Airbnb compra empresa de aluguel de imóveis mobiliados

Por Ivan Ryngelblum, Valor — São Paulo

Airbnb compra empresa de aluguel de imóveis mobiliados

Getty Images

O serviço de aluguel de quartos e imóveis Airbnb anunciou hoje que adquiriu a Urbandoor, empresa de aluguel de imóveis mobiliados por longos períodos. O valor da transação não foi divulgado.

Em comunicado divulgado em seu blog, o Airbnb informou que a aquisição fortalecerá a divisão de aluguéis de imóveis para o setor corporativo, o “Airbnb for Work”. Segundo a empresa, a Urbandoor possui apartamentos em mais de 1,5 mil cidades em cerca de 60 países.

O Airbnb fechou uma série de aquisições e investimentos nos últimos anos para diversificar suas ofertas de imóveis. Em março, a empresa comprou o site de reservas de quartos de hotéis Hotel Tonight e em abril ela divulgou que investiu na startup de reservas de quartos de hotéis indiana Oyo Hotels & Homes.

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Um passo adiante para o Mercado Imobiliário

O mercado Imobiliário está mudando, embora não seja rápido devido à sua complexidade. Big data, inteligência artificial, mobilidade inteligente e novas maneiras de conectar pessoas terão um impacto enorme no futuro do mercado Imobiliário. Além disso, as inovações sociais (mais inteligência no trabalho, gestão dinâmica e organização flexível), mentalidade e cultura serão grandes desafios para as empresas do setor se atualizarem.

A inovação começa com a utilização de tecnologia já disponível. Assim, quem mais cedo se adequar estará em vantagem para o sucesso. Aqueles que tiverem agilidade nesta adequação irão se sobressair, e estarão entre os vencedores do futuro. A tecnologia já existe e vai criar novas oportunidades ainda mais rápido. Não esqueça que o mercado imobiliário atual já tem 35% dos seus clientes da chamada Geração Y – ou millennials. Nascidos entre os anos de 1981 e 2000, esses jovens são filhos da tecnologia e de um mundo globalizado, sem fronteiras. O berço dos millennials foi cercado por avanços tecnológicos e tendências globais. Justamente por terem nascido numa era de transição, essa geração não teme mudanças. Inclusive a mudança é adotada voluntariamente em seu estilo de vida.

Embora exista um certo ceticismo ainda presente em algumas empresas do setor na utilização de inovações tecnológicas, pois sempre atuaram maneira pragmática e obtiveram sucesso assim, o caminho é irreversível. Nós acreditamos que agora seja o momento ideal da ruptura dos modelos tradicionais para um novo, mais tecnológico. As inovações tecnológicas e a sustentabilidade serão fatores-chave para a geração de valor nos imóveis. Alguns softwares de gestão e vendas já são amplamente utilizados em mercados mais maduros como a Europa e os Estados Unidos.  Cito alguns exemplos abaixo:

O SweepBright evolui o processo de vendas para uma transação totalmente digital integrando diversos sistemas imobiliários tais como DotLoop, WebMerge e DocuSign.

O OSRE WoningDossier torna a venda ou locação de imóveis mais eficiente. Graças a funções úteis e algoritmos inteligentes, automatiza a transação imobiliária de A á Z. Desde encontrar e gerenciar candidatos até assinar o contrato. Um sistema de fácil utilização em que todos os envolvidos trabalham juntos.

A Calcasa é um app independente. A Calcasa desenvolveu o modelo de avaliação automatizada(AVM) que fornece uma estimativa do mercado aberto atual e do valor das propriedades baseadas em vendas comparáveis e técnicas de regressão hedônica. As avaliações de casas e carteiras podem ser entregues em questão de segundos e são acessíveis através de uma variedade de fontes agilizando o processo de vendas.

Em fim existe uma gama imensa de ferramentas já em uso, que adaptadas a nossa realidade podem nos ajudar a dar o próximo passo, adicionando tecnologia ao seu modelo de negócios atual.

