afetada e têm limites. Nesse caso, a pessoa acaba ficando entre os dois — TR e IPCA –. Se começar a subir a Selic, tem tempo de se readequar”, comenta. Para Cano, se o cliente que está fazendo um financiamento imobiliário tem uma reserva, pode ser interessante aproveitar o momento de taxas de juros mais baixas. Agora, se está pegando um financiamento no limite da renda e de longo prazo, talvez seja mais prudente optar pela

Os especialistas afirmam, ainda, que a pessoa nunca deve olhar só para a taxa de juros do financiamento imobiliário, mas sim para o custo total. “Tem que verificar qual é a melhor condição, que não é necessariamente a menor taxa, porque a pessoa paga seguro, que está como complemento da prestação. Isso compõe o que chamamos de custo efetivo da transação. A pessoa tem que verificar qual é o custo efetivo, a taxa de juros, os seguros e a taxa de prestação, e ver quanto vai ficar, e não ir só pelo anúncio”, alerta o professor da FGV. Sasso ressalta, ainda, que também é preciso colocar no papel o que o banco está obrigando a pessoa a fazer, como abrir uma conta, um novo cartão ou outros pacotes de serviço. Entretanto, o empresário lembra que, se a pessoa não estiver satisfeita, pode fazer a portabilidade de crédito, ou seja, migrar para outro banco que ofereça condições mais favoráveis. De janeiro a abril de 2020, o país registrou mais de 10 mil pedidos de portabilidade, mais de quatro vezes o número de pedidos feitos no mesmo período de 2019 (+343%), segundo informações do Banco Central.

Por Carolina Fortes

Momento único para fazermos mudanças positivas.

Quando os protocolos por Covid 19 foram implantados, a mudança para o trabalho flexível e remoto foi repentina e abrangente. Agora, o governo espera que o retorno ao cargo seja tão rápido quanto – para ajudar a economia a “voltar ao normal”. Mas empurrar todos de volta para o escritório em tempo integral não reconhece os muitos benefícios que o trabalho em casa trouxe. Também não consegue capitalizar neste momento de mudança.

O experimento de trabalho em casa em massa no meio de uma pandemia apresentou algumas das circunstâncias mais desafiadoras possíveis. No entanto, vindo do outro lado disso, é provável que haja uma resistência considerável para simplesmente readotar velhas formas de trabalho.

Os bloqueios por Covid 19 aceleraram a mudança para o trabalho flexível de uma forma que antes parecia impossível. Eles também fornecem evidências concretas de como o trabalho pode ser feito de maneira diferente – e com sucesso. Mais crucialmente, eles forneceram uma experiência vívida disso aos resistentes, que anteriormente eram contra para o trabalho flexível.

Algumas organizações estavam muito mais bem preparadas para essa mudança do que outras. Aqueles que já haviam mobilizado a tecnologia de trabalho remoto necessária se adaptaram com mais facilidade, como muitas vezes as empresas multinacionais já acostumadas a gerenciar equipes virtuais com necessidades diversas.

Mesmo assim, o bloqueio foi um choque para a maioria dos funcionários. Poucos estavam prontos para começar a realizar todo o seu trabalho em casa, muito menos administrá-lo em circunstâncias distantes das ideais – como crianças para cuidar e educar, ou proteger parentes para sustentar, sem falar em problemas de saúde para administrar. Sem surpresa, isso costumava ser uma luta. O que mais surpreende até agora foi a rapidez com que as pessoas se adaptaram, muitas vezes encontrando maneiras mais eficientes de organizar seu tempo.

Até agora, parece haver pouca evidência de queda na produtividade. Isso é muito difícil de medir devido aos efeitos econômicos da pandemia. Pode estar ai uma constatação importante para os empregadores – que o trabalho bem administrado em casa, escolhido e não imposto às pessoas, tornará o trabalho mais eficiente e produtivo.

Repensando o escritório…

Tudo isso está levando os empregadores a pensar sobre como seus espaços de trabalho podem ser usados ​​de forma diferente e mais eficaz. Os escritórios podem ser um espaço para reuniões e pensamentos de grupo, enquanto as casas se tornam o local de trabalho produtivo e tranquilo.

Ao repensarmos o escritório, isso oferece uma oportunidade de considerar como queremos que nossas cidades sejam – e como elas podem se tornar espaços mais inclusivos, seguros e verdes. Crucialmente, podemos fazer isso ao torná-los espaços onde o trabalho é organizado de forma mais eficiente. Este pode ser um momento único para esta geração fazer mudanças positivas.