“Vale a pena manter um imóvel como investimento?”

Tenho dois apartamentos: um onde moro e outro para investimento, de cerca de R$ 490 mil. Não sei se alugo o segundo apartamento ou vendo para investir o valor. Se eu vender, quais seriam os investimentos mais indicados?”

Primeiramente, é extremamente importante ter em mente que toda recomendação de investimento deve ser avaliada de acordo com o perfil específico de cada investidor, considerando não somente sua tolerância ao risco como também sua capacidade de aceitar riscos, a qual engloba diversas variáveis como objetivos, prazos, necessidades e familiaridade.

Além disso, no caso ora analisado, faz-se necessário compreender que o aluguel de imóveis em geral, quer seja como forma de receita de investimento, quer seja como item de despesa no orçamento, encontra um amplo espectro de variação financeira, de acordo, principalmente, com a localização do imóvel.

Apenas como um exemplo, de acordo com o informe de locação residencial do Índice FipeZap, amplamente utilizado no mercado, o preço médio de locação residencial teve variação acumulada positiva de 7,2% na cidade de Recife-PE, no decorrer do ano de 2018. No mesmo período, a variação acumulada do preço médio de locação foi negativo em 2,9% para a cidade de Fortaleza-CE.

Em dados de yield (rendimentos) absolutos, ainda de acordo com o informe do Índice FipeZap, o investidor teve um retorno bruto positivo em 2018 de 6,59% nos aluguéis em Recife, contra um retorno bruto negativo de 2,2% no mesmo período nos aluguéis em Fortaleza. Ou seja, muito embora ambas as cidades estejam na mesma Região Nordeste do país, observa-se uma diferença de quase 9,0 pontos percentuais no retorno acumulado médio de locação em 2018.

Dessa forma, é condição sine qua non conhecer o local exato do imóvel objeto da análise para que se alcance uma resposta mais objetiva.

Sendo assim, com foco em uma análise mais abrangente, tomemos como base a variação média dos preços de locação de imóveis em todo o país no ano de 2018. Ainda de acordo com os dados do FipeZap, o retorno acumulado médio de locação do período foi de 2,07%. Ou seja, levando-se em conta a média nacional, o retorno acumulado com rendimentos de aluguéis em geral não bateu sequer a inflação observada no mesmo período, que foi de 2,85%.

Além disso, é importante observar que o Indice Fipezap para transações de venda de imóveis foi de -0,38% no ano de 2018. Em outras palavras, avaliando-se o mercado imobiliário como um todo, a indicação é de que houve uma retração dos preços, o que pode ser traduzido como uma desvalorização dos imóveis em geral.

Ou seja, a se manter as condições atuais do mercado, se abstendo de uma análise macroeconômica futurista, pode-se afirmar que se o leitor optar por não vender o imóvel e continuar recebendo seus rendimentos de aluguel, ele fatalmente estará erodindo seu poder de compra.

Ressalte-se aqui que obviamente devemos acrescentar a essa análise variáveis específicas inerentes a cada imóvel, como o estado de conservação, as condições de mercado locais e a possibilidade de melhorias no entorno da localização.

Passemos à análise do que efetivamente poderia ser feito no caso de uma decisão favorável à venda do imóvel. Aqui cabe considerar que sobre tal venda incidirá o imposto de renda sobre eventual ganho de capital, que basicamente é calculado à alíquota de 15% sobre eventual lucro na operação.

No caso do leitor em questão, que afirma ter um imóvel como forma de investimento, é mais prudente trabalhar com a hipótese de que seja adepto de opções mais conservadoras, como títulos do Tesouro Nacional ou investimentos atrelados ao CDI, por exemplo.

Nesse contexto, no tocante aos títulos do Tesouro Nacional, os atrelados ao IPCA têm o condão de manter o poder de compra, e podem ser considerados como boas opções mais conservadoras. Se o leitor quiser incrementar um pouco mais o seu risco e apostar numa projeção de cenário futuro de queda de juros, pode investir nos títulos pré-fixados, que gerarão ganhos extras a se confirmar o cenário projetado.

Outra opção válida são os títulos atrelados ao Certificados de Depósito Interbancário – CDI. Comparando-se o rendimento de aluguéis de imóveis (um acumulado positivo de 2,07% no ano de 2018), com os investimentos atrelados ao CDI, que foram na média de 6,42% nesse mesmo período, observa-se claramente que do ponto de vista eminentemente financeiro, a manutenção do imóvel para aluguel foi desfavorável, já que o acumulado positivo de 2,07% no ano de 2018 corresponde a menos de 35% do CDI.

Obviamente há que se acrescer, por exemplo, o valor psicológico e comportamental da posse do imóvel em si, o que agrega indiscutível valor no campo da segurança por ocasião de uma análise responsável, a depender do perfil do investidor.

Não obstante a interpretação implícita de tratar-se de um investidor com perfil mais conservador, ainda não podemos, apenas com as informações disponíveis, descartar totalmente a hipótese de o investidor ser adepto de investimentos menos conservadores.

Nesse caso, não podemos deixar de mencionar que um dos investimentos inegavelmente mais lucrativos no momento é a Bovespa, que recentemente bateu seu recorde histórico.

Ocorre que a Bolsa de Valores, entre outras singularidades, é dotada de um altíssimo índice de volatilidade, e isso deve ser primordialmente levado em conta quando da opção de investimento dos recursos da venda do imóvel. Uma “montanha russa” que somente deve ser trilhada por investidores que tenham o perfil adequado.

Sendo assim, por todo o exposto, observa-se que se o investidor em questão quiser manter um nível de segurança compatível com a interpretação de seu perfil projetado, uma boa opção é se pensar em investimentos no Tesouro Nacional ou nos atrelados ao CDI, havendo no cenário econômico atual um leve deslocamento da balança de decisão na direção deste último. Caso o investidor esteja efetivamente inclinado a se manter conectado ao mercado imobiliário, uma alternativa eficiente seria investir através de Fundos de Investimento Imobiliários, podendo inclusive diversificar sua carteira com outros tipos de Fundos, como ETFs ou multimercados, obviamente sempre respeitando o perfil adequado e as singularidades de cada investidor.

POR: Daniel Gama – planejador financeiro  – Época Negócios

Confiança da construção volta a crescer; crédito da Caixa sobe 3,3%

Após três quedas consecutivas, o Índice de Confiança do Empresário da Construção voltou a subir em maio, alcançando 57 pontos em uma escala que vai de 0 a 100, e na qual se considera o setor como otimista quando acima dos 50 pontos. Na série histórica a partir de 2013, a média é de 53,3 pontos, tendo alcançado o ápice em dezembro do ano passado (63,7) e o mínimo no fim de 2015, em 35 pontos.

O indicador é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). De acordo com a pesquisa, ainda não se pode falar em retomada do setor, mas os números mostram a reversão do cenário negativo desenhado nos últimos meses.

A expectativa do nível de atividade das empresas também retomou o movimento de alta, embora mais tímida do que o Índice de Confiança, alcançando 54,4 pontos – ante 53,2 em maio e 53,6 em abril. O indicador chegou a 58,4 em janeiro.

Entretanto, os níveis de produtividade e emprego no setor permanecem ruins, abaixo dos 50 pontos, mas a construção civil vem empregando mais e aumentando a atividade desde janeiro – o que escancara a gravidade do cenário, que inclusive foi pauta de debate entre especialistas no Smartus Proptech Summit.

Para o segundo semestre, os empresários aguardam com otimismo a aprovação da reforma da Previdência, mesmo que razoavelmente modificada em relação à proposta original. Com relação às mudanças no Minha Casa, Minha Vida, não há grande preocupação, uma vez que as principais alterações vão impactar mais a faixa 1 do programa, há tempos estagnada. 