A hora de reinventar os espaços comerciais é agora

Percebemos que o corona vírus mudou fundamentalmente o mercado de locação para um território desconhecido, e é hora de começar a pensar em maneiras criativas de reposicionar propriedades de varejo, restaurantes, hotéis e escritórios que correm o risco de perder inquilinos permanentemente.   Acreditamos que de maneira geral, o mercado não está totalmente pronto para enfrentar o fato de que as coisas estão mudando mais do que gostaríamos de admitir, penso que estamos um pouco atrasados ​​em termos de visão de futuro sobre o que podemos fazer para redirecionar os espaços conforme saímos da pandemia.

Precisamos pensar em maneiras de transformar imóveis comerciais vazios, e pensar criativamente sobre como reinventar espaços para continuar gerando receita após um êxodo em massa de inquilinos tradicionais e pouca ou nenhuma atividade de locação esperada no futuro próximo. Nos últimos meses tenho aconselhando incorporadores e outras partes interessadas sobre como reaproveitar propriedades existentes. Hoje existe uma demanda muito grande para definição de que maneira pode existir um reaproveitamento dos mais diversos tipos de imóveis comerciais.

Um exemplo são os hotéis que estão praticamente prontos para serem reaproveitados para outros usos, já que a ocupação caiu para menos de 10% em algumas unidades no início da pandemia, e hoje muitos proprietários não tem demanda suficiente para trazer de volta pelo menos metade de seus funcionários. Atualmente, 64% dos empreendimentos hoteleiros estão fechados no Brasil, sendo 62% dos econômicos, 58% dos midscale, 53% dos upscale e 93% dos resorts, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis. De modo geral, os sinais de recuperação da hotelaria ainda são tímidos em todo o Brasil.

O varejo também provavelmente terá uma infinidade de oportunidades de reaproveitamento. O setor já perdeu muitas lojas desde que a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil, 716.000 empresas fecharam as portas, de acordo com a Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e publicada na quinta-feira (16/07). A cifra corresponde a mais da metade de 1,3 milhão de empresas que estavam com atividades suspensas ou encerradas definitivamente na primeira quinzena de junho, devido à crise sanitária. Do total de negócios fechados temporária ou definitivamente, quatro em cada 10 (um total de 522.000 firmas) afirmaram ao IBGE que a situação deveu-se à pandemia. O levantamento mostra que o novo coronavírus teve um impacto negativo em todos os setores econômicos, mas afetou especialmente o comércio (39,4%) e serviços (37%), principalmente no caso das pequenas empresas. 99,8% dos negócios que não voltarão a abrir as portas depois da crise da covid-19 são de pequeno porte.

De acordo com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a média de empresas que fecham a cada da ano é de 10%, o que corresponde a cerca de 600.000 negócios —número menor do que as mais de 700.000 empresas que fecharam até a metade de junho. Os espaços de varejo menores provavelmente voltarão com novos inquilinos, mas o varejo grande ou ativos maiores enfrentam a perspectiva de ter que reposicionar seus espaços. O lado positivo, esses espaços maiores é ter uma disponibilidade atraente de metragem quadrada para fins de distanciamento social.

No futuro podem ser reativados com a criação salas de conferência grandes o suficiente para que as pessoas possam se distanciar efetivamente no futuro.  No passado, tal medida seria considerada espaço desperdiçado, é mais seguro ter uma sala de conferências três vezes maior que antes, com o mesmo número de ocupantes. Sua outra ideia seria usar espaços vazios de grandes lojas para servir como cozinhas centrais e pontos de entrega para vários restaurantes – muitos dos quais precisarão de menos espaço independente e localizações mais centralizadas para seus serviços de entrega.  Outra vantagem é que são geralmente estão localizados em centros populacionais, conectados a serviços públicos e têm grandes estacionamentos com vários pontos de entrada e saída.

Varejistas e restaurantes também terão que pensar em maneiras de criar distanciamento social com mais clientes esperando do lado de fora para entrar nas lojas, ao mesmo tempo em que aceitam o desafio que vem com o aumento dos serviços de “Tele entrega” e “Pegue e Leve”. Imaginar todas essas mudanças é uma coisa, mas colocá-las em prática leva tempo, então o processo de reinvenção do brainstorming começa agora, as vezes dependendo da cidade converter uma propriedade de um uso para outro pode exigir uma mudança de zoneamento.  Quando isso é necessário pode levar de dois meses a um ano, mas neste ambiente incerto, as prefeituras podem estar mais abertas para apoiar mudanças de zoneamento que permitiriam a reutilização adaptativa, em vez de ver os edifícios permanecerem vazios.