Caixa emprestou R$ 447 bilhões em crédito imobiliário

No início da semana, a Caixa divulgou o balanço fiscal do 1º trimestre de 2019, com um total de R$ 447,4 bilhões emprestados ao mercado imobiliário, o que representa um aumento de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Desse montante, R$ 270 bilhões são oriundos do FGTS, aumento de 10,9% em relação ao 1º trimestre de 2018. Os outros R$ 177,4 bilhões são de recursos da União (-6,5%) e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). 

A inadimplência apresentou leve alta em relação ao trimestre anterior, fechando em 2,47%, porém caiu no comparativo com o mesmo período do ano passado, quando era de 2,90%.

Fonte: SMARTUS GRI Company

Construção verde: o setor que vai oferecer milhões de empregos

Uma sequência de colinas, cobertas por flores nativas, suculentas e canteiros de morangos silvestres, se erguem ao redor de Scott Moran. Borboletas voam de flor em flor, enquanto ele observa um casal de falcões de cauda vermelha ensinando os filhotes a caçar no topo das montanhas.

Moran não está contemplando uma paisagem bucólica no campo. Na verdade, ele está em seu horário de almoço, no topo do prédio em que trabalha, no centro de São Francisco, nos Estados Unidos. O burburinho da agitação da vida urbana o cerca por todos os lados.

Ele trabalha na Academia de Ciências da Califórnia. O edifício conta com uma cobertura de 10 mil metros quadrados de “telhado vivo”, onde vivem cerca de 1,7 milhão de plantas, pássaros e insetos. O espaço foi meticulosamente projetado para estar entre um dos mais sustentáveis do mundo.

Painéis solares que circundam o “telhado vivo” fornecem 5% da energia do prédio, enquanto a água que escoa pelos canos dos banheiros também gera energia. Claraboias abrem e fecham automaticamente para ajudar a regular a temperatura no interior do edifício, enquanto a luz natural é usada para iluminar o máximo possível o ambiente.

Nos 15 anos em que trabalha na Academia, Moran ajudou a projetar, a construir e agora – como diretor sênior de exposições e arquitetura – a manter os sistemas sustentáveis do edifício. É o tipo de função que ele acredita que se tornará ainda mais importante no futuro.

“Está ficando cada vez mais claro que os edifícios precisam ser projetados e usados de forma a economizar o máximo de energia e água possível”, diz Moran.

“Isso requer uma tecnologia sofisticada e haverá muita demanda por profissionais com as habilidades necessárias para que isso aconteça.”

A construção de novos prédios sustentáveis, como esse em que Moran trabalha, deve gerar mais de 6,5 milhões de postos de trabalho até 2030, segundo previsões da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Depois da área de energia, este será o segundo setor que mais vai crescer no âmbito de empregos verdes nas próximas décadas.

Seja verde
Esse “boom” é resultado de uma necessidade cada vez maior de edifícios que consigam lidar com múltiplos desafios: cumprir as metas do acordo climático de Paris, custos crescentes de energia, escassez de água e aumento do risco de condições meteorológicas extremas. Tudo isso está levando a um movimento conhecido como construção verde.

Arquitetos, engenheiros e construtoras tentam criar edifícios que consumam o mínimo de eletricidade possível, gerem sua própria energia, reciclem água e sejam capazes de se aquecer ou resfriar sem necessidade de ar-condicionado ou aquecedor central.

As novas tecnologias estão ajudando a transformar residências e empresas em estruturas inteligentes e sustentáveis.

Em 2000, apenas 41 projetos de construção foram oficialmente classificados como edifícios verdes nos EUA. No ano passado, esse número saltou para mais de 65 mil. Em outros lugares do mundo, houve aumentos semelhantes – e essa é uma tendência que deve continuar.

“Governos de todo o mundo se comprometeram a limitar o aquecimento global a 2 °C como parte do Acordo de Paris”, lembra Terri Wills, presidente-executiva do World Green Building Council.