Mas tenha em mente, porém, que as cidades estão também enfrentando seu próprio aperto de cinto e estão procurando maneiras de manter a base tributária, fortalecer a economia local e apoiar o crescimento do emprego.

Os estudos de Harvard trazem dados de como estamos trabalhando agora e o que isso significa para os escritórios

Agora estamos profundamente envolvidos no experimento de trabalho em casa que, além da especulação, temos dados sobre o que acontece quando trabalhamos remotamente em massa – o que ganhamos e o que perdemos quando estamos fora do escritório.  Pesquisadores da Universidade de Harvard conduziram dois estudos, um  rastreando os e-mails e calendários digitais  de mais de 3 milhões de funcionários em todo o mundo e o outro  pesquisando quase 700 funcionários de escritório nos Estados Unidos. Os dados e as percepções que os dois estudos geraram são importantes na tentativa de avaliar como as pessoas e empresas usarão o espaço de escritório no futuro. Aqui está o que eles mostraram. 

Estamos trabalhando mais Muito mais.

O dia de trabalho médio é 49 minutos a mais, mostrou um estudo liderado por Evan DeFilippis de Harvard, baseado na agregação de quando as pessoas enviaram o primeiro e o último e-mail do dia. A pesquisa mais qualitativa, conduzida por Ethan Bernstein, de Harvard, descobriu que nas semanas imediatamente após o bloqueio, cerca de metade dos entrevistados trabalhava mais de 10 horas por dia, em comparação com apenas 20% antes do bloqueio. Esse número caiu, mas os entrevistados ainda relataram uma jornada de trabalho 10% a 20% maior.

Mais reuniões mais curtas

De acordo com o estudo em larga escala das práticas de trabalho, após o bloqueio, estamos tendo mais reuniões, uma média de mais uma por dia por pessoa, em parte porque cada reunião costuma ter mais participantes. Mas a duração média dessas reuniões caiu 17%, ou 12 minutos. O resultado: no geral, as pessoas gastam menos tempo em reuniões. O tempo total gasto em reuniões está diminuindo a cada semana, descobriu o estudo, o que pode estar relacionado às respostas na pesquisa, na qual a maioria dos entrevistados descobriu que conseguia ser mais produtiva.

Não é totalmente livre de estresse, mas quase

“Desde que o trabalho totalmente virtual começou, o estresse dos funcionários, as emoções negativas e os conflitos relacionados à tarefa vêm caindo constantemente; cada um caiu pelo menos 10% ”, escreveram Bernstein e seus co-autores. “Ao mesmo tempo, os funcionários experimentaram uma melhoria de aproximadamente 10% na autoeficácia e na capacidade de prestar atenção ao trabalho.” Os pais inevitavelmente achavam a vida em casa a mais difícil, dadas as dificuldades de cuidar dos filhos e trabalhar ao mesmo tempo.  Quem é mais adequado para trabalhar em casa Houve uma descoberta surpreendente no que diz respeito ao tipo de pessoa mais adequada para trabalhar em casa. A expectativa dos autores da pesquisa era que os introvertidos achassem mais fácil. Mas, na verdade, descobriu-se que o melhor indicador era a empatia e a simpatia – pensar nos sentimentos dos outros era o melhor indicador de quem se sairia melhor trabalhando em casa. Mesmo quando não está em contato físico com outras pessoas, pensar nelas é uma habilidade fundamental. Por outro lado, aqueles com tendência a serem neuróticos acham mais difícil trabalhar em casa, sem a garantia regular que vem de estar perto de colegas. 

Os autores da pesquisa apontaram que houve muitos experimentos de trabalho de casa que falharam. O que tornava esse tempo diferente era o fato de que todos tinham que fazer ao mesmo tempo. Isso significava que as empresas implementavam a tecnologia e as estruturas certas e não havia uma “classe inferior” de trabalhador digital ausente no escritório, algo a ser evitado a todo custo para que o trabalho flexível seja bem-sucedido.

Colaboração ativa, mas é o tipo certo?

Por causa do aumento do tráfego de e-mail necessário para trabalhar em casa, a colaboração entre colegas próximos aumentou em 40%, descobriram Bernstein e seus co-autores. Mas a colaboração entre pessoas que trabalham juntas, mas não como colegas imediatos, diminuiu 10%, e isso é importante. Os “laços fracos” entre esse tipo de colegas são importantes para ajudar as empresas a inovar. Schmoozing é importante Os autores da pesquisa também apontaram que a interação digital, por e-mail ou vídeo, deixa menos espaço para conversa fiada, uma parte crucial da vida no escritório. Essas interações fabulosas na cozinha ou no bebedouro provavelmente não levarão uma equipe a inventar o próximo Google, mas geram confiança, o que é importante para manter as organizações funcionando.

Evite o pior de todos os mundos

As empresas estão atualmente avaliando se devem trazer todos de volta ao escritório, mantê-los em casa ou, mais provavelmente, criar um híbrido dos dois. Esta última opção deve ser tratada com cuidado, no entanto, principalmente no que diz respeito a evitar a criação de um sistema onde aqueles que trabalham em casa estão fora de vista, tão longe da mente, reduzindo-os ao status de segunda classe. Dadas as necessidades de distanciamento social – máscaras, pessoas precisando se espalhar, áreas comuns reduzidas -, há uma chance de as empresas perderem alguns dos benefícios ao trazerem as pessoas de volta ao escritório, pelo menos no curto prazo.

Como as melhores empresas estão pensando

Bernstein e seus coautores descrevem como algumas empresas inovadoras estão pensando sobre o mundo do trabalho no futuro. O principal a ser observado para proprietários de escritórios é que muitos líderes de empresas pesquisados ​​estão “conceituando o espaço de escritório como um complemento do trabalho virtual, em oposição ao padrão para o local onde as pessoas trabalham”, disseram os autores. “Isso está permitindo que eles não apenas reduzam substancialmente sua pegada (e custo) imobiliária, mas também redirecionem o propósito dos espaços físicos para o que eles oferecem de forma única: a capacidade de criar laços fracos e conversas inesperadas.”

Mike Phillips – Bisnow

OS ESCRITÓRIOS ESTÃO PRESTES A CAUSAR UMA EXPLOSÃO NA PRODUTIVIDADE

A maneira como trabalhamos mudou além da compreensão nos últimos 200 anos. Mas a maneira como usamos os escritórios ainda é praticamente a mesma.Houve mudanças no design: escritórios individuais fechados eram a norma, os cubículos chegaram e agora desapareceram em grande parte, e hoje o escritório aberto e o trabalho ágil reinam supremos. Mas a idéia de um lugar onde você viaja para trabalhar, nove horas por dia, cinco dias por semana, não mudou desde que a idéia foi inventada durante a Revolução Industrial. Até agora. 

“Os processos ficam travados no local: a única razão pela qual as escolas têm férias de verão tão longas é porque as crianças costumavam ir e ajudar a trazer a colheita”, disse Nick Bloom, professor de economia da Universidade de Stanford . “As idéias podem ser muito difíceis de mudar. Mas acho que poderemos ver uma explosão no crescimento. ”

A maneira como usamos os escritórios está no centro disso.

Os escritórios estão prestes a causar uma explosão na produtividade

Cortesia de Convene

A maneira como as empresas usam os escritórios já estava mudando, e essa mudança só foi acelerada pela pandemia de coronavírus e a mudança para o trabalho doméstico que impôs ao mundo. Portanto, o espaço do escritório terá que mudar para refletir o modo como as empresas estão trabalhando agora.Especialistas acreditam no futuro, as empresas vão querer menos espaço, mas melhor espaço. Eles desejam um espaço que permita que equipes diferentes da empresa atinjam objetivos diferentes, com o ambiente físico ajudando os objetivos da empresa. O espaço do escritório precisará reunir perfeitamente os que trabalham no prédio e os que  trabalham em casa .

As empresas vão querer experimentar diferentes ambientes físicos, testando e testando da mesma forma que em um novo site. Os proprietários, desenvolvedores e operadores de escritórios precisarão fornecer a infraestrutura e a tecnologia físicas que permitem que tudo isso ocorra. Aqueles que o fizerem ajudarão as empresas a aproveitar esse potencial crescimento de produtividade e provavelmente serão ricamente recompensados. 

Para a Bloom, especialista em produtividade e nos fatores que a influenciam, a mudança na maneira como trabalhamos e como usamos os escritórios é semelhante à mudança que ocorreu nas fábricas quando trocaram a energia a vapor pela eletricidade. Demorou décadas para que os aumentos de produtividade fossem vistos , não porque os proprietários das fábricas não quisessem mudar do vapor para a eletricidade, mas porque demorou muito tempo para descobrir como as fábricas e o processo de produção deveriam ser organizados para aproveitar as vantagens. nova tecnologia. As empresas tiveram que mudar de forma, assim como os edifícios que ocupavam. 