“Atualmente, os edifícios geram cerca de 38% das emissões globais de gases de efeito estufa relacionados a energia. Isso significa que não atingiremos a meta de 2 °C, a menos que todos os prédios se tornem mais sustentáveis em termos de construção e funcionamento”, diz Wills.

O Bosco Verticale é um modelo de edifício residencial sustentável em Milão, na Itália (Foto: Getty Images via BBC)

O BOSCO VERTICALE É UM MODELO DE EDIFÍCIO RESIDENCIAL SUSTENTÁVEL EM MILÃO, NA ITÁLIA (FOTO: GETTY IMAGES VIA BBC)

O próprio prédio em que ela trabalha, no centro de Londres, contém exemplos de recursos que podem se tornar padrão nos imóveis no futuro.

Grande parte do material utilizado na construção é reciclado ou proveniente de fontes naturais, como madeira, na tentativa de reduzir as emissões de carbono geradas no processo de construção.

A iluminação especializada se adapta à quantidade de luz natural que entra pelas janelas, enquanto a energia solar aquece a água usada nos banheiros do escritório.

“Todos vão precisar de novos tipos de expertise”, diz Wills. “Haverá necessidade de engenheiros que saibam lidar com sistemas de energia renovável, arquitetos capazes de elaborar projetos bonitos com emissões zero ou que utilizem materiais reciclados.”

“Precisamos de planejadores urbanos que consigam conectar os transportes públicos de maneira eficiente e especialistas em finanças que saibam gerenciar construções verdes”, completa.

Algumas profissões provavelmente serão mais demandadas do que outras. O Escritório de Estatísticas de Trabalho dos EUA prevê um crescimento de 105% nos empregos para instaladores de painéis solares até 2026, com a criação de mais de 11,8 mil postos de trabalhos no país.

Mudanças na China
Seguindo a tendência, o governo chinês estabeleceu metas agressivas como parte de seu plano quinquenal, exigindo que 50% de todos os prédios urbanos novos tenham certificação verde.

“Haverá também a necessidade de tornar os edifícios existentes mais resistentes ao clima”, diz Nicolas Maitre, economista da OIT, que vem pesquisando o impacto da construção verde na economia.

“No Reino Unido, serão criados cerca de 20 postos de trabalho para cada US$ 1 milhão investido na infraestrutura existente, enquanto na China serão cerca de 200 e no Brasil, 160. Estes também serão empregos qualificados.”

“Haverá ainda a criação de muitas vagas ligadas à construção no setor hídrico, à medida que os países tentam se adaptar às mudanças climáticas. Na Argentina, por exemplo, seu plano nacional de 15 anos para a água vai resultar em 200 mil postos de trabalho”, completa.

A crescente demanda por especialistas no setor de construção civil verde significa que muitas empresas já estão com dificuldade para recrutar profissionais suficientes.

“Na parte de engenharia, estamos com dificuldade para contratar todo o pessoal de que precisamos”, conta Alisdair McGregor, diretor e engenheiro mecânico da Arup, que liderou a construção do prédio da Academia de Ciências da Califórnia.

“Em meados da década de 1990, a construção verde era quase uma sociedade secreta de cerca de 100 pessoas que participavam de conferências, mas a partir de 2000 ela explodiu.

Estamos vendo muitos clientes importantes – tanto governamentais, quanto corporativos – que estão querendo fazer isso.”

“Existe agora uma grande demanda por engenheiros criativos para trabalhar nesses projetos.

As empresas de arquitetura com as quais trabalhamos estão vivendo o mesmo cenário”, acrescenta.

Alice Moncaster, especialista em construção sustentável na Universidade Aberta do Reino Unido, espera que a demanda por novas habilidades na indústria de construção também encoraje mais mulheres a assumirem funções nessa área.

“Há uma falta de diversidade chocante dentro do setor”, diz ela. “Minha esperança é que as novas habilidades [requisitadas] incentivem mais mulheres e permitam que elas cresçam em todas as profissões da área de construção sustentável.”