“[O economista ganhador do Prêmio Nobel] Robert Solow disse que, nos anos 80, é possível ver computadores em todos os lugares, exceto nos números de produtividade”, disse Bloom. “Não vimos o milagre que a TI deveria produzir, mas novas maneiras de trabalhar, aceleradas pelo COVID-19 , poderiam estimular isso. Agora, temos os processos e a tecnologia em funcionamento para poder trabalhar com flexibilidade e aumentar a produtividade. ” 

Bloom vê o coronavírus acelerando a tendência de os funcionários trabalharem remotamente, em casa ou em pequenos escritórios satélites longe das sedes do centro da cidade, como empresas que podem ter duvidado da sabedoria dessa prática. As empresas tiveram que se reorganizar, pelo menos temporariamente, de maneira a abraçar a flexibilidade, e a Bloom acredita que aqueles que a mantiverem terão aumento de produtividade a longo prazo. Espera-se que a combinação de trabalho no escritório e em casa reduza os elementos ineficientes da vida no escritório: deslocamentos estressantes, padrões rígidos de trabalho e reuniões desnecessárias.

por Mike Phillips

Hub e clube: o próximo passo na personalização do local de trabalho

Em meio à mudança de estilos de trabalho e à evolução das expectativas em relação ao ambiente do escritório, as empresas estão explorando modelos alternativos para além de grandes escritórios centrais corporativos densamente compactos.

Com espaços não territoriais agora comuns em muitos escritórios, juntamente com uma crescente mudança para horários flexíveis e maior uso da tecnologia para conectar equipes, modelos como Hub & Club estão se tornando mais viáveis ​​- e atraentes.

“Definitivamente, há mais discussões sobre o Hub & Club entre empresas de todos os tamanhos nos últimos meses”, diz Sunica Monard, desenvolvedora de negócios de estratégia de espaço de trabalho da JLL.

“O COVID-19 indubitavelmente levou algumas organizações a repensar seus portfólios, mas já havia um reconhecimento crescente de que o envolvimento dos funcionários e o fornecimento dos espaços certos de acordo com os processos organizacionais eram fundamentais. Com o aumento das políticas de coworking e trabalho em casa nos últimos anos, algumas empresas já tinham espaço em escritórios compartilhados ao lado de sua sede ”.

Agora, muitas grandes empresas também estão considerando adotar essa abordagem. Em abril, o CEO do Barclays, Jes Staley, disse: “Haverá um ajuste de longo prazo na forma como pensamos sobre nossa estratégia de localização … a noção de colocar 7.000 pessoas em um prédio pode ser uma coisa do passado.”

O espaço certo para o trabalho

Muitas empresas com vários andares em um prédio já possuem estratégias no local de trabalho que definem espaços adequados para atividades sociais e colaborativas, concentram o trabalho e se reúnem com funcionários que se deslocam de acordo com o tipo de trabalho com o qual estão ocupados. O modelo Hub & Club oferece às organizações a oportunidade de oferecer esse nível de escolha e flexibilidade a seus funcionários, além da adoção das políticas Trabalhar em Casa, mas também oferece a oportunidade de um terceiro espaço intermediário entre a casa e a casa principal. HQ ou campus.

“A experiência da COVID-19 provou que os profissionais do conhecimento realmente têm a capacidade de adaptar suas formas de trabalhar e que precisamos estar prontos para maximizar as lições aprendidas nos últimos meses”. diz Monard. “Agora estamos prestes a mudar as coisas; a primeira pergunta é agora qual é a tarefa em questão, então a segunda pergunta é onde é melhor realizar essa tarefa? Não o contrário.”

O clube é onde acontecem as grandes reuniões internas e voltadas para o cliente – semelhantes em estilo e atmosfera a muitos dos estabelecimentos privados que surgiram nos últimos anos em muitas cidades globais. Com localização central, eles têm espaço limitado na mesa e são projetados para incentivar a interação social, apoiar o aprendizado e o compartilhamento de conhecimentos, além de promover a marca da empresa.

Os hubs, por outro lado, oferecem aos funcionários a opção de evitar o deslocamento total, enquanto ainda têm a oportunidade de sair de casa. Localizados fora dos principais distritos comerciais, os funcionários podem reservar uma variedade de espaços sob demanda e acessar as instalações usuais de escritório, como salas de reuniões, vagens e áreas de descanso.

“O centro e o clube precisam se apoiar – mas os hubs não são postos secundários”, diz Monard. “Em vez disso, cada um deles oferece um espaço adequado para não apenas facilitar o tipo de trabalho que um funcionário precisa realizar em um dia específico, mas também acomodar um equilíbrio entre vida profissional e trabalho que não é oferecido a muitos pré-COVID.”

Os hubs podem ser mais acessíveis que os prédios do centro da cidade e reduzir a quantidade de tempo gasto no deslocamento – um dos principais fatores que cerca de metade das pessoas desfrutou enquanto trabalhava em casa durante a pandemia de coronavírus, de acordo com a pesquisa da JLL .

Encontrando um equilíbrio

Com os futuros surtos de COVID-19, é uma possibilidade real: proteger a equipe é essencial – e espalhar funcionários em vários sites pode ajudar no distanciamento social e limitar o número de pessoas com quem eles entram em contato, sem mencionar a possibilidade de reabrir alguns sites se outros estão fechados para limpeza profunda.

A longo prazo, as empresas também podem achar que têm uma maior variedade de talentos para explorar, pois a localização dos funcionários pode se tornar menos importante.

“Mais do que nunca, as pessoas querem trabalhar para empresas prospectivas que oferecem flexibilidade e criam uma experiência positiva no local de trabalho”, acrescenta Monard.

“Sabemos que as pessoas gostam de entrar no escritório para a interação social, mas a localização ainda é um fator chave. A pandemia mostrou às pessoas que é possível ter mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal, para que não desejem passar horas todos os dias apenas entrando no escritório. ”

No entanto, existem desafios para a implementação de um modelo de Hub e Clube. Os funcionários podem morar em uma área ampla, especialmente em grandes áreas metropolitanas densamente povoadas e as conexões de transporte público podem ser difíceis se não forem para o centro.  

“Empresas de grandes capitais como Londres ou Paris podem achar que identificar o local certo para esses novos locais de trabalho é uma luta”, explica Monard. “O cenário ideal é a combinação de um clube bem localizado, próximo a um importante transporte público e uma série de sites menores, que oferecem comodidades sofisticadas em uma fração do trajeto”.

Pode ser cedo para o modelo Hub & Club, mas Monard acredita que ganhará força à medida que as empresas reavaliarem suas necessidades de espaço e continuar a se concentrar na criação de locais de trabalho envolventes e colaborativos, adequados às próximas expectativas normais dos funcionários.

“As pessoas querem cada vez mais trabalhar de acordo com suas necessidades e preferências e as empresas precisam encontrar maneiras de facilitar isso, para que tirem o melhor proveito de seus funcionários”, conclui ela.

Texto original JLL – Reino Unido

Será o fim dos micro apartamentos?

Nos últimos anos, as micro apartamentos têm sido um grande sucesso no mercado dos imóveis residenciais. À medida que a demanda por moradias em bairros descolados crescia, especialmente nas grandes cidades, os empreendedores imobiliários apostaram que os jovens compradores aceitariam morar em pequenas unidades – algumas tão pequenas que lembram mais um quarto de hotel – pela chance de viver em bairros legais e bem localizados com preços finais acessíveis. O custo do m² costuma ser mais caro que os apartamentos convencionais, mas pelo tamanho reduzido acaba valendo a pena. Os empreendedores observaram que os jovens profissionais querem estar perto do trabalho e dos locais de socialização, como restaurantes, bares, mercearias, lojas, parques e locais de música. Estes projetos tiveram enorme sucesso em função da proposta de viver em espaços mais práticos e cheio de facilidades. Agora, porém, alguns especialistas do setor imobiliário se perguntam se o Corona vírus matará, ou pelo menos prejudicará, o conceito. O distanciamento social é a antítese do estilo de vida que os micro apartamentos, promovem. Com bares e restaurantes fechados e trabalhos remotos ganhando mais aceitação, os compradores podem ver menos razões para permanecer neste tipo de unidade. Na verdade parte do sucesso do conceito se deve ao fato de as unidades terem sido projetadas do zero com a convivência em mente.

Porém o sucesso deste tipo de conceito depende muito do bairro a onde ele está inserido. Funciona bem em lugares onde há um cenário próspero de restaurantes e vida noturna, que cedo ou tarde vão voltar a funcionar. Estes projetos estão em zoneamentos que permitem um aproveitamento mais otimizado do terreno, desta forma permitindo que os incorporadores possam construir projetos mais densos e com pouco estacionamentos.  Pequenos apartamentos são feitos há gerações nas grandes cidades, na nossa opinião enquanto tivermos uma demanda alta por moradias bem localizadas, a tendência continua.