Empregos completamente novos provavelmente vão surgir diante da crescente demanda por edifícios verdes. A OIT prevê a criação de cargos como ecodesigner – para projetar produtos mais eficientes -, e especialistas em eficiência energética se tornarão cada vez mais importantes em países como a China e a Índia, onde o setor de construção civil está em expansão.

“Vamos ter necessidade de profissionais para atuar como consultores de emissões, por exemplo, que possam avaliar o impacto do carbono em uma construção e ajudar a reduzi-lo”, diz Wills.

“Haverá uma demanda enorme por habilidades que até agora eram amplamente especializadas.”

Para enfatizar esse aspecto, Wills mostra outro atributo literalmente verde de seu escritório – uma parede coberta de plantas que ajudam a limpar o ar.

As “paredes vivas” estão cada vez mais presentes em edifícios ao redor do mundo – o One Central Park, em Sydney, na Austrália, tem o jardim vertical mais alto do mundo, enquanto a nova sede do Google em Londres vai contar com uma ampla área verde na cobertura.

“Temos uma equipe especializada que vem cuidar da nossa ‘parede viva'”, explica Wills.
Moran também acredita os prédios sustentáveis vão exigir habilidades que não tiveram muito destaque no setor da construção civil no passado.

“É preciso um conjunto de habilidades diferentes para cuidar de um telhado vivo, em comparação com o paisagismo padrão”, diz ele.

“Você precisa entender o ambiente, como a direção do sol e do vento podem afetar (o jardim). Mas também estamos vendo a tecnologia sendo integrada a tudo.”

“Nosso edifício todo é controlado por um sistema central de computadores, então, agora a gente pode andar com um iPad na mão e fazer todos os ajustes em tempo real”, explica.

“Isso é algo que vai se tornar apenas mais um atributo dos edifícios no futuro.”

 POR RICHARD GRAY, DA BBC CAPITAL

Novo conceito de escritório reflete tendências globais

Nos últimos anos, empresas do mundo inteiro se tornaram mais preocupadas em criar ambientes de trabalho que encorajem a inovação e a troca de experiências entre seus profissionais. Com isso, elas buscam aumentar a produtividade, os resultados e também ampliar a satisfação dos funcionários, adotando modelos de relações funcionais mais horizontalizados, que flexibilizem as tradicionais hierarquias piramidais.

Essa tendência encontra reflexos também nos projetos de arquitetura e design de interiores corporativos dos principais centros empresariais do mundo. Um dos mais renomados escritórios de arquitetura dos Estados Unidos e um dos pioneiros em projetos que revolucionaram os espaços corporativos, o Skidmore, Owings & Merrill (SOM), baseado em Nova York, enxerga essa tendência como global e sem volta. “O design dos escritórios pode variar de país para país, dependendo de culturas locais – como a necessidade de espaços para almoço ou para um descanso no meio da tarde –, mas esse movimento de ruptura acontece no mundo todo”, afirma Stephen Apking, sócio especializado em design de interiores do SOM, que há mais de 80 anos atua na área com projetos de engenharia e planejamento urbano em mais de 50 países.

Campus Style

Apking, do Skidmore, lembra que essas tendências são revolucionárias também para a arquitetura corporativa e que obrigaram os profissionais do setor a um novo pensamento. “Os escritórios em rede são pensados como um campus universitário, facilitando a transparência, com espaços abertos. Cores, materiais e móveis mais alegres e aconchegantes também fazem parte dessa tendência, que procura proporcionar ao trabalhador a possibilidade de escolher diferentes modelos de espaços para cumprir suas funções”, esclarece.

Preocupação com a sustentabilidade

O caráter sustentável também é destaque nos empreendimentos mais inovadores. No Brasil, um dos pilares do E1 será a certificação LEED, pelo Green Building Council.

Entre os itens que serão considerados estão:

  • construção utilizando madeira com certificado de origem, descarte adequado dos resíduos e instalação de lava-rodas para as máquinas e equipamentos;
  • fachada e cobertura que valorizem o uso de luz natural;
  • lâmpadas eficientes e de baixo consumo (como LED);
  • sistema de troca de ar para reduzir o uso de ar-condicionado;
  • paisagismo com espécies da região;
  • captação de água pluvial e utilização de água de reúso;
  • incentivo a meios alternativos de locomoção (para o deslocamento dentro do Parque Viracopos, serão fornecidas bicicletas);
  • instalação de usina solar na cobertura, proporcionando a geração de energia limpa e renovável, sem emissão de poluentes e resíduos.

Por Abril Branded Content

Permuta com incorporadoras deve ser uma das novidades do MCMV

Não é novidade que o governo do presidente Jair Bolsonaro quer reformular o programa Minha Casa, Minha Vida. Esta semana foram divulgados mais detalhes pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, em entrevista concedida ao jornal O Estado de São Paulo, mas a proposta final só sairá após conversas com a Caixa, Ministério da Economia, empresários e entidades do setor.

O principal foco da reforma está na faixa 1, para famílias que recebem até R$ 1,8 mil mensais. Essa parcela do programa tem uma série de problemas, desde o percentual de subsídio exigido da União – em torno de 90% do valor da unidade – até a revenda dos imóveis realizada pelas famílias beneficiárias, que optam por receber algum dinheiro mas retornam à situação de vulnerabilidade habitacional.

Para mudar a questão do subsídio, o Ministério do Desenvolvimento Regional vai propor ao governo que sejam doados terrenos e imóveis públicos – de municípios, estados e União – para incorporadoras que atuam no programa; em troca, as empresas se comprometem a construir empreendimentos para a faixa 1.

A lógica será a mesma para a administração dos conjuntos habitacionais: empresas da iniciativa privada assumem a responsabilidade da gestão pelo prazo de 20 ou 30 anos em troca do recebimento de terrenos públicos, afirmou Canuto. O objetivo é levar mais segurança aos condomínios e evitar criminalidade ou conflitos sociais.

De acordo com o ministro, projetos para a faixa 1 só irão se concretizar após assinatura dos contratos de construção e administração com empresas do setor privado. Canuto admite que a quantidade de empreendimentos deve reduzir, porém será possível intensificar a atuação do programa em regiões menos beneficiadas, como Norte e Nordeste, pondera.

Famílias da faixa 1 não terão mais a posse do imóvel

A outra mudança importante é que as famílias da faixa 1 não terão mais a posse do imóvel; as unidades pertencerão ao governo, que definirá um valor de aluguel compatível com a realidade financeira da família beneficiada. O mecanismo serve para evitar a revenda dos imóveis.

De acordo com o ministro, os beneficiários terão de frequentar programas de profissionalização oferecidos pelo governo. A ideia é que as famílias consigam deixar o aluguel social e adquirir unidades destinadas às faixas 1.5 ou 2. É possível que a reformulação do Minha Casa, Minha Vida – que deve ter outro nome – estipule um prazo máximo no qual a família pode morar no imóvel alugado.

A exceção é para famílias que venham a ser removidas de área de risco, que sejam vítimas de calamidade ou que precisem deixar o imóvel devido a obras do governo. Nestes casos, a aquisição da posse da unidade será permitida, mesmo que os beneficiários estejam inseridos na faixa 1 do programa.

Mais rigor na faixa 1.5

O Ministério do Desenvolvimento Regional quer endurecer as regras de contratação de unidades da faixa 1.5. O objetivo é reduzir a inadimplência e a tomada da propriedade pelo banco operador do financiamento – geralmente a Caixa. Para isso, estuda-se instituir uma renda mínima que será obrigatória para obter crédito (atualmente, apenas a renda máxima – de R$ 2,6 mil – é considerada).

As faixas 2 e 3 – até R$ 4 mil e até R$ 9 mil de renda mensal, respectivamente – não devem sofrer alterações, afirmou o ministro durante a entrevista.

Fonte Estadão