A mudança de paradigma

Especialistas em saúde pública alertam para a expectativa de futuros surtos até encontrarmos um tratamento ou vacina sustentável para o COVID-19. Vimos como nossa economia e sistemas podem ser frágeis e, no entanto, a flexibilidade dos empregadores corporativos para acomodar o trabalho remoto desde que a disseminação do vírus criou uma linha de vida para as empresas em todo o mundo.

Arranjos de trabalho flexíveis permitem que os funcionários cuidem de seus filhos e familiares idosos, realizem mais em casa durante a semana e economizem em custos de deslocamento. A flexibilidade não será mais um bônus ou comodidade extra daqui para frente – será uma necessidade.

Os empregadores têm uma gama de opções para integrar a flexibilidade em benefício de seus funcionários. Planejar um espaço que ofereça suporte aos funcionários que trabalham em casa fornecerá uma conveniência para os funcionários, mas também reduzirá potencialmente o custo de ocupação para os empregadores. Isso requer uma infraestrutura de TI ágil e, como já mencionado, espaços de apoio, como salas de videoconferência que mantêm os trabalhadores em casa e no escritório conectados.

Mas a flexibilidade no espaço em si pode dar aos trabalhadores mais e muito necessário espaço para respirar neste momento. As configurações baseadas em atividades que oferecem vários espaços para uso, dependendo do humor, necessidade ou tarefa, permitem que os funcionários realizem o trabalho no ambiente que escolherem. E numa época em que muitos trabalhadores de casa disputam crianças, parceiros e espaço limitado, o que poderia ser mais reconfortante durante o dia de trabalho do que isso?

Embora não exista solução mágica ou ambiente de trabalho perfeito, a crise atual oferece oportunidades para remodelar o local de trabalho e criar espaços significativamente centrados na experiência humana. As pandemias anteriores trouxeram mudanças profundas para o design em muitas áreas, desde o planejamento das cidades até o acabamento dos banheiros. Mas talvez nunca tenhamos visto uma urgência tão grande para o escritório corporativo se adaptar ou ficar para trás. A adaptação das mudanças no local de trabalho para a mentalidade pós-COVID enfrentará os desafios que enfrentamos agora e criará mais resiliência para as empresas no futuro. A adversidade é inevitável, mas uma interrupção significativa do mercado não precisa impedir você de aproveitar a oportunidade. Agora é o momento ideal para adotar um próximo passo.

5 tendências que a pandemia inseriu no mercado residencial

24/06/2020
Por Henrique Cisman
/Smartus

No final de março, o Brasil começava a se acostumar com novas rotinas inseridas pela pandemia do novo coronavírus. A primeira delas foi a transição do trabalho para o lar, quando autoridades de saúde e governos impuseram o confinamento como medida para combater o avanço da doença.

Ao mesmo tempo, o mercado imobiliário percebeu que precisava de alternativas aos estandes de venda para dar continuidade nos negócios e minimizar os impactos daquilo que já se desenhava como a próxima recessão econômica. A transformação passava não somente pelo uso de tecnologias como também pela evolução nos órgãos de fiscalização e controle e, ainda, pela digitalização dos cartórios.

Confirmando o movimento de política monetária visto nos últimos dois anos, a queda na atividade econômica impulsionou cortes mais agressivos na taxa básica de juros do país a fim de aquecer a demanda ao baratear o crédito. Como consequência, a Selic nos menores patamares da história fez com que os imóveis se tornassem ativos mais atraentes para investimento, em detrimento da renda fixa. 

Todos os pontos mencionados acima apontam para tendências – algumas novas, outras não – que a pandemia trouxe ou reforçou no mercado residencial brasileiro.

1. A volta por cima da casa própria

Esta certamente é uma tendência que perdera força nos últimos anos até a chegada da Covid-19. Se antes o sonho da casa própria era argumento até para campanhas publicitárias de bancos, além, é claro, das próprias incorporadoras, o alto investimento e o longo endividamento necessários para aquisição do bem vinham colocando a casa própria em segundo plano. 

Até então, estava em curva de alta a modalidade de locação, mesmo para pessoas ou famílias de mais alta renda. A lógica era: por que investir tanto e fazer uma dívida relativamente longa se consigo obter rendimentos melhores com outras aplicações enquanto tenho maior liberdade para mudanças e experiências?

Nos últimos meses, entretanto, a necessidade de confinamento fez retornar o lado patrimonialista do brasileiro, inclusive dos millennials, público mais acostumado a mudanças e grande responsável por inserir novos paradigmas no mercado imobiliário. Mais do que o desejo de ter seu próprio imóvel, ficou inviável pagar por serviços que sequer podem ser utilizados por tempo indeterminado, vide os espaços compartilhados em apartamentos compactos.

Não estamos dizendo que o mercado de locação vai minguar, mas é fato, por outro lado, que a casa própria ganhou novo status de objetivo primordial para as pessoas.

2. Mais tecnologia, menos stands

A inserção de tecnologia no mercado imobiliário não é uma tendência nova, mas certamente ganhou proporções inimagináveis depois que a Covid-19 chegou ao Brasil. Hoje, já não é mais possível direcionar todos os investimentos para o mercado offline. Primeiro, pelas restrições que vão perdurar até que se encontre uma cura para a doença; segundo, porque os consumidores estão cada vez mais habituados ao ambiente online, um caminho que parece não ter volta.

Enquanto o isolamento social perdurava em todos os estados e municípios, incorporadoras correram para acelerar a transformação digital e investiram pesado em tecnologias de visualização virtual de imóveis e ferramentas de assinatura eletrônica, para citar apenas dois exemplos dentre os mais comuns. 

Ainda, mesmo após a reabertura parcial da economia, incluindo imobiliárias e estandes de venda, não se viu um retorno massivo dos clientes, bem como as próprias incorporadoras não parecem tratar com tanta urgência a adaptação dos pontos físicos de vendas às exigências sanitárias, um indicativo de que o ambiente digital realmente já toma seu espaço. 

Em São Paulo, no primeiro final de semana após autorização para reabertura dos estandes, apenas 60% dos locais voltaram a funcionar, de acordo com levantamento realizado pela imobiliária Brasil Brokers. 

3. Agilidade e desburocratização nos cartórios

Esta sim é uma tendência que deve graças à pandemia. Por mais tecnologia que já houvesse à disposição, os cartórios ainda não ofereciam, por exemplo, a opção de assinar digitalmente os documentos para realizar uma escritura de imóvel. Com a limitação do atendimento, ficou claro que era necessário dar este passo, pois, do contrário, a queda no faturamento seria gigante. 

De acordo com levantamento realizado pela Smartus no fim do mês de maio, em pelo menos nove estados já é possível realizar uma compra e venda de imóveis de forma 100% online: São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Tocantins e Rio Grande do Norte.

Mesmo quando a Covid-19 for apenas mais uma dentre as doenças virais com as quais a humanidade consegue lidar, é muito improvável que haja retrocesso e os cartórios voltem a exigir deslocamento físico para assinatura dos documentos. Em outras palavras, neste aspecto o mercado imobiliário também experimenta um caminho sem volta.

4. Imóveis maiores e descentralizados

Assim como a busca pela casa própria ganhou força com a pandemia, imóveis maiores saíram do quase esquecimento para um lugar de protagonismo. Com mais tempo em casa e a transição do trabalho para home office, naturalmente as pessoas começaram a olhar por outros ângulos para a maior necessidade de espaço.

De acordo com o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo, Basílio Jafet, aumentou a procura por imóveis com um cômodo extra. Em entrevista recente à Smartus, a redatora-chefe da revista Casa Vogue, Marianne Wenzel, comentou que essa procura ocorre “justamente pela necessidade de ter margem para acomodar a família nesses períodos mais confinados”, os quais provavelmente sejam intermitentes a partir de agora.

Ainda, outra tendência é a descentralização imobiliária, fenômeno conhecido como êxodo urbano – já registrado em cidades como Nova York e países como Peru, Índia, Costa do Marfim e Quênia. De acordo com dados do Grupo Zap, houve aumento expressivo na busca por imóveis no interior de São Paulo nos primeiros cinco meses de 2020. Nas cidades a mais de 100 km da capital, a procura subiu 340% entre maio e janeiro deste ano.

5. Maior demanda por imóveis como investimento

Finalmente, mas não menos importante, os imóveis tendem a ganhar visibilidade enquanto ativos para investimento diante do cenário macroeconômico do país, com a Selic em 2,25% ao ano. Isso porque aplicações em renda fixa – como poupança ou CDBs – já apresentam rendimento real equivalente ou até inferior à inflação. 

Como os recursos dos brasileiros estão praticamente todos em renda fixa, deve haver uma migração considerável para ativos mais rentáveis, dentre eles, fundos de investimentos imobiliários e aquisição direta de imóveis, para pessoas com maior disponibilidade financeira.

Pelo menos nos próximos dois anos, não há qualquer indicativo de que a taxa Selic retorne a patamares que façam valer a pena o investimento em renda fixa. Logo, esta é outra tendência – bastante positiva, aliás – para o mercado imobiliário.